Uma turista de 36 anos foi mordida por um tubarão na manhã de sexta-feira (9) enquanto praticava mergulho livre na região do Porto de Santo Antônio, em Fernando de Noronha (PE). Identificada como a advogada paulistana Tayane Cachoeira Dalazen, a vítima sofreu ferimentos leves na perna, recebeu atendimento no Hospital São Lucas e teve alta no mesmo dia.
Ataque ocorreu em ponto frequentado por visitantes
O Porto de Santo Antônio é um dos locais mais procurados por visitantes que desejam observar a fauna marinha do arquipélago, incluindo diferentes espécies de tubarões. Segundo relato da própria advogada, ela estava acompanhada por um guia local e flutuava com o equipamento de snorkel quando o animal avançou.
Tayane afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que não havia sangue nem restos de alimento na água, condições que costumam atrair tubarões. De acordo com ela, o grupo mantinha movimentos lentos quando o ataque ocorreu. A turista acrescentou ainda que, instantes antes da mordida, outro guia — que acompanhava um grupo diferente — teria batido na cabeça de um tubarão usando uma câmera subaquática.
Após o incidente, a vítima foi retirada da água e conduzida de barco até a praia, onde recebeu os primeiros socorros. Em seguida, foi encaminhada ao Hospital São Lucas. A unidade confirmou que a paciente deu entrada consciente, apresentando ferimento superficial na perna, sem risco de hemorragia ou outras complicações. Depois de avaliação médica, limpeza da lesão e curativo, ela foi liberada para repouso.
Protocolo de incidentes ativado pelas autoridades
O Hospital São Lucas informou que acionou imediatamente o protocolo padrão para ocorrências envolvendo animais marinhos. Entre os órgãos comunicados estão o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Ambiental, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Comitê de Monitoramento de Incidentes com Tubarões. Essas entidades trabalham de forma integrada na investigação das circunstâncias do ataque e na adoção de medidas preventivas.
Equipes de monitoramento mantêm vigilância constante na área para identificar alterações no comportamento dos animais e orientar operadores de turismo. Caso sejam detectados riscos adicionais, podem ser implementadas restrições temporárias ao mergulho ou à presença de embarcações.
Especialistas lembram que Fernando de Noronha é território de proteção ambiental, onde os tubarões cumprem papel fundamental no equilíbrio do ecossistema marinho. Por esse motivo, o contato com visitantes exige o cumprimento rigoroso de normas de segurança, como evitar o uso de objetos brilhantes, não descartar alimentos na água e seguir as orientações dos guias credenciados.
Recomendações para quem pratica mergulho na ilha
Autoridades locais reforçaram recomendações já conhecidas pelos visitantes:
Imagem: Internet
• Apenas mergulhar em grupos acompanhados por profissionais habilitados;
• Manter distância segura de qualquer animal marinho;
• Não tocar, alimentar ou tentar espantar peixes e tubarões;
• Evitar movimentos bruscos e objetos que produzam reflexo;
• Obedecer a sinalizações e eventuais restrições temporárias de acesso.
Dados compilados pelo Comitê de Monitoramento indicam que ataques de tubarão em Fernando de Noronha são raros. A maior parte dos incidentes registrados apresenta gravidade baixa, resultado atribuído à pronta resposta das equipes de resgate e aos protocolos aplicados pelas autoridades ambientais.
Turista passa bem e segue em recuperação
Em depoimento divulgado nas redes sociais, Tayane agradeceu o atendimento recebido e informou que pretende concluir a viagem conforme a programação inicial, respeitando a orientação de repouso parcial. Ela classificou o ocorrido como “evento isolado” e destacou que não pretende acionar medidas judiciais.
Enquanto aguarda a conclusão da análise técnica sobre o episódio, o ICMBio segue recolhendo depoimentos de testemunhas e imagens gravadas por turistas. O objetivo é determinar se houve comportamento atípico do animal ou eventual estímulo externo, como a suposta batida com a câmera mencionada pela vítima.
As investigações devem apontar ainda se serão necessárias modificações nas rotas de mergulho, no limite de visitantes ou em práticas adotadas por guias. Caso se confirmem falhas de conduta, operadores podem ser advertidos ou sofrer sanções conforme as normas vigentes para unidades de conservação federal.
O arquipélago de Fernando de Noronha, situado a 545 km do Recife, recebe em média 100 mil turistas por ano. Além das praias, a observação de tubarões é uma das principais atrações, motivo pelo qual autoridades e concessionárias de serviços turísticos mantêm ações constantes de educação ambiental para reduzir conflitos entre humanos e fauna marinha.





