O longa-metragem brasileiro “O Agente Secreto” venceu, na noite de domingo (11), dois troféus na 83.ª edição do Globo de Ouro, realizada em Los Angeles, Estados Unidos. A produção dirigida por Kleber Mendonça Filho foi eleita Melhor Filme em Língua Não Inglesa, enquanto Wagner Moura recebeu o prémio de Melhor Ator em Filme de Drama. É a primeira vez que o Brasil conquista duas categorias na mesma cerimónia da tradicional premiação da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood.
Reconhecimento inédito para o cinema brasileiro
A dobradinha coloca o filme entre os principais destaques da cerimónia. Segundo a organização do evento, “O Agente Secreto” superou produções de países como Coreia do Sul, Espanha, França e Alemanha na categoria de filme internacional. Wagner Moura, por sua vez, foi reconhecido pela interpretação de um ex-diplomata que revisita a memória política do país durante o período da ditadura.
A produção recebeu investimento de R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e teve parte das filmagens realizada em Recife e Brasília. O enredo, descrito pela equipa como um drama sobre “memória e trauma de geração”, estreou em maio do ano passado no Festival de Cannes, onde também foi exibido fora de competição.
Repercussão imediata de autoridades e personalidades
Minutos após o anúncio, líderes políticos, artistas e profissionais do setor cultural comentaram o feito nas redes sociais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou no X (antigo Twitter) que a “dupla vitória entra para a história do cinema brasileiro” e lembrou a sessão especial do filme realizada em agosto, no Cine Alvorada, com presença de parte do elenco e da equipa técnica.
O deputado federal Guilherme Boulos classificou Wagner Moura como “melhor ator do mundo” e elogiou a postura pública do intérprete. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, escreveu “UAUUUUU” para celebrar o prémio de Melhor Filme Estrangeiro, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que “o Brasil com S está na moda” ao citar a integração do país “na economia, na geopolítica e na cultura”.
Figuras do meio artístico também se manifestaram. A roteirista Rosana Hermann descreveu o discurso de Moura como “lindo” e uma vitória para a cultura nacional. O apresentador Serginho Groisman declarou que “o cinema brasileiro brilha”. Já o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, avaliou a atuação do ator baiano como “forte e emocionante”.
Financiamento público e impacto cultural
A deputada federal Erika Hilton chamou atenção para o investimento público na obra. Em publicação no X, ela ressaltou que os R$ 7,5 milhões aportados pelo FSA representam um valor “pequeno” quando comparado a outras despesas estatais, mas que “movimenta um setor inteiro” ao gerar postos de trabalho e faturamento. Hilton defendeu a continuidade de políticas de incentivo como forma de ampliar a presença brasileira em premiações internacionais.
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Para analistas do mercado audiovisual, o reconhecimento internacional reforça a confiança na diversidade de narrativas produzidas no país. O diretor Kleber Mendonça Filho, que recebeu o troféu ao lado dos produtores, agradeceu à equipa e ressaltou que “o prémio pertence ao cinema brasileiro como um todo”.
Próximos passos da produção
Após o Globo de Ouro, “O Agente Secreto” intensifica a campanha voltada ao Óscar. A obra foi inscrita na categoria de Melhor Filme Internacional da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e aguarda a formação da shortlist, prevista para o fim do mês. Caso avance, será a quinta vez que o Brasil disputará uma vaga final nessa categoria.
A distribuidora confirmou que o filme volta a algumas salas comerciais ainda em janeiro, com sessões especiais nas capitais, incluindo cópias legendadas em inglês para atender ao público estrangeiro no circuito de festivais. A versão em streaming tem lançamento global programado para março, em plataforma ainda não divulgada.
Com duas estatuetas conquistadas numa única noite, “O Agente Secreto” consolida-se como um dos maiores êxitos do cinema nacional recente e amplia o debate sobre o papel do financiamento público, da representatividade artística e da projeção internacional do setor.





