A Netflix fechou um novo acordo mundial com a Sony Pictures Entertainment que garante prioridade de exibição dos longas-metragens do estúdio logo após a passagem pelas salas de cinema e pelas janelas tradicionais de entretenimento doméstico. O contrato amplia a parceria firmada em 2021 nos Estados Unidos e coloca a plataforma de streaming como destino exclusivo na chamada janela Pay-1 dos títulos da Sony em escala global.
Novos termos e cronograma
Pelo acerto, a Netflix mantém o direito preferencial de licenciamento nos Estados Unidos quando o pacto vigente, estimado em US$ 2,5 bilhões, chegar ao fim em dezembro de 2026. A partir de 2027, os lançamentos do estúdio que estrearem nos cinemas norte-americanos seguirão primeiro para o serviço de streaming. Nos demais mercados, a implementação ocorrerá de forma faseada, conforme a expiração dos compromissos locais já existentes.
As empresas projetam que a cobertura global completa será alcançada no início de 2029. Países que já exibem títulos da Sony sob acordos anteriores, como Alemanha e várias nações do Sudeste Asiático, permanecerão no cronograma de transição, mas com acesso ampliado ao catálogo. O período de vigência e os valores financeiros do novo entendimento não foram divulgados.
O vice-presidente executivo de distribuição global da Sony Pictures Television, Paul Littmann, declarou que o “novo acordo Pay-1 leva a parceria a um novo patamar e reforça o apelo duradouro dos nossos lançamentos cinematográficos para o público global da Netflix”.
Catálogo e futuros lançamentos
Além dos filmes que chegarão aos cinemas durante a vigência do contrato, a Netflix poderá negociar licenças para produções anteriores e séries de televisão pertencentes ao grupo Sony. Essa cláusula mantém aberta a possibilidade de ampliação contínua do catálogo, um movimento estratégico para sustentar a oferta de conteúdos exclusivos e diversificados.
Entre os títulos de grande visibilidade que devem desembarcar na plataforma após a janela cinematográfica estão a animação “Homem-Aranha: Além do Aranhaverso” e o projeto dirigido por Sam Mendes que narrará a história dos Beatles em quatro filmes distintos. Obras recentes do estúdio, como “Venom: A Última Dança” e “Todos Menos Você”, já haviam chegado ao catálogo norte-americano graças ao acordo de 2021.
Nos mercados internacionais, a Netflix planeia alinhar a estreia desses mesmos títulos para reforçar a experiência global simultânea, prática que a empresa vem adotando para maximizar campanhas de marketing e consolidar a base de assinantes.
Imagem: Internet
Contexto da disputa por conteúdos exclusivos
A expansão da parceria com a Sony ocorre num cenário de forte competição entre serviços de streaming por direitos de exibição exclusivos. A estratégia da Netflix envolve garantir fontes estáveis de produções de alto orçamento sem a necessidade de arcar com todos os custos de produção. Para a Sony, que não possui plataforma própria de alcance mundial, o modelo oferece receita previsível e exposição global aos seus lançamentos.
No padrão Pay-1, determinado filme fica disponível exclusivamente para o licenciante durante um período que pode variar de 12 a 18 meses após a estreia nos cinemas. Na prática, o acordo impede que concorrentes como Disney+, Max ou Amazon Prime Video exibam as obras da Sony nesse intervalo inicial, fortalecendo a proposta de valor da Netflix para novos assinantes.
Próximos passos e impacto na indústria
Com a confirmação do novo contrato, a Netflix consolida um portfólio que inclui conteúdos originais próprios, animações de estúdios parceiros e agora uma linha de sucessos de bilheteira da Sony em escala mundial. A medida deve influenciar outras negociações no setor, já que o estúdio mantém franquias populares como Spider-Man, Jumanji, Venom e Bad Boys.
No curto prazo, nenhuma mudança imediata é esperada para os utilizadores fora dos Estados Unidos. Contudo, à medida que as licenças regionais forem expirando, os assinantes deverão observar um aumento gradual de produções da Sony no catálogo local, seguindo o calendário de implementação divulgado pelas empresas.
O acordo também pode servir de modelo para estúdios independentes interessados em monetizar suas propriedades intelectuais sem investir em infraestrutura de streaming própria. Enquanto isso, a Netflix reforça sua posição no mercado, assegurando um fluxo contínuo de conteúdos de cinema que complementam suas produções originais e reforçam a proposta de valor perante uma base global estimada em mais de 260 milhões de assinantes.





