Mercosul mira novos acordos com Emirados, Japão e Canadá após tratado com União Europeia

As nações que compõem o Mercosul buscam ampliar a própria rede de parceiros comerciais depois de oficializar, no sábado (17), um acordo de livre comércio com os 27 países da União Europeia (UE). A informação foi confirmada pelo presidente do Paraguai, Santiago Peña, anfitrião da cerimônia realizada em Assunção.

Participaram do evento representantes da Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, que conclui seu processo de adesão ao bloco. De acordo com Peña, a assinatura com a UE marca o início de uma nova etapa, na qual o foco passa a ser a negociação de tratados adicionais na Ásia, no Oriente Médio e na América do Norte.

Emirados Árabes são prioridade imediata

Peña afirmou que o Mercosul mantém “conversas avançadas” com os Emirados Árabes Unidos para estabelecer um tratado de livre comércio. A meta, segundo ele, é diversificar mercados e consolidar a presença do bloco sul-americano no Oriente Médio. Caso se confirme, o acordo abrirá espaço para redução de tarifas em setores como alimentos, produtos químicos e manufaturados, além de estimular novos fluxos de investimento.

Nosso trabalho no processo de integração está apenas começando”, ressaltou o presidente paraguaio, indicando que a negociação com Abu Dhabi deve ser concluída antes do fim de 2026. A iniciativa se alinha à estratégia de aproximar o Mercosul de economias consideradas portos logísticos para rotas comerciais entre Europa, Ásia e África.

Estratégia asiática inclui Japão, Coreia do Sul e Sudeste Asiático

Além do Oriente Médio, o bloco direciona esforços para a Ásia. Peña mencionou Japão e Coreia do Sul como alvos “acompanhados com enorme atenção” pelo grupo, citando ainda Indonésia e Vietnã. Embora a China já seja o principal destino de várias exportações sul-americanas, o Mercosul pretende diversificar riscos e ampliar o número de acordos formais na região.

Na avaliação dos governos, mercados asiáticos oferecem capacidade de consumo crescente, demanda por alimentos e interesse em energias renováveis — áreas nas quais os países do bloco dispõem de vantagem competitiva. A expansão das parcerias também servirá para atrair investimento direto estrangeiro a cadeias de valor ligadas a soja, carnes, minério de ferro, lítio e biocombustíveis.

Negociação com o Canadá avança em paralelo

O presidente paraguaio comunicou ainda “progresso concreto” no acordo de complementação econômica com o Canadá. Diferente de um tratado de livre comércio amplo, esse formato concentra-se em setores específicos, como serviços, compras governamentais e regras fitossanitárias. A expectativa do Mercosul é concluir o texto técnico até o segundo semestre de 2026, antes de um cronograma final de ratificação pelos Parlamentos envolvidos.

Com o pacto, o bloco pretende ampliar vendas de produtos agroindustriais ao mercado canadense e, simultaneamente, facilitar a entrada de máquinas, tecnologias de mineração e serviços financeiros oriundos do país norte-americano.

Mercosul mira novos acordos com Emirados, Japão e Canadá após tratado com União Europeia - ultimas notícias

Imagem: ultimas notícias

Multilateralismo e integração como diretrizes

Peña defendeu o multilateralismo como elemento central da política externa do Mercosul. Segundo ele, o atual contexto geopolítico impõe a necessidade de cooperação para reduzir barreiras, harmonizar padrões regulatórios e criar infraestrutura que conecte cadeias produtivas. “Integração econômica, colaboração e multilateralismo são o caminho”, pontuou.

Os membros do bloco avaliam que a entrada em vigor do acordo com a UE em 2027 servirá de vitrine para acelerar entendimentos adicionais. A União Europeia representa hoje cerca de 15% do comércio exterior total do Mercosul, ao passo que Ásia e Oriente Médio concentram, juntos, pouco mais de 30%. A meta oficial é elevar essa participação para 50% na próxima década.

Embora os detalhes tarifários ainda não tenham sido divulgados, analistas do Ministério da Economia paraguaio estimam que a soma dos acordos em negociação pode adicionar entre 1 e 1,5 ponto percentual ao PIB combinado do bloco até 2031, dependendo do ritmo de implementação. Para alcançar esse resultado, os governos planeiam criar grupos de trabalho dedicados a temas como propriedade intelectual, meio ambiente e facilitação aduaneira.

Próximos passos no cronograma

Os chanceleres dos cinco países reúnem-se novamente em maio para avaliar o estágio de cada negociação. Até lá, técnicos viajarão a Abu Dhabi, Tóquio e Ottawa para debater listas de concessões e prazos de desoneração tarifária. O Mercosul também pretende retomar diálogos com Singapura e Índia, países que demonstraram interesse em acordos de natureza parcial.

A presidência temporária do bloco continuará com o Paraguai até julho, quando passará para o Uruguai. Espera-se que Montevidéu dê prioridade a temas de infraestrutura logística — como corredores bioceânicos e conectividade digital — considerados essenciais para que os futuros tratados se traduzam em ganhos comerciais efetivos.

Com a nova agenda, o Mercosul sinaliza disposição para se posicionar como ator relevante em uma economia global marcada por cadeias de valor mais fragmentadas e exigências ambientais mais rígidas. A assinatura simultânea de múltiplos acordos é vista pelos governos como forma de fortalecer a competitividade regional e ampliar a capacidade de negociação em fóruns internacionais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *