As autoridades do Maranhão completaram 14 dias consecutivos de busca pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde 4 de fevereiro no território quilombola de São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal, a cerca de 240 km de São Luís. A operação recebe agora o apoio da Marinha do Brasil, que encaminhou ao município uma equipa especializada em varredura subaquática.
Marinha amplia buscas no rio Mearim
Um contingente de 11 militares desembarcou em Bacabal na tarde de sábado (17) com equipamentos capazes de mapear o leito do rio Mearim. Entre os recursos disponibilizados está o side scan sonar, tecnologia que gera imagens em alta definição para detectar objetos ou anomalias submersas. Além do sonar, a corporação levou uma embarcação do tipo voadeira e uma moto-aquática, reforçando a mobilidade das equipas nos trechos de difícil acesso.
Segundo o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Ribeiro Martins, a integração com as Forças Armadas tem o objetivo de ampliar a área de cobertura e acelerar a localização das crianças. “Todos os órgãos de segurança, estaduais e federais, estão unidos para encontrar os irmãos”, declarou o gestor em vídeo divulgado pela pasta.
O plano inicial prevê a permanência dos militares por dez dias, com possibilidade de prorrogação caso seja necessário. As frentes de trabalho concentram-se nas margens do rio e em áreas de mata identificadas durante as rondas terrestres.
Três crianças desapareceram; uma já foi encontrada
O episódio começou com o sumiço de três crianças – duas irmãs e um primo – que haviam saído para brincar nas proximidades da comunidade quilombola. Anderson Kauã, de 8 anos, primo de Ágatha e Allan, foi localizado em 7 de fevereiro por carroceiros numa estrada a cerca de 4 km da localidade, debilitado e desidratado. Após exame médico, ele permanece em observação num hospital de Bacabal.
No depoimento prestado à Polícia Civil, Anderson afirmou que os três chegaram a abrigar-se numa casa abandonada, parcialmente coberta pela vegetação. Equipes utilizam cães farejadores para percorrer o imóvel e a área circundante, onde foram encontrados indícios da presença das crianças. As autoridades acreditam que o trio passou ao menos uma noite no local antes de se dispersar.
Investigação mantém depoimentos e perícias
A Polícia Civil do Maranhão conduz a investigação paralelamente às buscas de campo. Familiares, moradores da região e potenciais testemunhas prestam depoimento para ajudar a reconstruir a cronologia do caso. Peritos analisam vestígios recolhidos na mata e nas margens do rio, enquanto equipes de inteligência cruzam informações sobre deslocamentos, horários e condições climáticas do dia do desaparecimento.
Imagem: Internet
Até o momento, não há indícios de crime ou de envolvimento de terceiros. A principal linha de trabalho considera que as crianças possam ter se desorientado na mata, hipótese reforçada pela distância percorrida por Anderson antes de ser resgatado. No entanto, a polícia não descarta outras possibilidades.
Cooperação entre órgãos e comunidade
Além da Marinha, participam da operação o Corpo de Bombeiros do Maranhão, a Polícia Militar, a Defesa Civil estadual e voluntários da comunidade quilombola. Drones sobrevoam diariamente o perímetro, enquanto brigadas terrestres realizam varreduras em turnos alternados para cobrir áreas mais extensas.
Moradores auxiliam indicando trilhas menos conhecidas e pontos de difícil acesso. A Secretaria de Segurança Pública orienta a população a comunicar imediatamente qualquer vestígio ou informação relevante, destacando que o tempo é fator determinante para o sucesso da procura.
Com a chegada dos recursos navais, a expectativa dos responsáveis é ampliar a precisão das buscas em áreas inundadas pelo rio Mearim, especialmente em trechos onde a visibilidade é reduzida pela vegetação e pela correnteza.
As operações continuam em ritmo intensivo, e as autoridades reiteram que permanecerão mobilizadas até que o paradeiro de Ágatha Isabelly e Allan Michael seja esclarecido.





