O Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) confirmou nove mortes por afogamento no litoral de São Paulo no fim de semana. As ocorrências foram registadas em Praia Grande, Itanhaém, Guarujá e Mongaguá, envolvendo vítimas de 14 a 67 anos.
Mortes concentradas em quatro cidades
Em Praia Grande, equipes de salvamento receberam vários chamados entre sábado e domingo. Em Itanhaém e Mongaguá, os guarda-vidas também atuaram em situações de resgate, mas não conseguiram reverter o quadro das vítimas. Em Guarujá, um dos casos ganhou destaque pela operação de apoio aéreo: um homem de 67 anos foi avistado em dificuldades na Praia do Tombo por volta das 14h de domingo (11). O helicóptero dos bombeiros foi acionado, e a vítima foi retirada inconsciente da água. Durante 15 minutos, profissionais tentaram reanimação na areia; a morte foi confirmada às 14h44.
Os nove óbitos elevaram para 30 o número de afogamentos fatais registados na costa paulista desde 1.º de janeiro, segundo balanço atualizado do GBMar. O órgão mantém equipes distribuídas nos principais pontos turísticos, mas reforça que a colaboração dos banhistas é decisiva para reduzir estatísticas.
Entenda o risco das correntes de retorno
De acordo com os bombeiros, muitos incidentes estão ligados às correntes de retorno, fluxo de água que se forma quando as ondas quebram na faixa de areia e depois retornam para o mar. Em condições normais, esse movimento é fraco; porém, mudanças súbitas de vento, maré ou relevo podem aumentar significativamente a velocidade, arrastando banhistas para áreas profundas.
Visualmente, a corrente costuma parecer uma “clareira” entre as ondas, sem espuma e com água mais lisa. A impressão de tranquilidade engana quem procura locais menos agitados para se banhar. Ao entrar nesse corredor, a pessoa pode ser empurrada a dezenas de metros da costa em poucos segundos.
Recomendações dos bombeiros
Para prevenir novas ocorrências, o GBMar divulga orientações simples:
1. Procure postos de guarda-vidas: nadar em áreas vigiadas permite intervenção rápida em caso de perigo.
2. Observe bandeiras e apitos: sinalização vermelha indica alto risco; ao ouvir apitos, saia imediatamente da água.
3. Evite álcool antes do banho de mar: bebidas reduzem reflexos e percepção de risco.
Imagem: Internet
4. Não faça resgates improvisados: se notar alguém afogando-se, alerte um profissional e mantenha-se em segurança.
5. Caso seja levado por uma corrente: não tente nadar contra o fluxo. Levante os braços para sinalizar socorro e desloque-se lateralmente, pois a faixa da corrente é estreita.
Condições climáticas e lotação das praias
No mesmo fim de semana em que o litoral paulista registou as mortes, o Rio de Janeiro teve temperatura máxima de 41 °C e manteve a cidade em nível de calor 3, protocolarmente acionado quando os termómetros superam 36 °C durante pelo menos três dias consecutivos. Praias cheias, somadas a problemas no transporte público carioca, evidenciam o impacto das ondas de calor sobre a procura por lazer marítimo em todo o Sudeste.
Especialistas avaliam que, em períodos de calor intenso, o fluxo de turistas aumenta e dificulta o trabalho preventivo dos guarda-vidas. O GBMar informa que intensificou o patrulhamento e que agentes utilizam drones, torres de observação e embarcações leves para ampliar o alcance visual ao longo da costa.
Apesar dos recursos, o órgão reforça que a principal barreira contra o afogamento continua a ser a consciência do banhista. Respeitar a sinalização e conhecer o comportamento do mar são atitudes que fazem diferença entre a diversão e o risco.
As nove mortes reacendem o alerta para a necessidade de campanhas educativas permanentes em escolas, meios de comunicação e pontos turísticos. O GBMar estuda parcerias com prefeituras para instalar painéis informativos nas entradas das praias, com instruções em português e inglês sobre correntes de retorno e primeiros socorros.
A temporada de verão prossegue até março, período em que o índice de afogamentos historicamente é maior. Quem for ao litoral deve planear o passeio com antecedência, verificar boletins meteorológicos e, sobretudo, respeitar os limites do próprio corpo e as condições do mar.





