Um estudo preliminar desenvolvido por investigadores da Universidade da Colúmbia Britânica indica que, em caso de perda total de controlo dos sistemas de navegação, os satélites atualmente em órbita podem colidir após apenas 2,8 dias. O cálculo, apresentado como “Crash Clock”, projeta um cenário hipotético para o fim de 2025 e alerta para o risco crescente de congestionamento orbital.
“Crash Clock” mede intervalo crítico para impacto
A métrica criada pelo astrónomo Aaron Boley, coautor do estudo, estima o tempo necessário até à primeira colisão caso ocorra uma falha generalizada nos mecanismos de controlo. Em 2018, o mesmo método apontava um intervalo de 128 dias. A redução para menos de três dias, segundo os autores, evidencia o nível de “stress na órbita” provocado pelo aumento acelerado de satélites comerciais.
O trabalho considera a distribuição esperada de objetos espaciais até dezembro de 2025. Entre os fatores avaliados estão altitude média, densidade populacional em diferentes camadas orbitais e probabilidade de perda simultânea de comunicações. Embora o estudo ainda dependa de revisão por pares, os investigadores planeiam refinar o modelo, por considerarem que a estimativa atual pode estar ligeiramente inflacionada.
Cresce o número de veículos em órbita baixa
A tendência de lançamentos mostra crescimento contínuo. Em 2025, foram registados 324 lançamentos orbitais, volume 25 % superior ao verificado em 2024. A maioria dos novos satélites destina-se a constelações de internet, com destaque para a Starlink, de Elon Musk, e para o projeto Amazon Leo, que ainda prepara a sua entrada no mercado.
Dados de maio de 2025 indicam que a Starlink mantinha pelo menos 11 700 satélites ativos, quase todos a altitudes inferiores a 2 000 km. Com mais empresas a disputar a mesma faixa orbital, a densidade de equipamentos aumenta, reduzindo as margens de segurança entre trajetórias e elevando o risco de colisão.
Tempestades solares agravam cenário hipotético
Os autores destacam que tempestades solares podem acelerar o relógio de impacto. A libertação de partículas do Sol pode comprometer componentes eletrónicos e sistemas de posicionamento, dificultando a correção de órbitas. Numa situação de perda de telemetria generalizada, a capacidade de prever rotas individuais desaparece, criando condições para choques múltiplos em cadeia.
Imagem: Tecnologia Inovação Notícias
Uma colisão orbital gera detritos que permanecem a grande velocidade, multiplicando riscos para outras missões. Aplicações críticas na Terra, como previsão do tempo, comunicações e navegação por GPS, dependem do bom funcionamento desses satélites e seriam impactadas imediatamente.
Utilidade do modelo para decisões regulatórias
Apesar de preliminar, o “Crash Clock” oferece um indicador quantitativo para órgãos reguladores e operadores comerciais. O estudo sugere que limites de densidade orbital, protocolos de desativação segura e redundância de controlo remoto podem mitigar o risco de falhas simultâneas.
Os investigadores defendem ainda a revisão de prazos para retirada de satélites inativos e o desenvolvimento de sistemas de software capazes de operar autonomamente em caso de interferências eletromagnéticas. A próxima versão do modelo deverá incorporar novas constelações e dados de telemetria recentes, fornecendo intervalos de colisão mais ajustados.
Enquanto a revisão científica não é concluída, o cálculo de 2,8 dias serve como alerta para a comunidade espacial sobre a necessidade de políticas coordenadas de gestão do ambiente orbital.





