Starlink oferece internet gratuita no Irã após bloqueio governamental

A rede de satélites Starlink, operada pela SpaceX, passou a disponibilizar acesso gratuito à internet no Irã, segundo relatos de ativistas que atuam para manter a comunicação da população com o exterior. A iniciativa surge poucos dias depois de o governo iraniano ter interrompido o serviço de internet em todo o país, numa tentativa de conter a divulgação de protestos.

Ativistas validam funcionamento dos terminais

Mehdi Yahyanejad, ativista iraniano radicado em Los Angeles e envolvido no envio de equipamentos Starlink ao Irã, declarou à Associated Press que o serviço já está ativo e sem custos para os utilizadores. De acordo com ele, terminais recém-instalados dentro do território iraniano foram testados e confirmaram a conexão plena à rede mundial.

Outros grupos de defesa dos direitos humanos também relataram, nas redes sociais, que a assinatura foi liberada. Yahyanejad afirmou ter obtido confirmação independente de que os dispositivos funcionam normalmente, apesar das restrições impostas pelas autoridades locais. Até o momento, a SpaceX não divulgou nota oficial sobre a gratuidade nem sobre possíveis ajustes na constelação de satélites para atender a região.

Corte de internet intensificou crise de informação

O governo iraniano suspendeu o acesso à internet na noite de quinta-feira passada, após a ampliação das manifestações que se iniciaram em 28 de dezembro. Sem conectividade, verificações independentes sobre a dimensão dos protestos tornaram-se limitadas, embora moradores tenham conseguido restabelecer chamadas internacionais nos dias seguintes.

As manifestações começaram em Teerã, impulsionadas por comerciantes e setores afetados pela desvalorização do rial e pela inflação de 42% ao ano. Em poucas semanas, os protestos alcançaram mais de 100 cidades. Segundo a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HRANA), ao menos 2.571 pessoas morreram, das quais 2.403 eram manifestantes e 147 tinham vínculo com o governo. A entidade indica ainda a morte de 12 crianças e mais de 18.100 detenções.

Inicialmente, as autoridades reagiram com cautela, mas a repressão ganhou força depois que líderes do regime classificaram os manifestantes como terroristas ligados aos Estados Unidos e a Israel. Há relatos de condenações à morte de pessoas envolvidas nos atos, e a HRANA comunicou a primeira execução de um detido.

Casa Branca acompanha situação

No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que pretende conversar com Elon Musk sobre o reposicionamento de satélites Starlink para garantir o fluxo de informações no Irã. Em pronunciamento, Trump afirmou ter suspendido qualquer diálogo direto com Teerã e prometeu que “a ajuda está a caminho”, encorajando os manifestantes a “tomarem as instituições”.

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Imagem: Internet

A combinação de sanções internacionais, flutuação cambial e bloqueio da internet agravou o clima de instabilidade económica e social no país. O rial perdeu cerca de 69% do seu valor frente ao dólar no último ano, num cenário já pressionado por restrições impostas pelos Estados Unidos e pela ONU devido ao programa nuclear iraniano.

Starlink torna-se alternativa emergencial

Com o serviço terrestre suspenso, os terminais satelitais representam uma das poucas rotas disponíveis para que iranianos acessem plataformas de comunicação e redes sociais. A cobertura oferecida pela Starlink dispensa infraestrutura local e contorna bloqueios regionais, pois os dados são encaminhados diretamente ao satélite antes de chegar a estações em solo estrangeiro.

Embora a iniciativa atenda a uma necessidade imediata de conectividade, especialistas lembram que o fornecimento de terminais continua limitado. O transporte de equipamentos para dentro do Irã depende de redes de voluntários, e o risco de apreensão pelos serviços de segurança permanece elevado.

Até que a cobertura terrestre seja restabelecida, a Starlink deverá assumir papel central na comunicação entre a população iraniana e o exterior. A extensão da gratuidade, bem como eventuais medidas de retaliação por parte do governo local, ainda não têm cronograma definido.

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