Moradores de Minneapolis, no estado norte-americano de Minnesota, realizaram manifestações na noite de quarta-feira (7) após a morte da cidadã dos Estados Unidos Renee Nicole Good, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). O episódio ocorreu no dia anterior, durante uma operação federal na cidade, e desencadeou vigílias, bloqueios de rua e novos apelos por investigações independentes.
Manifestação ganha força nas ruas
Os protestos concentraram-se em bairros próximos ao local do tiroteio e no centro da cidade. Participantes exibiram cartazes contra a política migratória do governo federal e pediram a retirada do ICE de Minnesota. Testemunhas relataram cânticos em memória de Renee, além de discursos de líderes comunitários que exigiram responsabilização do agente envolvido. Segundo o Star Tribune, houve mobilizações semelhantes em outras localidades norte-americanas, mas Minneapolis registrou o maior número de participantes.
A morte de Renee aconteceu na tarde de terça-feira (6), quando a mulher, de 37 anos, foi abordada por agentes de imigração dentro do carro. Gravações divulgadas nas redes sociais mostram pelo menos dois oficiais tentando abrir a porta do veículo antes de um disparo à queima-roupa. Após o tiro, a motorista acelerou por alguns metros até colidir com um poste. Ela não resistiu aos ferimentos.
Versões oficiais e relatos de testemunhas divergem
O Departamento de Segurança Interna (DHS), ao qual o ICE é subordinado, sustenta que a equipa federal realizava “operações direcionadas” quando recebeu resistência de moradores que tentaram bloquear as viaturas. A porta-voz Tricia McLaughlin afirma que Renee tentou atropelar os agentes, levando um deles a efetuar disparos “em legítima defesa”.
Moradores que presenciaram a abordagem contestam essa narrativa. Segundo depoimentos recolhidos pela imprensa local, os agentes teriam ordenado que a motorista saísse do carro sem apresentar mandado visível. As imagens que circulam online mostram Renee acelerando depois de ver a porta sendo puxada, momento em que ocorrem os disparos. Não é possível confirmar, pelos vídeos, se o veículo chegou a atingir algum oficial.
O DHS informou ainda que cerca de 2 000 agentes foram deslocados para Minnesota na terça-feira como parte de uma ofensiva migratória iniciada pelo governo Trump. A ação ampliou a presença federal em regiões urbanas e rurais, intensificando operações de busca e detenção de imigrantes.
Repercussão política e pedidos de investigação
A morte de Renee Nicole Good provocou reações de autoridades locais, estaduais e federais. O governador de Minnesota, Tim Walz, pediu calma à população e afirmou que a “imprudência federal custou uma vida”. Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, classificou o episódio como “inaceitável” e disse que a cidade “exige explicações completas” do ICE. Frey também solicitou que a agência interrompa as atividades no município enquanto as circunstâncias não forem esclarecidas.
Imagem: Últimas Notícias
Em Washington, a ex-vice-presidenta Kamala Harris descreveu o tiroteio como “chocante” e argumentou, nas redes sociais, que a versão apresentada pelo governo Trump “não se sustenta”. Harris defendeu uma investigação “completa e justa em nível estadual”. O presidente Donald Trump, por sua vez, declarou que o agente atuou em “legítima defesa” e publicou que as imagens “mostram claramente” a tentativa de atropelamento.
Organizações de direitos civis, entre elas a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), pediram acesso imediato às câmaras corporais e à gravação das viaturas envolvidas. Representantes da família de Renee anunciaram que pretendem mover processo contra o governo federal, alegando uso excessivo da força.
Próximos passos da investigação
A Procuradoria-Geral de Minnesota confirmou a abertura de inquérito estadual para apurar a conduta dos agentes do ICE. O departamento informou que irá analisar vídeos de câmaras de segurança, depoimentos de testemunhas e relatórios balísticos. Paralelamente, o Escritório de Responsabilidade Profissional do DHS iniciou procedimento interno para avaliar se houve violação de protocolos.
Enquanto avançam as investigações, grupos comunitários planeiam novas vigílias e marchas para os próximos dias. A cidade permanece sob forte atenção nacional, com autoridades locais reiterando pedidos por transparência e proteção aos moradores durante as operações federais.





