A Hyundai Motor definiu 2028 como o ano de estreia do robô humanoide Atlas numa das suas fábricas nos Estados Unidos, abrindo uma nova fase de automação industrial nos centros de produção do grupo sul-coreano. O anúncio foi feito em Las Vegas, durante a Consumer Electronics Show (CES), onde a empresa apresentou a versão de produção do equipamento desenvolvido pela Boston Dynamics.
Planeamento e cronograma de adoção
Segundo a Hyundai, o Atlas começará por executar tarefas de sequenciamento de peças a partir de 2028. A companhia pretende, num primeiro momento, avaliar ganhos de segurança e qualidade antes de ampliar o leque de funções. Caso os resultados sejam positivos, a aplicação será estendida de forma gradual a todas as unidades fabris do grupo.
Até 2030, o robô deverá avançar para etapas de montagem de componentes. Num plano de longo prazo, a meta é delegar atividades que envolvam cargas pesadas, movimentos repetitivos ou operações consideradas complexas. A fabricante ainda não revelou quantos robôs serão adquiridos nem o investimento envolvido, mas indicou que o projecto faz parte de uma estratégia ampla de “IA física” — conceito que abrange sistemas inteligentes integrados a máquinas capazes de tomar decisões e executar ações no mundo real.
Características técnicas do Atlas
O modelo apresentado possui mãos em escala humana com sensores táteis e capacidade para erguer até 50 quilogramas. Projetado para atuar de forma totalmente autónoma, o robô pode operar em ambientes industriais com temperaturas entre –20 °C e 40 °C. De acordo com a Hyundai, esses atributos permitem que o Atlas execute tarefas exigentes sem interrupção, mitigando riscos associados a esforço físico excessivo e condições adversas.
Impacto na força de trabalho e no mercado
A introdução de robótica avançada levanta preocupações entre sindicatos. Na Kia Corp, empresa irmã da Hyundai, representantes laborais solicitaram em 2023 a criação de um comité dedicado a questões de direitos dos trabalhadores relacionadas à expansão da automação. Os funcionários temem que a adoção de IA física altere funções existentes e crie novos desafios em segurança e carreira.
A Hyundai afirma que o Atlas foi concebido para complementar a atuação humana, reduzindo a exposição a tarefas repetitivas ou de alto risco. A empresa sustenta que o processo de implementação será acompanhado por avaliações contínuas de segurança, com o objetivo de validar a utilidade do robô antes de avançar para fases mais críticas da produção.
Imagem: Internet
Especialistas da indústria estimam que robôs humanoides poderão formar o maior segmento do mercado de IA física nas próximas décadas. O avanço abrange robótica, fábricas inteligentes e aplicações de condução autónoma, todas baseadas em sensores que captam dados do ambiente e algoritmos que tomam decisões em tempo real.
Parcerias estratégicas em IA
Para acelerar o desenvolvimento do Atlas e de outras soluções inteligentes, a Hyundai mantém colaborações com empresas de tecnologia, incluindo Nvidia e Google. Essas parcerias visam aprimorar a segurança dos sistemas, melhorar a eficiência energética e garantir que a integração em ambientes industriais ocorra sem comprometer as operações existentes.
Com o cronograma delineado, a Hyundai reforça a aposta em automação avançada nos seus processos de fabricação, enquanto observa atentamente a resposta de trabalhadores e reguladores. O desempenho do Atlas a partir de 2028 nas linhas dos Estados Unidos servirá como indicador-chave para a expansão global do robô e para o avanço da IA física no setor automotivo.





