Defesa da Venezuela acusa EUA de matar guarda de Maduro e cobra libertação do presidente

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, denunciou neste domingo (4) a morte de parte da equipe de segurança do presidente Nicolás Maduro durante a operação militar norte-americana que resultou na captura do chefe de Estado. Em comunicado em vídeo, Padrino qualificou o episódio como uma execução “a sangue frio” e exigiu a libertação imediata de Maduro, transferido para Nova York após a ação.

Operação militar e captura em Caracas

A intervenção ocorreu no sábado (3) em vários bairros de Caracas. Moradores relataram explosões em pontos distintos da capital. Segundo o governo venezuelano, forças de elite dos Estados Unidos desembarcaram na cidade, avançaram sobre o Palácio de Miraflores e detiveram tanto o presidente quanto a primeira-dama, Cilia Flores. A operação terminou com a remoção de ambos em aeronaves militares rumo ao território norte-americano.

Washington justificou a ação com base em acusações de narcoterrorismo contra Maduro. Há anos o Departamento de Justiça o aponta como líder do suposto cartel “De los Soles”, suspeito de tráfico internacional de drogas. As autoridades dos EUA não divulgaram provas públicas sobre a existência dessa organização criminosa, mas mantinham, desde 2020, uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do mandatário venezuelano.

Imagens de satélite divulgadas por veículos internacionais mostram movimentação de helicópteros militares norte-americanos no centro de Caracas no momento das explosões. O Pentágono não comentou oficialmente o número de efetivos envolvidos nem as baixas registradas.

Pronunciamento do ministro da Defesa

Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Padrino apareceu ladeado por integrantes do alto comando das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas. Ele afirmou que “soldados, soldadas e cidadãos inocentes” integravam o grupo de vítimas, mas não especificou nomes, patentes ou quantidades. O ministro classificou a operação como “violação flagrante da soberania” e reforçou a exigência de que Maduro seja “imediatamente libertado”.

O comunicado oficial, lido na sequência, rejeita qualquer jurisdição estrangeira sobre o líder venezuelano e convoca organismos multilaterais a condenar a intervenção. A chancelaria de Caracas solicitou reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU, agendada para segunda-feira (5).

Comparações históricas e reações internacionais

Analistas internacionais recordam a invasão do Panamá em 1989, quando tropas dos EUA capturaram o então presidente Manuel Noriega, também acusado de narcotráfico. Padrino citou esse precedente ao argumentar que “os mesmos métodos” estariam sendo aplicados contra Caracas.

Governos de países aliados à Venezuela, como China e Rússia, condenaram publicamente a operação. A União Europeia divulgou nota pedindo “moderação de todas as partes” e respeito ao direito internacional. Nos Estados Unidos, parlamentares de oposição à Casa Branca solicitaram esclarecimentos ao Departamento de Defesa sobre a legalidade da ação sem aval do Congresso.

Organizações de defesa dos direitos humanos na América Latina manifestaram preocupação com possíveis impactos civis das explosões em Caracas. Até o momento, não há relatório oficial de vítimas fora do círculo de segurança presidencial.

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Acusações de motivação geopolítica

Especialistas em energia e política externa consultados por agências internacionais apontam que a Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, fator que, segundo esses analistas, pode influenciar a política dos EUA para a região. Críticos da operação alegam que a captura de Maduro busca afastar Caracas de alianças com China e Rússia, grandes compradores do petróleo venezuelano. O governo norte-americano não comentou essas afirmações.

Em Caracas, a administração interina designada pela Assembleia Nacional, órgão controlado pela oposição, ainda não se pronunciou sobre a detenção de Maduro nem sobre o vácuo de poder resultante. Conforme a constituição venezuelana, o vice-presidente deveria assumir o comando, mas não houve anúncio oficial até o fechamento desta matéria.

Próximos passos

O processo criminal contra Maduro tramita agora na justiça federal dos Estados Unidos, com audiência preliminar marcada para terça-feira (6) em Nova York. Advogados venezuelanos estudam recorrer a tribunais internacionais para contestar a jurisdição. Enquanto isso, o Ministério da Defesa afirma manter “alerta máximo” frente a novas movimentações militares externas.

Na capital venezuelana, manifestações convocadas por apoiadores do governo bloquearam avenidas próximas ao centro. Organizações estudantis e sindicatos anunciaram protestos adicionais para os próximos dias, pedindo esclarecimentos sobre o número de mortos e o paradeiro dos agentes de segurança feridos.

Até o momento, não foi divulgado balanço definitivo de vítimas, e as Forças Armadas venezuelanas seguem sem detalhar o desfecho da operação dentro do Palácio de Miraflores. Autoridades dos EUA também não informaram se houve baixas entre seus soldados.

A situação permanece em desenvolvimento, com impacto potencial sobre a estabilidade política na Venezuela e nas relações hemisféricas nas próximas semanas.

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