Toffoli remete provas do caso Banco Master à PGR e mantém aparelhos isolados

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todo o material apreendido na nova fase da Operação Compliance Zero, voltada ao Banco Master, seja enviado imediatamente à Procuradoria-Geral da República (PGR) para extração e avaliação das provas. A medida foi assinada nesta quarta-feira (14) e atende a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Material seguirá para análise da PGR

Na decisão, Toffoli revogou a orientação anterior que mantinha a guarda dos itens no STF e autorizou a remessa integral dos documentos, aparelhos eletrônicos e demais objetos confiscados. O ministro justificou que o titular da ação penal precisa ter acesso direto às evidências para formar juízo sobre autoria e materialidade dos crimes investigados.

Os equipamentos recolhidos permanecerão desconectados de redes de telefonia e internet até a realização da perícia. O objetivo é preservar a integridade dos dados e impedir qualquer manipulação. Segundo o despacho, a medida assegura “a adequada formação da opinião ministerial” e garante que a PGR tenha “visão sistêmica” dos ilícitos apurados.

Operação bloqueia R$ 5,7 bilhões e prende cunhado do dono do banco

A fase mais recente da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã de quarta-feira. Os agentes cumpriram 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal. A Justiça decretou ainda o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores vinculados aos suspeitos.

Entre os alvos, a PF prendeu temporariamente Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Mandados de busca também foram executados contra o empresário Nelson Tanure, responsável por fundos ligados à instituição, e contra João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos.

Os investigadores apontam indícios de que os envolvidos desviavam recursos do sistema financeiro para fins pessoais, utilizando fundos de investimento como instrumento de gestão fraudulenta e branqueamento de capitais. Além de dinheiro vivo — mais de R$ 90 mil em espécie —, a PF apreendeu veículos de luxo, joias e outros itens de alto valor.

Alcance ampliado da apuração no STF

Ao justificar o envio das provas à PGR, Toffoli ressaltou que o inquérito conduzido no Supremo possui escopo mais amplo do que etapas anteriores. De acordo com o ministro, as informações recolhidas indicam que fundos de investimento eram operados para desviar valores, mascarar transações e explorar vulnerabilidades do mercado de capitais e dos mecanismos de fiscalização.

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Imagem: ultima notícia

A análise centralizada na PGR deverá, segundo o despacho, permitir avaliação completa das provas e eventual responsabilização penal dos investigados. O Ministério Público Federal é o órgão competente para propor ação penal em casos que envolvem autoridades com foro no STF ou crimes de maior complexidade.

Situação de Daniel Vorcaro

Controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro foi preso em novembro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior em aeronave particular. Pouco depois, a Justiça substituiu a prisão preventiva por domiciliar. Mesmo em casa, Vorcaro segue alvo das investigações que agora se concentram na suposta estrutura de lavagem de dinheiro e apropriação de recursos do banco.

A defesa do empresário não se manifestou sobre a decisão de Toffoli até a última atualização deste texto.

Próximos passos

Com a chegada do material à PGR, peritos do Ministério Público devem iniciar a extração de dados de aparelhos e a revisão de documentos apreendidos. A expectativa é identificar fluxo de capitais, transações suspeitas e a eventual participação de outros agentes financeiros. Se confirmados indícios suficientes, o órgão poderá oferecer denúncia ao STF ou requerer novas diligências.

Não há prazo oficial para conclusão da análise. Entretanto, as medidas cautelares determinadas pela Justiça — bloqueio de bens, prisão temporária e restrição de acesso aos dispositivos — permanecem em vigor enquanto o processo de perícia segue em curso.

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