Golpistas intensificam fraudes com impostos, boletos e Pix no início do ano

O começo do ano concentra múltiplas obrigações financeiras — impostos, material escolar e reorganização de contas — e esse ambiente vem sendo explorado por redes de fraudadores em todo o país. Em 2026, golpes que simulam boletos, páginas oficiais e QR Codes ganharam aparência ainda mais convincente, levando vítimas a pagar valores que vão diretamente para contas controladas por criminosos.

Falsificação de IPTU mantém alto poder de engano

O Imposto Predial e Territorial Urbano continua na linha de frente das fraudes sazonais. Documentos chegam por e-mail, SMS, WhatsApp ou correio, reproduzindo logotipos, cores e linguagem utilizados por prefeituras. As mensagens apelam a prazos curtos, supostos descontos ou necessidade de regularização para induzir o pagamento imediato.

Nos meios digitais, links patrocinados em buscadores direcionam o contribuinte para sites que imitam o portal municipal. Após inserir dados do imóvel, o usuário gera um boleto ou QR Code cujo destino real é a conta dos golpistas. A única forma segura de escapar é acessar diretamente o domínio oficial da prefeitura, verificar a extensão governamental e evitar clicar em links recebidos por aplicativos de mensagem.

IPVA também vira isca com descontos falsos

Motoristas de pelo menos cinco estados — Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina — foram alvo de páginas que copiam o visual de Detrans e secretarias da Fazenda. As páginas solicitam dados do veículo e geram cobranças com valores supostamente menores que o anunciado pelos governos estaduais. Descontos acima da média e pedidos de Pix exclusivo são sinais de alerta frequentes.

Campanhas por SMS e e-mail reforçam a armadilha, oferecendo segunda via “com benefício extra” e encaminhando o usuário para endereços que trocam letras ou números semelhantes no domínio. A orientação é conferir sempre o nome do favorecido antes de concluir a transação e, em caso de dúvida, acessar o site oficial digitando-o manualmente no navegador.

Material escolar barato demais indica loja virtual falsa

Janeiro também impulsiona a compra de cadernos, mochilas e uniformes. Golpistas abrem sites recém-criados com marcas conhecidas, listas completas e preços muito abaixo do mercado. Essas páginas aceitam apenas Pix ou transferência bancária e não apresentam CNPJ válido, política de devolução ou endereço físico.

Há ainda ofertas em grupos de pais e redes sociais prometendo compras coletivas com “fornecedores diretos”. Depois do pagamento antecipado, o vendedor some ou entrega produtos diferentes do prometido. Consultar a existência da empresa em bases públicas, comparar preços em lojas confiáveis e escolher meios de pagamento que permitam contestação reduzem o risco.

Boletos adulterados e QR Codes trocados seguem em circulação

A adulteração de linha digitável continua a causar prejuízo a consumidores e empresas. O criminoso insere seus próprios dados no boleto ou QR Code, de modo que o valor pago cai em contas terceiras, muitas vezes registradas em nome de laranjas. Além disso, comprovantes falsos são enviados para liberar mercadorias ou serviços antes da confirmação do crédito.

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Imagem: Internet

Para se proteger, especialistas recomendam verificar o nome do beneficiário no aplicativo bancário, evitar copiar e colar códigos recebidos por mensagem e preferir a geração de boletos dentro do ambiente oficial da instituição que prestará o serviço.

Aplicativos de mensagem ampliam o alcance das fraudes

WhatsApp, Telegram e SMS são canais predominantes para disseminar links e anexos maliciosos. Fraudadores enviam notificações de “pendência financeira” ou “última oportunidade de desconto”, muitas vezes com arquivos PDF que redirecionam o pagamento. Outro golpe recorrente é a clonagem de contas, em que um contato próximo passa a pedir transferências urgentes.

Ativar a verificação em duas etapas, desconfiar de solicitações de dinheiro feitas exclusivamente por texto e confirmar a autenticidade do pedido por ligação ou outro canal são práticas que evitam perdas financeiras.

Como identificar e reagir a tentativas de fraude

Apesar das variações, os golpes partilham características comuns: urgência, promessa de vantagem atípica, links não solicitados e pequenos erros de ortografia ou endereço. Ao detectar qualquer elemento suspeito, a recomendação é pausar, checar informações em canais oficiais e jamais efetuar o pagamento por impulso.

Se a transferência já ocorreu, a vítima deve contatar o banco imediatamente, registrar boletim de ocorrência e reunir comprovantes de pagamento. Também é importante avisar a instituição ou órgão público cujo nome foi usado, contribuindo para alertar outros consumidores e acelerar eventuais bloqueios de contas suspeitas.

O cenário de 2026 reforça que atenção aos detalhes, verificação de domínios e cautela ao lidar com prazos e ofertas continuam sendo as principais barreiras contra fraudes que exploram o início do ano fiscal.

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