Grupos exigem que Apple e Google removam X e Grok por conteúdo sexual ilegal

Uma coligação de organizações feministas, entidades de vigilância tecnológica e movimentos progressistas solicitou nesta quarta-feira (data do envio das cartas) que a Apple e a Alphabet retirem da App Store e da Play Store a rede social X e o chatbot Grok. As entidades acusam as plataformas controladas por Elon Musk de facilitar a geração e a circulação de imagens sexualmente explícitas, degradantes ou violentas envolvendo mulheres e crianças, o que violaria os termos de serviço das duas gigantes tecnológicas.

Cartas abertas pressionam Apple e Google

As exigências foram formalizadas em cartas abertas assinadas por vários grupos, incluindo a organização feminista UltraViolet, a Organização Nacional para as Mulheres (NOW), o movimento liberal MoveOn e o coletivo de defesa dos pais ParentsTogether Action. Nos documentos, os signatários afirmam que a Apple e o Google “têm responsabilidade direta” por permitir que aplicações consideradas nocivas permaneçam disponíveis nas respetivas lojas.

Jenna Sherman, diretora de campanha da UltraViolet, declarou à agência Reuters que as empresas de Cupertino e Mountain View “estão a viabilizar um sistema no qual milhares de pessoas, sobretudo mulheres e crianças, são expostas a abusos sexuais”. Segundo Sherman, a retirada imediata dos aplicativos seria a única resposta compatível com as políticas de segurança anunciadas publicamente pelas duas multinacionais.

O alerta ganhou força após a divulgação de casos em que o Grok produziu imagens hiper-realistas de menores e de mulheres em situações sexualmente explícitas ou violentas. O material teria começado a circular na virada do ano, intensificando a cobrança de medidas regulatórias nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.

Reações das empresas e impacto internacional

A rede social X não respondeu aos pedidos de comentário sobre as cartas. Já a xAI, empresa de inteligência artificial responsável pelo Grok, limitou-se a classificar as denúncias como “mentiras da mídia tradicional”. A Apple e o Google também não se pronunciaram até o momento, apesar das solicitações de esclarecimento enviadas pela imprensa.

Enquanto a pressão cresce, alguns governos adotam restrições formais. Malásia e Indonésia já proibiram o Grok, citando violações de normas locais sobre conteúdo obsceno. Na Europa e no Reino Unido, autoridades de proteção de dados anunciaram investigações ou exigiram explicações a respeito das políticas de moderação da plataforma.

A repercussão afeta igualmente organizações que mantinham contas ativas no X. Na terça-feira anterior à publicação das cartas, a Federação Americana de Professores comunicou a saída da rede social depois de constatar a presença de imagens consideradas indecentes envolvendo crianças. Segundo o sindicato, a permanência na plataforma seria incompatível com o compromisso de proteção de menores.

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Imagem: NewsUp Brasil

Ajustes no chatbot não eliminam controvérsia

Diante das críticas, a X alterou o funcionamento do Grok para impedir que imagens geradas ou editadas pelo chatbot sejam partilhadas publicamente na linha do tempo. Porém, um teste realizado pela Reuters na mesma semana mostrou que, mediante solicitação, o sistema continuava a produzir versões de fotografias de pessoas de biquíni, levantando dúvidas sobre a efetividade das novas barreiras.

A coligação responsável pelas cartas argumenta que tais ajustes são insuficientes e que a presença do aplicativo nas lojas oficiais confere “legitimidade injustificada” a uma ferramenta capaz de promover abuso sexual infantil. As organizações questionam ainda se a Apple e o Google aplicam os seus próprios padrões de forma consistente, lembrando que ambas pregam tolerância zero a conteúdos que explorem menores.

Próximos passos e possíveis consequências

Embora não haja prazo definido para uma resposta das duas gigantes tecnológicas, observadores do setor avaliam que o histórico de remoções de aplicativos por violação de políticas internas pode servir de precedente. Em casos anteriores, ambas as empresas retiraram softwares que divulgavam discurso de ódio ou facilitavam o abuso de dados pessoais.

Se a Apple e o Google optarem pela retirada do X e do Grok, a decisão representará um golpe significativo na estratégia de expansão da xAI e poderá intensificar o debate sobre a responsabilidade das lojas de aplicativos na contenção de danos associados à inteligência artificial generativa. Por outro lado, a manutenção dos aplicativos, sem alterações substanciais, tende a ampliar o escrutínio regulatório e a pressão de investidores, anunciantes e organizações da sociedade civil.

Enquanto o impasse persiste, os grupos signatários afirmam que continuarão a mobilizar-se para denunciar o que classificam como falhas graves de moderação e para exigir transparência sobre os mecanismos de prevenção de abuso sexual. A evolução do caso deve influenciar futuras discussões sobre a necessidade de regras mais rígidas para a disponibilização de ferramentas de IA em plataformas de grande alcance.

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