Harpia garante liderança latino-americana da Petrobras com 146 PFlops

O supercomputador Harpia, instalado pela Petrobras, estreou na 36ª posição do ranking Top500 e tornou-se o equipamento mais potente em operação na América Latina. Com desempenho de 146 petaflops — o equivalente a 146 quadrilhões de cálculos por segundo —, a máquina reforça a infraestrutura de processamento da estatal e amplia a presença brasileira entre os sistemas de alto desempenho do planeta.

Capacidade comparável a 10 milhões de smartphones

Segundo a Petrobras, o Harpia concentra um poder computacional semelhante ao de aproximadamente 10 milhões de telefones móveis ou 200 mil computadores portáteis. A comparação baseia-se na quantidade média de operações matemáticas que cada dispositivo consegue realizar.

Com peso estimado em 50 toneladas e extensão de 50 metros quando todos os módulos são dispostos em linha reta, o sistema começou a operar em outubro de 2025 e exigiu investimento de R$ 435 milhões. A infraestrutura atua como uma espécie de “ultrassonografia” geológica, gerando imagens sísmicas de grandes áreas para indicar possíveis reservas de petróleo e orientar o planejamento de produção.

“O supercomputador é essencial para localizar novos campos e otimizar a extração”, explica Luiz Rocha Monnerat, consultor master de tecnologia da informação da Petrobras. De acordo com o especialista, a companhia utiliza rotinas de modelagem avançada que dependem de grande poder de processamento para reduzir custos operacionais e aumentar a segurança nas operações offshore.

Brasil avança no Top500 com dez sistemas listados

O novo equipamento da Petrobras elevou para dez o número de supercomputadores brasileiros presentes no Top500. Sete deles pertencem à própria estatal, ocupando as posições 36, 97, 184, 222, 295, 333 e 341. O governo federal mantém o Santos Dumont — administrado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica — na 122ª colocação, enquanto as empresas SiDi e Software Company MBZ aparecem nas posições 382 e 354, respetivamente.

Localizado em Petrópolis (RJ), o Santos Dumont é utilizado pela comunidade científica em projetos que incluem simulações para desenvolvimento de vacinas contra a covid-19 e estudos genômicos. O acesso compartilhado permite que universidades e centros de pesquisa analisem grandes volumes de dados e executem modelos complexos em áreas como climatologia, física de partículas e engenharia.

Uso estratégico de supercomputação

Globalmente, a maior concentração de supercomputadores continua nos Estados Unidos, China, Japão e Europa, regiões que abrigam empresas e instituições empenhadas em resolver desafios de fronteira científica e industrial. No Brasil, a Petrobras figura entre as organizações que mantêm carga de trabalho contínua em supercomputação, sobretudo para incrementar a eficiência na exploração de hidrocarbonetos.

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Imagem: Tecnologia Inovação Notícias

A modelagem sísmica em alta resolução realizada pelo Harpia auxilia na identificação de formações geológicas promissoras, reduz a incerteza na perfuração de poços e contribui para diminuir o impacto ambiental das operações. Além disso, o equipamento é empregue em simulações de escoamento, planejamento de dutos e análise de integridade de estruturas submarinas.

Perspectivas para a próxima década

A chegada do Harpia fortalece o ecossistema brasileiro de computação de alto desempenho e sinaliza a tendência de expansão desse mercado na América Latina. Com a escalada de aplicações em inteligência artificial, modelagem climática e desenvolvimento de novos materiais, especialistas projetam demanda crescente por sistemas capazes de superar a barreira dos exaflops — mil petaflops — nos próximos anos.

No curto prazo, a Petrobras pretende integrar o supercomputador a plataformas de armazenamento de dados sísmicos com vários petabytes, acelerando o processamento de informações coletadas em tempo real. A expectativa é aprimorar decisões operacionais e sustentar metas de produção em campos do pré-sal, onde a profundidade e a complexidade geológica exigem recursos computacionais cada vez mais robustos.

Com o Harpia, o Brasil consolida-se como um dos poucos países fora do eixo Estados Unidos–Ásia–Europa a manter supercomputadores entre os 50 mais poderosos do planeta, reforçando a capacidade nacional de pesquisa, inovação e competitividade energética.

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