A Oracle tornou-se alvo de uma ação coletiva apresentada no tribunal federal de Manhattan por detentores de títulos que alegam ter sofrido perdas depois de a empresa recorrer a novo financiamento para construir centros de dados voltados à inteligência artificial. O processo foi protocolado na quarta-feira, 14 de janeiro, e envolve investidores que adquiriram US$18 mil milhões em notas emitidas em 25 de setembro, poucas semanas após a companhia anunciar um contrato de cinco anos, estimado em US$300 mil milhões, para fornecer capacidade de processamento à OpenAI.
Processo alega omissão sobre necessidade de capital extra
Os autores da ação sustentam que a Oracle, o presidente do conselho Larry Ellison, a ex-diretora-executiva Safra Catz e a diretora de contabilidade Maria Smith omitiram informações relevantes nos documentos de oferta que acompanharam a emissão de setembro. Segundo os demandantes, a administração não revelou que seria preciso obter um financiamento adicional “significativo” para atender às exigências do contrato com a OpenAI.
No centro da queixa está a decisão da Oracle de regressar ao mercado apenas sete semanas depois da primeira captação, desta vez para angariar US$38 mil milhões em empréstimos. De acordo com o processo, esse movimento surpreendeu os investidores e sinalizou um risco de crédito maior do que o indicado inicialmente, levando a uma queda no preço dos títulos e a uma alta nos rendimentos.
Impacto imediato nos títulos de dívida
Os demandantes afirmam que “a reação do mercado de títulos à dívida adicional da Oracle foi rápida”. Com a notícia do novo endividamento, os papéis passaram a ser negociados com desconto, refletindo incertezas sobre a capacidade da companhia de manter a alavancagem sob controlo enquanto financia a expansão de sua infraestrutura de IA.
Embora a ação não especifique o valor dos prejuízos, os investidores buscam compensação por supostos danos causados por declarações “falsas e enganosas”. Eles argumentam que, se soubessem da necessidade de um financiamento tão volumoso, teriam avaliado o risco de forma diferente ou exigido melhores condições.
Contrato com a OpenAI e necessidade de dois novos data centers
Em 11 de setembro, a Oracle divulgou publicamente um acordo de cinco anos que a compromete a fornecer serviços de computação em nuvem à OpenAI. Para dar suporte ao projeto, seriam construídos dois centros de dados de grande porte, exigindo investimentos que superam os recursos obtidos com a emissão de setembro.
Na visão dos autores da ação, a Oracle já tinha conhecimento do montante adicional necessário antes da primeira oferta de títulos, mas optou por não o revelar para evitar uma reação adversa no mercado. Essa suposta omissão fundamenta as acusações de violação das leis federais de valores mobiliários.
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Empresas e executivos citados na queixa
A lista de réus inclui a Oracle Corporation, o fundador e presidente executivo Larry Ellison, a ex-CEO Safra Catz — que deixou o cargo recentemente — e a diretora de contabilidade Maria Smith. Todos são apontados como responsáveis solidários pelas declarações contidas no prospecto da emissão de US$18 mil milhões.
Até o momento, a Oracle não se pronunciou sobre a ação. A companhia tem o direito de apresentar defesa, podendo contestar as alegações ou tentar acordo com os queixosos.
Próximos passos judiciais
O processo segue em fase inicial. O tribunal deverá primeiro decidir sobre a certificação da classe, isto é, se o grupo de investidores pode litigar conjuntamente. Caso seja aprovada, a disputa avançará para a coleta de provas, audiências e eventual julgamento, salvo composição amigável.
Analistas jurídicos observam que ações desse tipo, baseadas em alegações de omissão de informações relevantes em ofertas de títulos, costumam levar anos até uma resolução definitiva. Durante esse período, a Oracle poderá enfrentar escrutínio adicional sobre a sua estratégia de financiamento e a execução do contrato com a OpenAI.
Enquanto isso, o mercado acompanha de perto os próximos passos da empresa na expansão de sua infraestrutura de inteligência artificial, setor que exige investimentos elevados e tem atraído forte concorrência de gigantes como Microsoft, Google e Amazon.





