Microsoft firma acordo recorde e adquire 2,85 milhões de créditos de carbono agrícolas

A Microsoft assinou um contrato de 12 anos com a Indigo Ag para comprar 2,85 milhões de créditos de carbono gerados por práticas de agricultura regenerativa nos Estados Unidos. O volume é o maior já registrado nesse segmento e reforça a estratégia da empresa de tecnologia para se tornar carbono negativa até 2030, mesmo diante do aumento das emissões associadas à expansão de data centers e ao uso de inteligência artificial.

Escala do negócio e metas da Microsoft

Reconhecida como a maior compradora global de créditos de remoção de carbono, a Microsoft amplia o seu portfólio com a nova operação. Pessoas familiarizadas com o contrato estimam que o preço por tonelada fique entre US$ 60 e US$ 80, intervalo considerado histórico para esse tipo de crédito, o que avalia o acordo entre US$ 171 milhões e US$ 228 milhões.

Ao assumir o compromisso de ser carbono negativa, a empresa pretende retirar da atmosfera mais dióxido de carbono do que emite em todas as suas atividades. O pacote de créditos agrícolas soma-se a outras compras recentes, como a aquisição de 2,6 milhões de créditos da Agoro Carbon em 2023, anteriormente o maior volume individual nesse mercado.

Agricultura regenerativa e geração dos créditos

Os créditos negociados são produzidos por agricultores que adotam práticas regenerativas, entre elas o plantio de culturas de cobertura e o manejo do pasto de forma a elevar a capacidade do solo de capturar carbono e reter água. Cada tonelada de CO2 removida do ar dá origem a um crédito, certificado por organismos independentes.

A Indigo Ag atua na identificação de áreas com potencial de redução de emissões, fornece suporte técnico aos produtores rurais e intermedeia a venda dos créditos. Segundo a diretora sênior de políticas da empresa, Meredith Reisfield, os agricultores recebem 75 % do valor médio ponderado de cada crédito gerado em um determinado ano-safra, criando uma fonte adicional de receita para o setor.

Reação do mercado e questões de integridade

Dados da consultoria Sylvera apontam crescimento na procura por créditos baseados em solo durante 2023, tendência que deve prosseguir à medida que grandes empresas buscam cumprir metas climáticas. Para Reisfield, o acordo com a Microsoft reforça a relevância da remoção de carbono via solo e consolida a reputação da Indigo como fornecedora de créditos “de alta integridade”.

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Imagem: Internet

Especialistas em clima defendem que iniciativas de remoção são essenciais para compensar emissões residuais de setores dependentes de combustíveis fósseis. Críticos, porém, alertam para desafios na medição exata do carbono estocado no solo e na permanência desse sequestro ao longo do tempo, além do risco de que tais projetos sirvam de distração para reduções diretas de emissões.

Próximos passos e impacto esperado

Phillip Goodman, diretor de remoção de carbono da Microsoft, afirma que a abordagem da Indigo oferece “resultados mensuráveis” graças à verificação independente e ao pagamento direto aos produtores. A companhia planeia continuar diversificando suas compras, incluindo soluções naturais e tecnológicas, para garantir que as remoções excedam as emissões provenientes da operação global de data centers, dispositivos e serviços em nuvem.

Com o novo contrato, a Microsoft supera a barreira dos cinco milhões de créditos agrícolas adquiridos em menos de dois anos. A escala das compras sugere um sinal de confiança no potencial da agricultura regenerativa para contribuir de forma relevante na luta contra o aquecimento global, ao mesmo tempo em que cria incentivos financeiros para o meio rural norte-americano.

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