Curitiba, 14 de janeiro de 2026 — A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deteve cinco pessoas, entre elas dois policiais militares da ativa, durante a Operação Focinheira. Os suspeitos são apontados como integrantes do grupo que roubou cerca de R$ 15 milhões em diamantes em Londrina, norte do estado, em 18 de novembro de 2024.
Mandados cumpridos no Paraná e em São Paulo
Duas equipes da PCPR cumpriram 15 mandados de busca e apreensão em quatro cidades: Londrina e Ibiporã, no Paraná, além de Bauru e São Paulo, no estado paulista. Nas diligências foram recolhidos:
- Armas de fogo e diversas munições;
- Cheques que totalizam R$ 11,6 milhões;
- Documentos considerados relevantes para o inquérito.
Os investigados foram encaminhados à Delegacia de Furtos e Roubos de Londrina, onde permanecem à disposição da Justiça. Os mandados de prisão preventiva foram expedidos com base nos indícios reunidos ao longo de pouco mais de um ano de investigação.
Detalhes do assalto e divisão de tarefas
Segundo o delegado Mozart Rocha Gonçalves, responsável pelo caso, o crime foi executado por quatro homens armados que se identificaram como policiais e abordaram um veículo que havia saído de São Paulo com destino a Londrina. A carga de diamantes estava escondida no interior do automóvel. Para realizar o assalto, o grupo utilizou um carro preto para bloquear a via e surpreender as vítimas.
A apuração identificou ao todo oito envolvidos, com papéis definidos:
- Quatro executores — responsáveis pela abordagem armada e pelo sequestro do veículo;
- Um intermediário — acusado de atrair as vítimas e negociar a compra das pedras preciosas;
- Um apoio logístico — encarregado de coordenar a fuga e prover orientações em tempo real;
- Duas proprietárias de um estabelecimento comercial — teriam cedido o local para abrigar os executores antes e depois do roubo.
De acordo com Gonçalves, as prisões realizadas nesta quarta-feira atingem integrantes de diferentes níveis da organização, mas as buscas continuam para localizar os demais suspeitos e recuperar a totalidade das joias.
Posicionamento da Polícia Militar do Paraná
Com a prisão de dois policiais militares em serviço, a Polícia Militar do Paraná (PMPR) divulgou nota oficial informando que instaurou procedimento administrativo para apurar as condutas. A corporação afirmou que adotará as medidas cabíveis “em estrita observância à legislação vigente”, garantindo direito à defesa e ao contraditório aos investigados.
O comunicado também reforça que a instituição “não compactua com quaisquer condutas que afrontem os valores, princípios e normas” da corporação e destaca o compromisso com legalidade, transparência e responsabilidade.
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Linhas investigativas e próximos passos
A Operação Focinheira começou logo após a ocorrência do furto, quando investigadores da PCPR rastrearam imagens de câmeras, registros telefônicos e movimentações financeiras associadas às vítimas e aos suspeitos. A emissão de cheques de alto valor abaixo do preço de mercado das pedras preciosas chamou a atenção dos agentes e levou ao cruzamento com o crime original.
Com as recentes apreensões de armas e cheques, a polícia busca agora rastrear a origem dos valores, identificar possíveis receptadores das joias e esclarecer o destino final dos diamantes. Informações preliminares indicam que parte da carga pode ter sido fracionada e revendida em cidades do interior paulista, mas essa hipótese ainda depende de confirmação pericial.
Contexto regional e impacto econômico
O assalto de novembro de 2024 foi considerado um dos maiores roubos de pedras preciosas já registrados no Paraná. O valor estimado de R$ 15 milhões, calculado a partir da cotação internacional do quilate à época, representa impacto relevante para empresas do setor de joias e para o comércio local de Londrina, polo regional de lapidação e revenda.
Autoridades de segurança salientam que crimes semelhantes, envolvendo interceptações em rodovias e uso de falsas credenciais policiais, vêm crescendo nos últimos anos. O secretário estadual de Segurança Pública, que acompanhou o cumprimento dos mandados, declarou que a operação visa “demonstrar a capacidade do Estado em desarticular grupos especializados e preservar a confiança no sistema de segurança”.
Os cinco detidos responderão por roubo qualificado, associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo e outros delitos correlatos. Se condenados, podem receber penas que ultrapassam 20 anos de prisão. A PCPR mantém aberto um canal de denúncias anónimas para obter informações que levem à localização dos demais envolvidos e ao eventual resgate dos diamantes restantes.





