Arm cria divisão de IA física e aposta em robôs e automóveis na CES 2024

Imagem representando tecnologia e inovação

A Arm Holdings inaugurou uma unidade dedicada à chamada “IA física” com o objetivo de ampliar a atuação no segmento de robótica. O anúncio foi feito por executivos da companhia durante a CES 2024, realizada em Las Vegas, onde sistemas robóticos dominaram as apresentações.

Nova estrutura para impulsionar robótica e automóveis

Com a reformulação, a empresa britânica passará a operar três frentes principais: Cloud e IA, Edge — que engloba dispositivos móveis e PCs — e IA física, divisão que concentrará os negócios voltados a robótica e automóveis. Segundo a diretora de marketing, Ami Badani, as duas áreas compartilham requisitos semelhantes em consumo de energia, segurança e confiabilidade, motivo pelo qual foram reunidas na mesma estrutura.

Drew Henry, nomeado para liderar a nova unidade, afirmou que a combinação de sensores, processamento em tempo real e algoritmos de inteligência artificial deverá gerar impacto significativo na produtividade industrial e, por consequência, na economia global. O executivo destacou que a Arm “trabalha com todos” os principais fabricantes, e lembrou que chips baseados na arquitetura da empresa equipam dezenas de montadoras e companhias de robótica, entre elas a Boston Dynamics.

Apesar de não produzir semicondutores, a Arm licencia o design de processadores utilizados pela maioria dos smartphones, além de laptops e servidores. A receita vem de taxas de licenciamento e royalties pagos por fabricantes de chips e equipamentos eletrónicos. Desde que assumiu a direção há cerca de quatro anos, o presidente-executivo Rene Haas tem ampliado o portefólio com tecnologias de valor agregado e estuda até fornecer um design de chip completo.

Robôs protagonizam a CES 2024

A edição deste ano da feira concentrou dezenas de demonstrações de robôs humanóides capazes de dançar, jogar pingue-pongue ou executar tarefas repetitivas. Segundo a consultoria PwC, a junção de máquina e inteligência artificial elevou a precisão e a produtividade a novos patamares, tendência que desperta o interesse de montadoras em busca de eficiência e redução de custos.

Nesse contexto, a Arm e a Boston Dynamics exibiram o Atlas, robô humanóide pronto para produção. A controladora Hyundai pretende iniciar a implantação do modelo em fábricas nos Estados Unidos até 2028. Para Badani, a convergência entre veículos autónomos e robótica industrial reforça a estratégia de unificar as atividades de IA física.

Além da Arm, outras empresas anunciaram movimentos relevantes. A Mobileye — controlada em parte pela Intel — planeia adquirir a startup de robótica Mentee por 900 milhões de dólares. Já a Nvidia revelou o conjunto de modelos de IA Alpamayo e novas soluções voltadas a veículos autónomos.

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Imagem: Tecnologia Inovação Notícias

Robert Playter, executivo-chefe da Boston Dynamics, reconheceu a existência de um “ciclo de propaganda” em torno de humanóides, mas lembrou que a empresa já comercializou milhares de robôs quadrúpedes e alcança rentabilidade no setor.

Estratégia de longo prazo

A criação da divisão de IA física faz parte do plano da Arm para diversificar as fontes de receita. O foco em robótica surge como oportunidade de crescimento de longo prazo, impulsionada pelo avanço de sensores mais eficientes, processadores dedicados e algoritmos de aprendizagem automática. A empresa avalia que a procura por soluções de hardware optimizadas para tarefas físicas — seja num braço robotizado de fábrica ou num veículo autónomo — tende a aumentar nos próximos anos.

Fabricantes como a Tesla já desenvolvem robôs para linhas de produção, na expectativa de reduzir custos operacionais. A Arm pretende fornecer a arquitetura de processamento capaz de equilibrar desempenho, baixo consumo energético e segurança funcional, requisitos considerados essenciais para aplicações industriais.

Com a nova organização, a companhia espera agilizar o desenvolvimento de plataformas específicas, atrair parceiros e expandir a participação em mercados emergentes. Embora não tenha divulgado metas numéricas, executivos apontam a robótica como um dos vetores que podem elevar a participação da empresa para além do ecossistema móvel, historicamente o seu principal nicho.

A CES 2024 evidenciou a transição de protótipos para aplicações práticas, com cronogramas definidos para produção e adoção comercial. A Arm, ao estruturar uma unidade exclusiva de IA física, posiciona-se para fornecer o coração tecnológico desses sistemas, apostando que a próxima fase da computação se materializará não apenas em servidores ou na nuvem, mas também em máquinas que interagem diretamente com o mundo físico.

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