O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington “está pronto para ajudar” a população iraniana, numa referência aos protestos em curso contra o Governo de Teerã. A afirmação foi publicada na rede social própria do chefe de Estado, onde acrescentou que o Irã “procura liberdade como nunca antes”.
Pressão internacional após dezenas de mortes
As manifestações iranianas iniciaram-se em 28 de dezembro, motivadas por queixas sobre a escalada da inflação. Com o passar dos dias, o foco passou do custo de vida para reivindicações políticas que incluem a deposição do Governo. Segundo agências internacionais, pelo menos 50 pessoas morreram desde o começo dos protestos, número que pode crescer em virtude da dificuldade de acesso à informação.
Em 9 de janeiro, Trump advertiu que os Estados Unidos poderiam “entrar em ação” caso o regime iraniano continuasse a recorrer à violência letal. A Casa Branca não detalhou quais medidas estariam em consideração, mas fontes diplomáticas mencionam cenários que vão de sanções adicionais a apoio logístico a organizações de direitos humanos.
Bloqueio de comunicações e resposta do Governo iraniano
As autoridades de Teerã impuseram um apagão na internet que começou na noite de 9 de janeiro, interrompendo também ligações telefônicas internacionais e provocando cancelamentos de voos. A restrição visa conter a organização dos manifestantes e reduzir a circulação de vídeos sobre a repressão. Entidades de monitoramento de rede confirmam quedas acentuadas no tráfego de dados em praticamente todo o país.
Paralelamente, o líder supremo Ali Khamenei classificou os protestos como ações de “vândalos” supostamente orientados por Washington. Em pronunciamento televisionado, Khamenei acusou Trump de estimular a instabilidade para enfraquecer o regime. O Governo iraniano sustenta que tomará “todas as medidas necessárias” para restaurar a ordem.
Histórico de tensão e possíveis desdobramentos
A relação entre Estados Unidos e Irã deteriorou-se após a saída de Washington do acordo nuclear de 2015. Desde então, a administração Trump reinstalou sanções econômicas que atingem setores como petróleo, finanças e transportes. Analistas apontam que essas medidas contribuíram para o aumento da inflação e a perda do poder de compra, elementos que alimentaram o atual descontentamento popular.
Embora Trump tenha repetido que não pretende uma intervenção militar direta, o presidente norte-americano indicou que “todas as opções estão sobre a mesa” para proteger os direitos dos iranianos. O Departamento de Estado reforçou a posição, afirmando que acompanhará de perto a evolução dos atos e que responsabilizará Teerã por “qualquer violação grave de direitos humanos”.
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Observadores internacionais alertam para o risco de escalada caso a repressão se intensifique. Organizações humanitárias pedem o restabelecimento imediato da internet e o fim do uso de munição real contra civis. Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária já foi destacada para algumas províncias, sinalizando disposição para medidas mais duras.
Quadro humanitário e repercussão regional
Relatórios de hospitais civis apontam dificuldade para atender feridos devido à superlotação e à falta de suprimentos. Grupos de exilados informam que milhares de pessoas foram detidas, mas não existe confirmação independente dos números. Países vizinhos acompanham com atenção, temendo que a instabilidade ultrapasse fronteiras e afete rotas comerciais e de energia.
Enquanto isso, a comunidade internacional discute como pressionar o Governo iraniano sem agravar a situação da população. A União Europeia considera ampliar as sanções específicas a membros das forças de segurança, ao passo que a ONU avalia enviar observadores de direitos humanos, proposta rejeitada por Teerã.
Até o momento, não há indicação de que as manifestações estejam perto de terminar. A continuidade dos protestos dependerá, segundo organizações civis, da capacidade das autoridades de amenizar a crise econômica e abrir canais de diálogo. Caso contrário, analistas preveem novas ondas de mobilização e um aumento da pressão externa liderada pelos Estados Unidos.





