Um estudo nacional apontou os 100 hospitais públicos de maior destaque no Brasil, com base em indicadores de desempenho assistencial e de gestão. O levantamento serve como etapa classificatória para o Prémio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, que será entregue em maio.
Metodologia e entidades responsáveis
A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross) em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), Instituto Ética Saúde (IES), Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). O trabalho avaliou informações registadas entre agosto de 2024 e julho de 2025 no Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde.
Para compor a lista, foram selecionadas unidades que prestam assistência 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que contam com, no mínimo, 50 leitos ativos. Foram considerados hospitais gerais (adultos ou pediátricos) e instituições especializadas em ortopedia, oncologia, cardiologia ou maternidade. Hospitais psiquiátricos e de longa permanência ficaram fora da análise.
Os critérios examinados incluíram acreditação hospitalar, taxas de ocupação, mortalidade hospitalar, disponibilidade de leitos de terapia intensiva e tempo médio de permanência dos pacientes. Segundo o médico sanitarista Renilson Rehem, coordenador do estudo, “destacar os melhores hospitais públicos é uma forma de fortalecer o SUS e oferecer uma pauta positiva ao sistema”.
Distribuição regional dos hospitais premiados
O estado de São Paulo concentra 30 das 100 unidades classificadas, representando 30% do total. Desse grupo, 17 são hospitais estaduais e 13 municipais. De acordo com os responsáveis pelo levantamento, esse peso reflete a maior presença de unidades que atuam exclusivamente pelo SUS no território paulista, tanto em números absolutos quanto proporcionais.
Após São Paulo, Goiás aparece com 10 hospitais (10%). Pará e Santa Catarina dividem a terceira posição, cada um com sete instituições (7%). Pernambuco e Rio de Janeiro contam com seis unidades cada (6%), enquanto o Paraná reúne cinco (5%).
A lista segue com Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Maranhão e Minas Gerais, todos com três hospitais cada (3%). Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Tocantins contabilizam duas unidades cada (2%). Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe completam o grupo, com um hospital cada (1%).
Critérios de avaliação em detalhe
Os responsáveis pelo estudo utilizaram a acreditação hospitalar como principal referência de qualidade, por se tratar de um processo voluntário que avalia padrões de segurança, gestão e assistência. Taxas de ocupação e de mortalidade foram analisadas para medir eficiência operacional e resultados clínicos.
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A existência de leitos de terapia intensiva foi avaliada pela importância no atendimento a casos graves. Já o tempo médio de permanência forneceu indícios sobre a rotatividade e a qualidade da assistência. A combinação desses indicadores permitiu chegar a uma classificação comparável entre unidades de diferentes portes e regiões.
Objetivos do prémio e próximos passos
O Prémio Melhores Hospitais Públicos do Brasil pretende reconhecer boas práticas e incentivar a adoção de padrões mais rigorosos no atendimento oferecido pelo SUS. A cerimónia de entrega está programada para maio, quando serão divulgadas as colocações finais dentro do grupo de 100 selecionados.
Durante o evento, as entidades envolvidas apresentarão estudos de caso das instituições com melhor desempenho em cada indicador e discutirão estratégias para replicar esses resultados em todo o país.
Desigualdades e desafios
A concentração de unidades paulistas entre as 100 melhores evidencia disparidades regionais. Segundo os organizadores, estados com menos hospitais 100% SUS, ou com menor capacidade de registrar dados no SIH, acabam sub-representados. Ainda assim, a presença de instituições de todas as regiões demonstra que práticas de excelência são possíveis em diferentes contextos socioeconómicos.
Para Renilson Rehem, o mais relevante não é a posição no ranking, mas a visibilidade que a premiação oferece às unidades de referência. “Esses hospitais lidam diariamente com desafios estruturais e de financiamento. Dar destaque ao que funciona contribui para o aperfeiçoamento do sistema”, afirmou.
O estudo reforça a importância de indicadores transparentes, investimentos contínuos e gestão baseada em evidências para fortalecer a rede pública. As informações levantadas poderão orientar políticas de saúde, alocação de recursos e programas de melhoria assistencial, contribuindo para que um número maior de hospitais alcance níveis semelhantes de desempenho nos próximos anos.





