O encerramento temporário do espaço aéreo venezuelano, ao longo do fim de semana, provocou uma reestruturação emergencial nas rotas de companhias que decolam do Brasil com destino ao Caribe e aos Estados Unidos. A medida foi tomada após ações militares norte-americanas que resultaram na captura de Nicolás Maduro e de Cilia Flores no sábado (3).
Ajustes imediatos das companhias aéreas
Entre as empresas afetadas, a Azul cancelou os voos previstos entre Confins (MG) e Curaçao, em ambos os sentidos, entre domingo (5) e terça-feira (6). A ligação entre Belém (PA) e Fort Lauderdale (EUA) foi suspensa na segunda-feira (5) e na quarta-feira (7). Para minimizar o impacto, a transportadora programou voos extras entre terça e sexta-feira (9).
A Gol, que havia retomado a rota para Caracas em agosto, mantém as operações na capital venezuelana suspensas há mais de um mês, desde o primeiro aviso de risco emitido pelos Estados Unidos. No fim de semana, dez voos que partiam de Brasília para Miami ou Orlando foram desviados para Manaus, onde realizaram escala técnica para reabastecimento. Trechos com destino ao Caribe chegaram a ser suspensos na madrugada de sábado, sendo reativados já no domingo, quando o espaço aéreo voltou a ser liberado. Um voo para Curaçao precisou ser cancelado.
Pela Latam, as operações sobre a região foram retomadas na segunda-feira (5). A companhia informou que as rotas para Aruba e Curaçao, partindo de Bogotá, estão normalizadas. Como compensação pelos cancelamentos, dois voos adicionais de ida e volta foram incluídos. A empresa reiterou que a segurança operacional permanece como prioridade.
A Avianca suspendeu as decolagens no sábado e reabriu a malha no domingo, tão logo houve liberação do espaço aéreo. A transportadora atende Aruba, Curaçao e San Juan, alguns trechos em code-share com a Gol. A empresa declarou que continua a monitorar a situação e seguirá todas as orientações de autoridades aeronáuticas.
Impacto financeiro e orientação ao passageiro
Além dos custos diretos de cancelamentos e desvios, o fechamento do corredor aéreo elevou o tempo de voo e o consumo de combustível, pressionando o orçamento das companhias. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) alertou que, embora ainda não seja possível quantificar a perda, o aumento de rotas alternativas gera despesas operacionais significativas para as empresas ligadas à região.
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Passageiros afetados receberam notificações com opções de remarcação, reembolso ou crédito para viagens futuras. As companhias recomendam acompanhar mensagens nos canais oficiais antes de se dirigir aos aeroportos, pois ajustes de última hora podem ocorrer caso surjam novas restrições.
O setor aéreo, que já lida com a elevação de custos de combustível, taxas aeroportuárias e flutuação cambial após a pandemia, teme que incidentes semelhantes desencadeiem efeitos em cascata. Entidades representativas acompanham a situação na Venezuela para coordenar informações com transportadoras e autoridades, de modo a preservar a continuidade dos serviços e a segurança de tripulantes e passageiros.
Até o momento, não há indicação de novo fechamento do espaço aéreo venezuelano, mas especialistas em regulação recomendam que as empresas mantenham planos de contingência ativos, dada a volatilidade do cenário geopolítico. Enquanto isso, passageiros com viagens programadas para o Caribe ou que sobrevoam a região devem verificar o status do voo com antecedência.





