China restringe entrada do chip Nvidia H200 e aumenta tensão com os EUA

Imagem representando tecnologia e inovação

Autoridades chinesas instruíram agentes alfandegários a impedir a entrada do chip de inteligência artificial H200, da Nvidia, e orientaram empresas de tecnologia locais a não adquirir o componente “a menos que seja indispensável”, relataram três fontes com conhecimento direto do tema.

Orientações rígidas nos pontos de entrada

As diretrizes chegaram aos postos aduaneiros nesta semana. Segundo as fontes, a linguagem utilizada pelos funcionários públicos foi “tão severa” que, na prática, equivale a uma proibição, embora não haja confirmação de que se trate de medida permanente. Até o momento, os órgãos chineses responsáveis, como a Administração Geral de Alfândegas e o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, não comentaram a decisão.

Os informantes afirmam que nenhuma justificativa formal foi apresentada aos importadores. Ficou igualmente indefinido se as restrições afetam pedidos já concluídos ou apenas novas remessas. A Nvidia, que recebeu autorização do governo norte-americano para exportar o H200 à China sob condições específicas, também não se pronunciou publicamente.

Chip estratégico em disputa

O H200 é o segundo processador de IA mais poderoso da Nvidia e oferece desempenho estimado em seis vezes o do modelo H20, liberado anteriormente. O componente é considerado crucial para o treinamento de grandes modelos de linguagem e outras aplicações avançadas. Empresas chinesas teriam encomendado mais de dois milhões de unidades, com preço próximo de US$ 27 mil cada, enquanto o inventário disponível da fabricante não ultrapassaria 700 mil peças.

Apesar dos avanços de fabricantes locais, como a Huawei com o Ascend 910C, analistas ainda apontam o H200 como mais eficiente para operações de larga escala. Para a Nvidia, recuperar acesso ao mercado chinês representaria receitas substanciais, além de gerar arrecadação de 25 % para o governo dos EUA sobre cada venda.

Possíveis exceções e cenário geopolítico

De acordo com o jornal The Information, autoridades de Pequim indicaram que compras poderiam ser aprovadas em “circunstâncias especiais”, principalmente projetos de pesquisa conduzidos em parceria com universidades. As fontes consultadas pela agência Reuters corroboram que isenções para fins acadêmicos estão em análise, mas não há cronograma definido.

Especialistas veem a medida como instrumento de pressão diplomática às vésperas de uma visita do presidente norte-americano, Donald Trump, prevista para abril. Desde 2022, Washington impôs uma série de controles de exportação destinados a limitar o avanço chinês em semicondutores avançados. No ano passado, o governo Trump revogou temporariamente a licença do modelo H20, mais modesto, mas a própria China bloqueou as compras na prática, provocando queda da participação da Nvidia no país “a zero”, segundo o diretor-executivo Jensen Huang.

China restringe entrada do chip Nvidia H200 e aumenta tensão com os EUA - 1 Tecnologia e Inovação

Imagem: 1 Tecnologia e Inovação

Impacto para indústria e governos

Nos Estados Unidos, críticos questionam se a venda do H200 pode fortalecer capacidades militares chinesas e reduzir a liderança tecnológica americana. Parte de assessores da Casa Branca, porém, argumenta que manter a China dependente dos chips da Nvidia retarda o desenvolvimento de alternativas locais, favorecendo a posição dos EUA no médio prazo.

Chris McGuire, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations, avalia que Pequim acredita na elevada demanda norte-americana pelo mercado chinês e, por isso, usa a aprovação de licenças como moeda de troca para obter concessões comerciais ou políticas.

Próximos passos ainda indefinidos

Até que o governo chinês detalhe se a orientação representa banimento permanente ou medida provisória, empresas do setor seguem sem clareza sobre a legalidade de remessas já contratadas. Tampouco foi esclarecido se o governo de Xi Jinping pretende favorecer fabricantes domésticos ou simplesmente ampliar margem de negociação com Washington.

Enquanto isso, investigadores de mercado avaliam o ritmo de adoção de processadores locais e o possível redirecionamento de encomendas da Nvidia para outros países. A incerteza mantém em suspenso investimentos em servidores de IA na China e adiciona novo capítulo à disputa bilateral que molda a cadeia global de semicondutores.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *