Dólar recua para R$ 5,36 e Ibovespa volta aos 163 mil pontos após dados fracos nos EUA

São Paulo, 9 de fevereiro — O mercado financeiro brasileiro terminou a sessão em clima de alívio. O dólar comercial caiu 0,44% e fechou vendido a R$ 5,365, menor valor desde 4 de dezembro, enquanto o Ibovespa avançou 0,27% e recuperou os 163 370 pontos.

Dólar renova mínima com impacto dos números de emprego

A moeda norte-americana iniciou o dia estável, mas perdeu força após a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos. A criação de 50 mil vagas em dezembro ficou abaixo das projeções de analistas e reforçou a leitura de que a economia norte-americana arrefece num ritmo capaz de abrir espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve no início de 2026. A leitura levou investidores a reduzir a procura pelo dólar e a migrar recursos para mercados emergentes, favorecendo o real.

Na mínima do dia, por volta das 14h, a cotação chegou a R$ 5,35. Com o desempenho desta sexta-feira, a divisa acumula queda de 2,24% em janeiro, depois de ter subido 2,89% em dezembro. Somando todo o ano de 2025, o dólar recuou 11,18%, movimento atribuído à combinação de juros elevados no Brasil e maior entrada de capitais estrangeiros.

O recuo da taxa de câmbio também foi influenciado pela valorização de 2% do petróleo no mercado internacional. Como o Brasil é exportador da commodity, o avanço das cotações costuma melhorar o fluxo cambial, reforçando a trajetória de queda da moeda norte-americana.

Expectativa de cortes de juros nos EUA direciona fluxos

A leitura de que o crescimento do emprego nos EUA perde fôlego alimenta apostas de que o Banco Central norte-americano pode iniciar o ciclo de redução de juros ainda no primeiro trimestre de 2026. Taxas mais baixas em economias avançadas tendem a estimular a busca por ativos de maior retorno, especialmente em países emergentes.

No Brasil, o diferencial de juros permanece elevado. Apesar de o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter fechado 2025 em 4,26%, os preços de serviços seguem pressionados. Analistas consideram que o Banco Central brasileiro só deve iniciar cortes na taxa Selic na reunião de março, preservando a atratividade das aplicações em renda fixa local e contribuindo para a apreciação do real.

Bolsa volta a avançar, mas sem força expressiva

O principal índice da B3 devolveu parte das perdas da véspera e subiu 0,27%, aos 163 370 pontos. O indicador chegou a registrar alta de 0,81% pouco depois da divulgação dos dados norte-americanos, mas perdeu tração ao longo da tarde com ajustes em papéis ligados a commodities.

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Imagem: Ultimas Notícias

Mesmo assim, o Ibovespa encerrou a semana com ganho de 1,76% e acumula avanço de 1,39% em 2026. A combinação de juros ainda elevados no Brasil e expectativas de redução de liquidez internacional continua a limitar uma recuperação mais robusta da bolsa, pois parte dos investidores prefere manter posições em renda fixa doméstica.

Fatores internos e externos seguem no radar

No cenário externo, além dos próximos passos do Federal Reserve, o mercado monitora o comportamento dos preços de energia e novos indicadores de atividade nos EUA e na China. Qualquer sinal de desaceleração mais acentuada ou de inflação persistente pode alterar as apostas sobre o ritmo de corte de juros globais.

Internamente, a trajetória da inflação de serviços e as sinalizações do Comitê de Política Monetária (Copom) serão determinantes. Caso o Banco Central confirme o início do afrouxamento monetário no primeiro trimestre, a tendência é de alívio adicional para o câmbio, mas o efeito sobre a renda variável dependerá da velocidade de redução da Selic.

Assim, a combinação de dados fracos de emprego nos Estados Unidos, preços mais altos do petróleo e juros brasileiros ainda elevados acabou favorecendo o real nesta sexta-feira, ao mesmo tempo em que sustentou a recuperação moderada do Ibovespa.

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