A Nasa definiu o dia 6 de fevereiro de 2026 como data-alvo para o lançamento da missão Artemis 2, primeiro voo tripulado além da órbita terrestre desde 1972. O cronograma ainda pode sofrer ajustes, mas a agência trabalha com uma janela inicial que se estende de 5 a 11 de fevereiro e, se necessário, com novas oportunidades mensais até abril.
Superfoguete SLS entra na fase final de preparação
O lançamento ocorrerá a partir da plataforma 39B, no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, Flórida. Antes disso, o Space Launch System (SLS), de 98 metros, será transferido do Vehicle Assembly Building para a área de disparo. A manobra sinalizará o início de ensaios gerais que incluem abastecimento completo e simulação de contagem regressiva.
O SLS voou pela primeira vez em dezembro de 2022, durante a missão não tripulada Artemis 1. O veículo consumiu US$ 31,6 milhões bilhões em desenvolvimento e tem custo estimado de US$ 2,5 bilhões por lançamento. Construído pela Boeing sob contrato de reembolso de despesas, o projeto utiliza componentes herdados dos antigos ônibus espaciais. O modelo de contratação contrasta com o regime de preço fixo aplicado a empresas como SpaceX e Blue Origin, responsáveis pelos módulos de pouso das futuras expedições.
Tripulação faz história com diversidade inédita
Quatro astronautas integram a missão. O comando ficará com Reid Wiseman; a pilotagem, com Victor Glover; e as funções de especialistas de missão, com Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen. Será a primeira vez que um homem negro, uma mulher e um cidadão não norte-americano viajam para além da órbita baixa da Terra.
Em dezembro de 2023, o grupo realizou a primeira simulação interna na cápsula Orion Integrity, ainda dentro do edifício de montagem. Um segundo ensaio ocorrerá já na plataforma, após o transporte do foguete. Segundo a Nasa, os problemas detectados no escudo térmico durante a reentrada da Artemis 1 foram solucionados. Na ocasião, a nave perdeu lascas da camada protetora, mas amerissou com segurança no Pacífico.
Perfil de voo prioriza segurança
A decolagem colocará a Orion numa órbita elíptica com perigeu de 150 km e apogeu de 2.240 km. Em seguida, o segundo estágio do SLS elevará o apogeu a 73.600 km. Após separação, o módulo de serviço europeu acionará o motor principal para a injeção translunar, manobra que encaminha a cápsula rumo à Lua, a cerca de 390 mil km da Terra.
A trajetória escolhida é de retorno livre. Nessa configuração, a gravidade lunar desvia a nave, que contorna o satélite e retorna naturalmente ao planeta, dispensando manobras adicionais. O percurso total deverá durar aproximadamente dez dias. O ponto de maior aproximação, estimado em 7.500 km da superfície lunar, superará a marca alcançada pelo programa Apollo e tornará a tripulação a mais distante da história em relação à Terra.
Imagem: Internet
Marcos e objetivos da Artemis 2
A missão marca o reinício de voos tripulados à Lua após a Apollo 17, lançada em dezembro de 1972. Além da verificação final dos sistemas da Orion em ambiente real, a Artemis 2 tem como meta coletar dados para a futura Artemis 3, primeira tentativa de pouso tripulado no século 21.
O voo também avaliará o desempenho do SLS em regime operacional e das interfaces entre os módulos norte-americano e europeu. Outro ponto crítico é o teste completo do escudo térmico durante reentrada a alta velocidade, etapa essencial para garantir a segurança de missões posteriores que incluirão pouso e estadia prolongada na superfície lunar.
Próximos passos do programa lunar
Enquanto o SLS avança para a plataforma 39B, continuam os trabalhos de integração dos sistemas de pouso desenvolvidos pela SpaceX e pela Blue Origin. Estes veículos serão acoplados à cápsula Orion em voos seguintes e deverão transportar astronautas até a superfície, atendendo à meta de manter presença humana sustentada na Lua.
Com a Artemis 2, a Nasa pretende demonstrar capacidade de enviar e trazer tripulações em segurança, definir protocolos de operação e consolidar parcerias internacionais. O resultado será decisivo para o calendário de exploração lunar e para o eventual uso do satélite como plataforma de missões mais distantes, incluindo Marte.





