UnB analisa venda de terrenos valiosos para ampliar investimentos acadêmicos

A Universidade de Brasília (UnB) voltou a avaliar a alienação de partes do seu patrimônio imobiliário como forma de reforçar o orçamento destinado a ensino, pesquisa e extensão. A hipótese envolve a venda de lotes na Asa Norte e em área central do Plano Piloto, ambos em regiões de alta valorização no Distrito Federal. Embora o debate esteja em curso desde 2004, a instituição afirma não haver decisão tomada nem calendário definido para eventuais leilões.

Busca de recursos diante de limitações orçamentárias

O tema ganhou força na virada para 2026, quando a universidade confirmou estudos “com cautela” sobre alternativas de financiamento. A administração aponta a necessidade de ampliar a capacidade de investimento ao mesmo tempo em que enfrenta restrições legais e a Desvinculação de Receitas da União (DRU), mecanismo que retira cerca de um terço das receitas próprias geradas pelas federais. Segundo a Reitoria, qualquer aumento de arrecadação patrimonial exige prudência para evitar perda automática de recursos federais.

Entre as possibilidades discutidas estão:

  • Venda de lotes na quadra 207 Norte, último terreno residencial vazio da Asa Norte, com 8.800 m² e potencial para até 12 edifícios;
  • Alienação de área no Setor Hoteleiro Norte, estudada como parte de troca patrimonial;
  • Adoção de contrapartidas financeiras negociadas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O BNDES firmou contrato com a UnB em 2023 para elaborar estudos técnicos sobre a utilização do patrimônio. A universidade solicitou recentemente uma nova proposta do banco, incorporando critérios acadêmicos, administrativos e financeiros considerados mais adequados ao cenário atual. Assim que o documento for entregue, tanto a versão original quanto a revisada serão submetidas ao Conselho de Administração (CAD) para deliberação colegiada.

Patrimônio robusto, receitas significativas e custos crescentes

A universidade detém aproximadamente 1,8 mil imóveis distribuídos pelo Distrito Federal, incluindo casas, apartamentos, salas comerciais e terrenos vazios. Parte desse portfólio gera renda por meio de duas taxas:

  • Taxa de ocupação – paga pelos usuários dos imóveis e destinada a projetos de ensino, pesquisa e extensão;
  • Taxa de manutenção – equivalente a um condomínio, cobre despesas com portaria, limpeza, energia, água e manutenção predial.

Em 2024, as receitas provenientes de aluguéis, taxas e demais contraprestações imobiliárias somaram cerca de R$ 58 milhões. Mesmo assim, os imóveis desocupados continuam gerando despesas. Em novembro de 2025, unidades retidas para manutenção representaram gastos de R$ 163 mil apenas com taxas de condomínio. Na mesma data, 140 imóveis aguardavam reparos e oito estavam sem ocupação, à espera de vistoria inicial. Enquanto isso, 304 servidores figuravam na lista de espera por moradias exclusivas.

No segmento comercial, há nove salas disponíveis para locação imediata na Asa Sul. Já o estoque residencial incluía, no início de 2026, quatro unidades em concorrência virtual — duas na 212 Norte e duas na 214 Norte — além de um imóvel avulso na 310 Norte. A liberação de novos espaços ocorre gradualmente, conforme conclusão de obras e inspeções.

UnB analisa venda de terrenos valiosos para ampliar investimentos acadêmicos - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Processo interno prioriza transparência e governança

A Reitoria ressalta que qualquer alienação depende da anuência do Conselho de Administração e do cumprimento de normas federais que regem bens públicos. A etapa de submissão ao CAD, prevista para ocorrer após a chegada da proposta revista do BNDES, não havia sido aplicada na análise inicial de 2004, o que, segundo a gestão atual, reforça o compromisso com boa governança.

Apesar das discussões, a universidade enfatiza que não existe cronograma para leilões nem definição sobre quais áreas eventualmente serão negociadas. A administração argumenta que a combinação de restrições orçamentárias, necessidade de investimentos e impacto da DRU obriga a instituição a examinar cada cenário com “extrema cautela”.

Desafios e próximos passos

Se por um lado a venda de terrenos estratégicos pode gerar recursos imediatos, por outro aumenta a preocupação sobre a sustentabilidade financeira diante da retenção de parte das receitas pela DRU. Assim, a UnB aposta no diálogo com o BNDES para encontrar um modelo que maximize retorno e minimize perdas. A expectativa é de que a nova proposta inclua contrapartidas mais alinhadas às prioridades acadêmicas e que o debate avance no CAD ainda em 2026.

Até lá, a universidade continua a administrar seu portfólio de 1,8 mil imóveis, buscando equilibrar despesas de manutenção, oferta de moradia a servidores e oportunidades de geração de receita. O desfecho dependerá da aprovação interna, das condições de mercado e das regras federais que limitam a utilização de recursos próprios pelas instituições de ensino superior.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *