Dois estudantes pernambucanos atingiram a pontuação máxima de mil pontos na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025. Caio Silva Braga, de 18 anos, e Wellington Ribeiro, de 19, ambos residentes no Recife, relataram as estratégias de estudo que os levaram ao resultado de destaque.
Tema da redação favoreceu múltiplas abordagens
O tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira” foi considerado acessível pelos candidatos. Segundo os alunos, a proposta permitiu explorar diferentes ângulos sem fugir do recorte solicitado. Ambos afirmaram ter se sentido confortáveis desde a leitura inicial dos textos de apoio fornecidos pelo exame.
Estilo flexível de Caio Braga
Matriculado no terceiro período de Ciência da Computação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Caio Braga decidiu prestar o Enem para manter contato com a prova e fortalecer seu trabalho como mentor de redação. Sem cronograma formal de estudo em 2025, ele limitou-se a orientar outros alunos e corrigir produções em suas mentorias.
O universitário destacou que a ausência de pressão por vaga no ensino superior contribuiu para a tranquilidade no dia da prova. À mesa de redação, Caio estruturou o texto em quatro parágrafos independentes, cada um apresentando uma perspectiva sobre o envelhecimento. A primeira tratou da visão dos povos indígenas, a segunda contextualizou o processo histórico, a terceira analisou a realidade atual e a quarta propôs intervenção alinhada às exigências do exame.
Fora da sala de estudos, Caio manteve rotina equilibrada. Ele relatou ter participado de atividades de lazer, práticas esportivas e encontros com amigos durante todo o ano. Para o estudante, o equilíbrio entre preparação intelectual e saúde emocional é determinante para o bom desempenho.
Disciplina intensiva de Wellington Ribeiro
Ao contrário de Caio, Wellington Ribeiro dedicou 2025 exclusivamente à preparação para o Enem. O objetivo do jovem é conquistar vaga no curso de Direito. Ele frequentou aulas presenciais e on-line, além de submeter-se a simulados semanais em todas as áreas do conhecimento.
Na produção textual, Wellington priorizou domínio gramatical, aspecto que, segundo ele, costuma custar pontos importantes aos candidatos. O estudante utilizou repertório literário para reforçar a argumentação, citando o poema “Feliz Aniversário”, de Clarice Lispector, e a Lei dos Sexagenários, de 1885, como exemplos de exclusão histórica da população idosa.
O pernambucano atribui o resultado ao método de treino constante, que envolvia escrita, correção e reescrita. “O processo foi acertos e erros repetidos”, resumiu. Após a divulgação das notas, o jovem relatou ansiedade pela abertura das inscrições, etapa que determinará a conquista ou não da vaga desejada.
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Contrastes que levam ao mesmo resultado
As trajetórias de Caio e Wellington demonstram que não existe fórmula única para atingir 1.000 pontos na redação do Enem. Enquanto um apostou em rotina leve e experiência prévia como orientador, o outro seguiu planejamento rigoroso e prática contínua. Em comum, ambos reforçam a importância de leitura, repertório sociocultural e atenção às competências avaliadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O Enem 2025 manteve as cinco competências tradicionais: domínio da norma culta; compreensão da proposta; seleção, organização e interpretação de argumentos; encadeamento lógico; e proposta de intervenção. Atingir pontuação máxima implica desempenho elevado em todos esses critérios, conforme as matrizes de correção divulgadas pelo órgão.
Impacto regional e expectativa para próximas edições
A conquista reforça o histórico de desempenho expressivo dos candidatos de Pernambuco. Na edição 2024, o estado já havia registrado notas altas na prova de redação. Especialistas em educação apontam que resultados individuais como os de Caio e Wellington podem inspirar novas metodologias de estudo em escolas públicas e privadas da região metropolitana do Recife.
Com a abertura do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) prevista para o início do ano letivo, ambos os estudantes aguardam a próxima etapa. Caio pretende manter-se na graduação atual, mas avalia utilizar a pontuação como comprovação de qualidade para suas mentorias. Já Wellington, focado no curso de Direito, acompanha a evolução das notas de corte para definir a melhor instituição.
Os dois casos evidenciam que estratégias distintas—de flexibilidade a disciplina intensiva—podem convergir na excelência textual exigida pelo Enem, reforçando a importância da adequação individual ao método de estudo.





