Fernando de Noronha (PE), 9 de janeiro de 2026 — A advogada e surfista Tayane Dalazen foi mordida por um tubarão-lixa enquanto praticava snorkel na Praia do Porto, um dos pontos mais visitados do arquipélago pernambucano. O incidente ocorreu na manhã de sexta-feira e mobilizou turistas, pescadores e um guia credenciado que acompanhava o grupo.
Incidente durante o mergulho
Tayane participava de uma atividade conhecida localmente como “nado com tubarões-lixa”, autorizada pelo parque nacional, quando o animal agarrou sua perna direita. Segundo a própria surfista, o grupo nadava em área rasa — com visibilidade até o fundo — e não havia restos de comida ou sangue na água. O condutor da excursão, identificado como Nego Noronha, percebeu a dificuldade da mergulhadora ao notar movimentos bruscos.
Relatos indicam que o tubarão manteve a mandíbula presa à perna de Tayane por alguns segundos. Para soltá-la, o guia desferiu golpes no dorso do animal até que a mordida cessasse. Em seguida, turistas e pescadores que estavam próximos ajudaram a retirá-la do mar e prestaram auxílio inicial na areia.
Imagens gravadas por celulares mostram o momento em que a vítima é amparada na beira da praia. O vídeo, divulgado em redes sociais, não exibe ferimentos aparentes, mas registra o tumulto gerado no local. Autoridades ambientais reforçaram que o tubarão-lixa é considerado pouco agressivo, embora possa reagir quando ameaçado ou provocado.
Atendimento médico e estado de saúde
Depois de ser retirada da água, Tayane recebeu os primeiros cuidados de uma amiga cirurgiã que integrava o passeio. Em seguida, foi conduzida de carro ao Hospital São Lucas, única unidade de saúde da ilha. Exames mostraram lesão superficial, limitada ao tecido subcutâneo, sem danos a músculos ou tendões.
Os médicos realizaram limpeza no ferimento, aplicaram dois pontos e ministraram antibiótico profilático, além de vacina antitetânica. A paciente recebeu alta no mesmo dia, com orientação para evitar contato com água salgada nas 48 horas seguintes. Apesar do susto, ela informou que pretende permanecer no arquipélago até o fim das férias.
Pronunciamento nas redes sociais
Horas após deixar o hospital, a surfista publicou nota na qual descreve o episódio e solicita esclarecimentos sobre a conduta do guia. Segundo ela, momentos antes da mordida, o profissional teria usado uma câmara subaquática para golpear um tubarão. “São fatos que merecem ser apurados”, escreveu. A postagem também reforça que nenhuma pessoa do grupo tocou ou alimentou os animais.
O guia envolvido não se manifestou publicamente até o momento. A administração do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha informou que abrirá procedimento interno para analisar as circunstâncias do mergulho e verificar se houve violação das regras de interação com a fauna local.
Imagem: Internet
Contexto e segurança na área
A Praia do Porto é conhecida pela presença frequente de tubarões-lixa, espécie considerada de baixo risco para humanos. Atividades de observação são permitidas, desde que orientadas por profissionais credenciados. O protocolo oficial proíbe contato físico ou alimentação dos animais, além de recomendar distância mínima de dois metros.
Segundo dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o arquipélago registou oito incidentes com tubarões na última década, a maioria classificada como “mordida investigativa” — quando o animal solta a vítima após o primeiro impacto. Especialistas relacionam esses episódios à crescente movimentação de banhistas em áreas onde os tubarões circulam para alimentação ou descanso.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil de Pernambuco abriu boletim circunstanciado para coletar depoimentos da vítima, do guia e de testemunhas. O objetivo é determinar se houve negligência na condução da atividade. Multas administrativas podem ser aplicadas caso se comprove comportamento inadequado que tenha estimulado a aproximação do tubarão.
Além do inquérito policial, o Conselho de Turismo Sustentável de Noronha deve discutir medidas educativas voltadas a visitantes e operadores de mergulho. Entre as ações em análise estão novas placas informativas, aulas obrigatórias de boas práticas para guias e limitação do número de grupos simultâneos na Praia do Porto.
Tayane Dalazen disse apoiar a investigação e reforçou que não pretende processar o parque ou o guia. “Entendo que estávamos no habitat dos animais. Quero apenas que o ocorrido sirva para aprimorar a segurança de futuras atividades”, declarou em mensagem enviada à imprensa.
Até o fechamento desta reportagem, o parque manteve todas as áreas abertas, mas orientou turistas a seguir rigorosamente as normas de convivência com a vida marinha.





