Buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão mobilizam 500 agentes e completam nove dias

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A operação que procura os irmãos Ágatha Isabelly Reis Lago, 6 anos, e Allan Michael Reis Lago, 4 anos, chegou ao nono dia nesta segunda-feira (12) sem indícios do paradeiro das crianças. Eles desapareceram em 4 de fevereiro, quando saíram para brincar na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal, a cerca de 240 km de São Luís.

Força-tarefa amplia área de varredura

Mais de 500 profissionais das polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Cosar (Comando de Operações e Sobrevivência em Área Rural), CTA (Centro Tático Aéreo) e Exército participam da busca. O efetivo atua em conjunto com dezenas de voluntários da região, cobrindo matas, pastagens, açudes e riachos.

O perímetro inicial de 15 km² foi expandido nos últimos dias para incluir novos pontos considerados estratégicos. A vegetação predominante é de palmeiras, com trechos abertos de pasto que alternam com áreas alagadas, o que dificulta a progressão das equipes terrestres.

No sábado, militares do 24º Batalhão de Infantaria de Selva passaram a integrar a força-tarefa. Aeronaves monitoram a região diariamente, enquanto drones convencionais e térmicos realizam sobrevoos noturnos para identificar fontes de calor e possíveis deslocamentos humanos. Em terra, cães farejadores percorrem trilhas usadas por moradores e carroceiros.

Resgate do primo ajuda a definir rotas

As crianças estavam acompanhadas do primo Anderson Kauan Barbosa Reis, 8 anos, localizado na quarta-feira (7) a cerca de quatro quilómetros do ponto em que o trio foi visto pela última vez. Enfraquecido e com escoriações, o menino foi socorrido por carroceiros, levado ao Hospital Geral de Bacabal e permanece internado sob observação. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, ele recebe apoio psicológico e social do departamento de perícia estadual.

Relatos de Anderson Kauan orientam a definição de novas trilhas a investigar, mas as autoridades não divulgaram detalhes para não comprometer a estratégia. Peças de roupa encontradas no domingo (11) chegaram a ser analisadas, porém a polícia confirmou que não pertencem às crianças desaparecidas.

Bases de apoio garantem logística 24 horas

Duas estruturas fixas funcionam como postos avançados: uma em São Sebastião dos Pretos e outra na comunidade Santa Rosa, próxima ao local onde o primo foi encontrado. Esses pontos concentram alimentação, água, refrigerantes e alojamento para equipes, além de geradores que mantêm freezers e equipamentos de comunicação.

Médicos do Samu permanecem de plantão para atender voluntários e agentes. Macarrão, carne e arroz são servidos em regime de rodízio para sustentar as equipes que se revezam em turnos contínuos. A prefeitura de Bacabal viabiliza parte da logística e coordena doações de moradores.

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Imagem: Internet

Recompensa incentiva denúncias

O prefeito Roberto Costa (MDB) anunciou recompensa de R$ 20 mil para qualquer pessoa que forneça informações concretas capazes de levar ao paradeiro dos irmãos. Denúncias podem ser encaminhadas à Polícia Civil de forma sigilosa.

Além das varreduras em mata, investigadores realizam visitas a residências próximas e coletam depoimentos de moradores. A linha de investigação oficial não descarta nenhuma hipótese, mas detalhes sobre eventuais suspeitas não foram divulgados.

Estratégia integrada permanece sem prazo para encerrar

Autoridades estaduais afirmam que as buscas continuarão “pelo tempo que for necessário”. O superintendente de Polícia Civil do Interior, que coordena a operação, destacou que o objetivo é “cobrir cada metro quadrado da área mapeada”, combinando tecnologia aérea, rastreamento canino e trabalho humano.

A previsão de chuvas para os próximos dias pode dificultar a visibilidade aérea e aumentar o nível de riachos, mas o Corpo de Bombeiros informou que dispõe de equipes especializadas em resgate em áreas alagadas, prontas para atuar se as condições climáticas se agravarem.

Até o momento, não há indicação de que as crianças tenham deixado a zona rural de Bacabal. A Polícia Civil mantém contato permanente com hospitais, postos de saúde e conselhos tutelares de municípios vizinhos para verificar qualquer entrada que possa estar relacionada ao caso.

A operação segue em curso, com equipes reforçando varreduras ao amanhecer e prolongando os turnos noturnos com o auxílio de drones térmicos e refletores portáteis.

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