As ações da Tesla registaram queda superior a 4% nesta terça-feira, depois de a Nvidia apresentar um pacote de modelos e ferramentas de inteligência artificial automotiva em regime de código aberto. A revelação foi feita pelo presidente-executivo Jensen Huang na segunda-feira e reforça a entrada da fabricante de chips no segmento de condução autónoma, território onde a Tesla é referência.
Impacto imediato no mercado financeiro
Poucas horas após o anúncio da Nvidia, os papéis da Tesla eram negociados a 430,71 dólares às 17h27 (horário de Brasília), recuo de 4,5% em relação ao fechamento anterior. Apesar da correção do dia, a empresa de Elon Musk ainda acumulava valorização de 11,4% em 2025.
Analistas atribuem o movimento à percepção de que a abertura do ecossistema de software da Nvidia pode acelerar o desenvolvimento de soluções rivais e, consequentemente, aumentar a competição no setor de veículos autónomos. Musk comentou que o novo pacote “talvez gere pressão competitiva sobre a Tesla em cinco ou seis anos”, sinalizando atenção ao avanço da fabricante de semicondutores.
Detalhes do pacote Nvidia e primeiros parceiros
O conjunto divulgado pela Nvidia inclui modelos de inteligência artificial treinados, bibliotecas de software e ferramentas para testes virtuais. Todo o material será disponibilizado em código aberto, estratégia que pretende facilitar a adoção por montadoras, startups e fornecedores de componentes.
De acordo com a companhia, a plataforma DRIVE AV está “em produção” e funcionará como um “kit inicial” para autonomia de Nível 4, categoria que permite ao veículo operar sem intervenção humana em determinados cenários. A aposta é atrair empresas que desejem encurtar o desenvolvimento de seus próprios sistemas, usando tecnologias já validadas pela Nvidia.
O primeiro automóvel de produção equipado com o pacote completo será o Mercedes-Benz CLA 2025. A montadora alemã planeia iniciar as entregas do modelo no primeiro trimestre, começando pelo mercado norte-americano. O acordo com a Mercedes reforça a estratégia de diversificação da Nvidia, que busca ampliar receitas além dos segmentos tradicionais de data centers e gaming.
Planos da Tesla para robotáxis e Cybercab
Paralelamente, a Tesla mantém planos de expandir um serviço de robotáxi ainda este ano e dar início às entregas do veículo autónomo Cybercab. A empresa aposta na integração entre hardware, software e grande volume de dados de condução para sustentar a vantagem competitiva.
No entanto, os números de vendas recentes indicam desafios adicionais. Na Alemanha, os emplacamentos de automóveis da Tesla caíram quase 50% em dezembro, comparados ao mesmo mês do ano anterior, segundo a agência federal de transporte rodoviário KBA. No Reino Unido, a retração foi superior a 29% no mesmo período, conforme dados do setor.
Imagem: Tecnologia Inovação Notícias
Cenário competitivo em transformação
O movimento da Nvidia soma-se a iniciativas de outras empresas de tecnologia que buscam fornecer soluções completas ou componentes para condução autónoma. A abertura do código pode atrair uma comunidade de desenvolvedores capaz de acelerar inovações e reduzir barreiras de entrada para fabricantes menores.
Para a Tesla, que desenvolve o software de condução de forma proprietária, a maior disponibilidade de alternativas no mercado pode pressionar preços e margens, além de influenciar a percepção dos investidores acerca de seu domínio tecnológico. Mesmo assim, a companhia de Musk segue adiantada na coleta de dados reais de condução, considerado um diferencial crítico para treinar algoritmos de larga escala.
Perspectivas para 2025
Ao longo de 2025, a evolução das parcerias estabelecidas pela Nvidia e a resposta das principais montadoras serão acompanhadas de perto pelo mercado. Caso o pacote de código aberto ganhe tração, é provável que novas integrações sejam anunciadas, intensificando a disputa por sistemas de Nível 4 e Nível 5.
A Tesla, por sua vez, tem pela frente o lançamento comercial do robotáxi e do Cybercab, além de potenciais atualizações do seu software Full Self-Driving. Esses marcos podem mitigar o impacto competitivo trazido por novas plataformas, mas dependem de aprovação regulatória e escalonamento industrial.
Enquanto isso, investidores monitoram o equilíbrio entre crescimento de receita, custos de produção e evolução tecnológica, num ambiente cada vez mais marcado pela convergência entre automóveis e indústria de chips. O anúncio da Nvidia é mais um sinal de que a corrida pela autonomia veicular entra numa nova fase, com mais atores, projetos abertos e pressão adicional sobre líderes estabelecidos.





