Xangai investe US$ 10 bilhões para acelerar semicondutores, IA e setores estratégicos

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Xangai oficializou um plano de US$ 10 bilhões destinado a impulsionar áreas tecnológicas consideradas centrais para a competitividade da China nos próximos anos. O anúncio, feito nesta terça-feira, insere-se na estratégia nacional de autossuficiência delineada por Pequim e envolve acordos assinados recentemente no distrito de Pudong.

Plano concentra recursos em Pudong

Segundo informações divulgadas pelo portal local Shanghai Eye, o distrito mais populoso da cidade receberá cerca de 50 novos projetos. Os contratos firmados esta semana totalizam mais de 70 bilhões de yuans, quantia equivalente aos 10 bilhões de dólares anunciados. Autoridades locais indicam que a maior parte dos recursos será aplicada em semicondutores, inteligência artificial, biofarmacêutica, veículos inteligentes e aviação.

Pudong, situado na margem leste do rio Huangpu, já abriga a sede da Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC), principal fabricante de chips do país. O distrito também concentra empresas como a Shanghai Micro Electronics Equipment, especializada em equipamentos de litografia, e a SenseTime, referência nacional em algoritmos de visão computacional. A nova injeção de capital pretende ampliar esse ecossistema e atrair fornecedores críticos para a cadeia de valor.

Objetivo: fortalecer capacidade interna até 2030

Conforme noticiou o South China Morning Post, Xangai soma-se a outras grandes cidades chinesas que já detalharam planos robustos de expansão tecnológica válidos até 2026. Esse marco coincide com o início do próximo plano quinquenal da China, que vai até 2030 e tem como foco principal reforçar a capacidade tecnológica doméstica diante das restrições externas e da crescente competição com os Estados Unidos.

Para Fu Weigang, presidente do Instituto de Finanças e Direito de Xangai, o esforço do país para equiparar-se aos norte-americanos em tecnologias avançadas depende de centros urbanos como Xangai entregarem resultados palpáveis. “As cidades-chave precisam demonstrar avanços concretos se a China quiser sustentar o ritmo de inovação e alcançar liderança nos segmentos mais estratégicos”, observou o executivo.

Centrífuga recorde amplia fronteira científica

Paralelamente ao pacote de investimentos, a comunidade científica chinesa apresentou a CHIEF1900, centrífuga capaz de gerar força equivalente a 1.900 vezes a gravidade terrestre. O equipamento, descrito pelo South China Morning Post, foi projetado para acelerar fenómenos naturais e industriais em ambiente controlado, permitindo a pesquisadores simular milhares de anos de processos em poucas horas.

Especialistas apontam que a máquina coloca a China na vanguarda da engenharia e da física experimental, abrindo novas possibilidades em áreas como pesquisa de materiais, geologia e indústria aeroespacial. Embora não esteja diretamente vinculada ao plano financeiro de Pudong, a CHIEF1900 ilustra o ritmo de inovação que o governo pretende sustentar durante a próxima década.

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Impacto esperado no ecossistema tecnológico

A alocação de 10 bilhões de dólares deverá ampliar a capacidade produtiva de semicondutores, segmento considerado crucial diante das restrições comerciais impostas por outras economias. No campo da inteligência artificial, a meta é consolidar Xangai como polo de desenvolvimento de aplicações empresariais e de pesquisa básica, reforçando o ecossistema já instalado em torno da SenseTime.

Na biofarmacêutica, autoridades locais pretendem atrair parcerias internacionais para produção de medicamentos de alta complexidade, reduzindo a dependência de insumos importados. Em veículos inteligentes, o foco recai sobre sistemas de condução autônoma e baterias avançadas. Por fim, na aviação, o plano prevê apoiar startups de drones e empresas que atuam no desenvolvimento de aeronaves de fuselagem estreita.

Embora o cronograma detalhado não tenha sido divulgado, as autoridades municipais indicaram que os primeiros aportes serão liberados ainda neste semestre. Cada projeto terá metas específicas de pesquisa, produção ou contratação, acompanhadas por métricas de desempenho definidas pelo governo local.

Alinhamento com diretrizes nacionais

O movimento de Xangai segue a linha traçada por Pequim para reduzir vulnerabilidades em tecnologia de ponta. Nos últimos anos, o país enfrenta restrições à compra de equipamentos litográficos de última geração, além de barreiras à importação de chips avançados. Ao direcionar capital para pesquisa, desenvolvimento e manufatura, o governo busca mitigar riscos e acelerar a transição para uma cadeia de suprimentos inteiramente doméstica.

Segundo analistas do setor, investimentos concentrados em áreas críticas tendem a criar sinergias entre empresas de grande porte, centros de pesquisa e startups, ampliando a densidade de talentos e a capacidade de inovação de Xangai. Esses fatores são considerados essenciais para que a China alcance a meta de se tornar líder global em tecnologias disruptivas até o final da década.

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