Dados preliminares do Ministério da Saúde indicam que somente duas vacinas para recém-nascidos atingiram a meta de 95% de cobertura estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 2025. Os números, referentes a doses aplicadas até novembro, mostram avanço pontual, mas confirmam que a maioria dos imunizantes infantis segue abaixo do objetivo previsto.
Duas vacinas alcançam a meta; maioria permanece abaixo de 90%
Entre os imunizantes ofertados no primeiro ano de vida, apenas a BCG, aplicada ao nascer para prevenir formas graves de tuberculose, e a vacina contra hepatite B administrada no primeiro mês de vida superaram o patamar estipulado pelo PNI. A BCG registrou 96,80% de cobertura, ligeiramente inferior aos 98,63% anotados em 2024, enquanto a hepatite B alcançou 95,11%, ante 97% no ano anterior.
Os demais imunizantes para menores de um ano ficaram aquém da meta. A vacina pneumocócica conjugada 10-valente (Pneumo 10) atingiu 92,66%; a meningocócica conjugada, 90,13%; a vacina contra rotavírus, 89,90%; e a poliomielite injetável, 86,60%. Já a DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, chegou a 87,69%, e a pentavalente, que reúne proteção contra cinco doenças, ficou em 87,14%.
Desinformação impacta adesão e Covid-19 apresenta menor índice
A cobertura mais baixa foi observada na vacinação contra a Covid-19 para crianças de até um ano de idade. Apenas 3,49% receberam o esquema dentro do prazo previsto, resultado atribuído principalmente à falta de confiança de parte dos pais, segundo o Ministério da Saúde. O diretor do Departamento do PNI, Eder Gatti, afirma que a disseminação de informações falsas afeta diretamente a procura pelo imunizante.
“Muitos responsáveis acabam perdendo o momento ideal de completar o esquema vacinal das crianças, ou concluem as doses depois que o filho já ultrapassou o primeiro ano de vida”, disse Gatti. O diretor destacou ainda que o Brasil não atinge as metas de cobertura para a maioria das vacinas desde 2014, consequência de falhas de financiamento, problemas de abastecimento e, mais recentemente, desconfiança sobre a eficácia das vacinas.
Cobertura em outras faixas etárias também fica aquém do esperado
Entre crianças de um ano de idade, a primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) chegou a 93,82%, próximo da meta, mas a segunda dose caiu para 78,91%. A varicela (catapora) registrou 78,09%, e o reforço da DTP ficou em 84,98%. A hepatite A infantil atingiu 85,01%, enquanto o reforço da poliomielite injetável chegou a 85,95%. O primeiro reforço da Pneumo 10 alcançou 90,07% e o reforço da meningocócica conjugada somou 91%.
Nos adultos, a vacina dTpa — indicada para gestantes contra difteria, tétano e coqueluche — alcançou cobertura de 84,60%, também abaixo da meta definida pelo PNI.
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Comparação com anos anteriores sugere recuperação parcial
Apesar dos índices ainda distantes do ideal, o Ministério da Saúde observa melhora em relação a 2022, ano marcado por forte queda na adesão durante a pandemia. De acordo com Gatti, os dados preliminares sinalizam recuperação gradual, mas a consolidação depende da inserção completa das informações pelos municípios, o que pode alterar as porcentagens finais.
Em 2025, relatório conjunto da Unicef e da Organização Mundial da Saúde recolocou o Brasil na lista das 20 nações com mais crianças não vacinadas. O país figura na 17ª posição quando considerada a aplicação da primeira dose da DTP. Segundo especialistas, o retorno à lista reforça a necessidade de estratégias de busca ativa e campanhas que combatam a desinformação.
Ministério prepara novos painéis de monitoramento
O PNI trabalha na atualização dos painéis de cobertura de outras faixas etárias, previstos para divulgação ainda este ano. A iniciativa busca fornecer dados em tempo real aos gestores locais e reforçar a transparência sobre o desempenho da vacinação em todo o território nacional.
Nesse contexto, a pasta mantém ações de incentivo, como ampliação de horários em unidades básicas de saúde, parcerias com escolas e campanhas publicitárias. A meta oficial segue fixada em 95% para praticamente todas as vacinas pediátricas, patamar considerado seguro para a proteção coletiva contra doenças evitáveis.
Especialistas em saúde pública alertam que a manutenção de coberturas abaixo desse limite pode facilitar o retorno de enfermidades já controladas, como sarampo e poliomielite. Por isso, o Ministério da Saúde reforça a importância de pais e responsáveis manterem o calendário vacinal em dia, procurando as unidades de saúde para completar os esquemas recomendados.





