O Rio de Janeiro registou, nesta segunda-feira (12), a temperatura mais alta do verão, alcançando 41,4 °C no bairro de Santa Cruz, zona oeste da capital, segundo o sistema municipal Alerta Rio. O valor superou os 40,1 °C anotados no domingo (11) e ampliou o período de calor intenso que se estende há vários dias sobre a região metropolitana.
Praias cheias e alerta municipal de calor
Com os termômetros acima de 40 °C, banhistas lotaram as praias de Copacabana, Arpoador e Ipanema, impulsionados pela permanência de turistas após as festas de fim de ano. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) liberou 20 pontos de banho na capital, favorecendo o movimento nas areias.
O município mantém o Nível de Calor 3, classificação que indica máximas entre 36 °C e 40 °C por pelo menos três dias consecutivos. Caso a marca suba ao Nível 4, eventos ao ar livre e aulas podem ser suspensos. Paralelamente, o governo estadual iniciou a distribuição de água potável para trabalhadores e pessoas em situação de rua em locais de grande circulação.
Transporte público reduzido agrava deslocamentos
Enquanto o calor se intensificava, duas das principais viações que operam linhas entre o centro e a zona sul—Real Auto Ônibus e Vila Isabel—mantiveram a maior parte da frota nas garagens por suposta falta de combustível, colocando apenas 57 veículos nas ruas. Passageiros enfrentaram longas filas em pontos pouco arborizados de bairros como Tijuca, Centro e avenida Brasil, recorrendo à sombra de postes ou guarda-chuvas para se proteger.
No Terminal Gentileza, local de integração de moradores da Baixada Fluminense com destino às áreas centrais, o tempo de espera chegou a uma hora. Relatos de passageiros apontam desconforto dentro dos coletivos que circularam: ar-condicionado ineficiente, janelas lacradas e superlotação. Entre 1.º e 11 de janeiro, a rede estadual de saúde contabilizou 1.597 atendimentos relacionados a problemas causados pelas altas temperaturas.
Diante da recorrente falta de refrigeração, a prefeitura informou ter descontado R$ 33,7 milhões em subsídios de empresas de ônibus entre julho do ano passado e janeiro deste ano. Sensores térmicos instalados nos veículos monitoram a temperatura interna em tempo real; a orientação oficial determina que o interior dos ônibus opere até 8 °C abaixo da temperatura externa. Empresas que descumprem a regra são multadas.
Imagem: Internet
Consequências no comércio e no cotidiano
A onda de calor também afetou o fornecimento de energia em trechos da cidade. Na rua Conde de Bonfim, na Tijuca, um quarteirão ficou sem eletricidade durante a tarde, levando lojistas a buscar ar-condicionado em estabelecimentos vizinhos. Para driblar a paralisação do transporte coletivo, alguns passageiros optaram por dividir carros de aplicativos, pagando mais para circular com refrigeração adequada.
Registos oficiais de temperatura
Além da marca de 41,4 °C em Santa Cruz, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registou 40,8 °C na Vila Militar, também na zona oeste, e 41 °C em Seropédica, na Baixada Fluminense. Os valores confirmam a persistência de uma massa de ar quente sobre a região.
Previsão indica alívio temporário
A meteorologia aponta possibilidade de chuva isolada na tarde e noite de terça-feira (13), com mínimas de 22 °C e máximas de 39 °C. Na quarta-feira (14), a máxima prevista cai para 36 °C, mas os termômetros devem voltar a subir na quinta-feira (15), podendo atingir 37 °C. Mesmo com a ligeira queda a meio da semana, a orientação das autoridades permanece: hidratar-se, evitar exposição prolongada ao sol e procurar locais ventilados.
Enquanto a cidade convive com temperaturas extremas, a combinação de praias lotadas, falhas no transporte público e restrições energéticas evidencia a vulnerabilidade da infraestrutura urbana em dias de calor recorde.





