A NASA decidiu encurtar a permanência da missão Crew-11 na Estação Espacial Internacional (ISS) e iniciar o retorno à Terra na noite desta quarta-feira, 14 de fevereiro. A medida foi tomada após um dos quatro integrantes apresentar um problema médico classificado pela agência como sério, mas estável. Por questões de privacidade, o nome do astronauta e detalhes sobre o quadro clínico não foram divulgados.
Cronograma de retorno
O desacoplamento da cápsula Dragon, construída e operada pela SpaceX, está previsto para as 19h05 (hora de Brasília). A nave deve realizar uma sequência de queimas de propulsor para deixar a órbita da ISS e, em seguida, iniciar a trajetória de reentrada na atmosfera. O pouso controlado no oceano, com apoio de paraquedas, deverá ocorrer às 5h40 de quinta-feira (15) na costa da Califórnia, Estados Unidos.
A prática de antecipar a conclusão de uma missão tripulada é incomum. Segundo a NASA, esta é a primeira vez em 25 anos de ocupação contínua da estação que o calendário é revisto por motivo médico. James Polk, diretor de saúde e desempenho humano da agência, afirmou que o diagnóstico completo exige recursos indisponíveis no laboratório orbital, apesar dos equipamentos de emergência a bordo. “Há riscos em manter esse astronauta na ISS sem esclarecimento total do problema”, explicou.
Tripulação e situação na ISS
Formada em agosto de 2023, a Crew-11 conta com os norte-americanos Zena Cardman e Mike Fincke, o japonês Kimiya Yui e o russo Oleg Platonov. O quarteto deveria permanecer no espaço até maio, cumprindo pesquisas em áreas como fisiologia humana, ciências de materiais e observação da Terra. A alteração de plano cancelou inclusive uma caminhada espacial de 6,5 horas que Fincke e Cardman realizariam na quinta-feira passada para instalar novos equipamentos no exterior do módulo.
Na terça-feira (13), Fincke transferiu formalmente o comando da estação para o cosmonauta russo Sergei Kud-Sverchkov, procedimento padrão sempre que ocorre troca de tripulação principal. Além de Kud-Sverchkov, permanecem em órbita o também russo Sergei Mikaev e o norte-americano Chris Williams. O trio vai manter as operações científicas essenciais até a chegada da próxima missão.
Chegada da Crew-12
Para evitar lacunas de pessoal, a NASA analisa antecipar o lançamento da Crew-12, originalmente marcado para 15 de fevereiro. O voo utilizará um foguete Falcon 9, igualmente da SpaceX, a partir do Cabo Canaveral, Flórida. A nova equipe será composta pelos norte-americanos Jessica Meir e Jack Hathaway, pela francesa Sophie Adenot, da Agência Espacial Europeia (ESA), e pelo russo Andrey Fedyaev. O planejamento prevê estadia de aproximadamente nove meses na ISS.
Procedimentos médicos e protocolos de segurança
A bordo da estação, os astronautas dispõem de um conjunto de equipamentos médicos de suporte básico e de telemedicina, suficiente para estabilizar condições de saúde até a chegada de ajuda terrestre ou retorno de emergência. No caso atual, os médicos em Houston avaliaram que as incertezas sobre o diagnóstico superavam os riscos de uma reentrada antecipada. A cápsula Dragon é projetada para transportar a tripulação de volta a qualquer momento, desde que as condições meteorológicas no ponto de pouso sejam favoráveis.
Imagem: Internet
Após o resgate no mar, equipes especializadas devem conduzir o integrante com problema de saúde a um centro médico na Califórnia para exames detalhados. Os demais tripulantes também passarão por avaliações rotineiras pós-voo, que incluem análises de sangue, exames de visão e testes de equilíbrio, procedimentos padronizados após longos períodos em microgravidade.
Impactos no programa de pesquisa
A interrupção temporária reduz a quantidade de experiência científica prevista para o primeiro trimestre do ano, mas não compromete experimentos em andamento que exigem monitorização prolongada. Segundo a NASA, a maior parte dos estudos em curso pode ser conduzida pela tripulação reduzida ou operada remotamente pelo centro de controle em Houston.
Até o momento, não há indício de que o problema de saúde tenha relação com atividades realizadas no laboratório espacial. Os dados coletados durante a investigação médica serão analisados para aprimorar protocolos futuros, reforçando a política da agência de colocar o bem-estar da tripulação acima de metas programáticas.
Com a partida antecipada, a Crew-11 encerrará cerca de seis meses de trabalho em microgravidade, período que incluiu mais de 200 experimentos em biologia, tecnologia de exploração e observação climática. A missão também participou de testes de rotina nos sistemas de suporte à vida e na estrutura externa da estação, contribuindo para a manutenção de longo prazo do complexo orbital.
O retorno seguro dos quatro astronautas marca o primeiro grande desafio operacional da ISS em 2024 e reforça a importância de estratégias flexíveis para responder a eventos médicos inesperados no espaço.





