O Banco de Brasília (BRB) negou a possibilidade de intervenção e afirmou possuir “suficiência patrimonial” para lidar com os efeitos das investigações que envolvem o Banco Master. A posição foi divulgada nesta segunda-feira, 19 de janeiro, em nota oficial. A instituição, controlada pelo governo do Distrito Federal, informou ainda que analisa a venda de ativos recuperados do Master como alternativa para reforçar sua estrutura de capital.
Instituição descarta urgência de aporte e destaca auditorias em curso
O comunicado do BRB responde a notícias que apontavam uma necessidade imediata de capitalização. Segundo o banco, qualquer ação para recompor capital será considerada apenas depois que auditorias independentes e análises do Banco Central forem concluídas. Caso seja necessário, o plano de contingência inclui um possível aporte do acionista controlador, mas a instituição ressalta que essa medida não comprometeria os recursos orçamentários destinados a políticas públicas do Distrito Federal.
Mais cedo, o Ministério da Fazenda também negou ter tratado com o governo distrital ou com a diretoria do BRB sobre eventual socorro financeiro sob pena de intervenção. A pasta confirmou, contudo, que acompanha o caso em conjunto com o Banco Central.
Impacto das operações com o Banco Master
O BRB foi diretamente afetado pela crise do Banco Master, alvo de investigação por supostas fraudes em carteiras de crédito. Informações enviadas pelo Banco Central ao Ministério Público indicam que o banco estatal adquiriu carteiras avaliadas em R$ 12,2 milhões que, posteriormente, revelaram-se fraudulentas. Esses ativos foram substituídos e seguem sob avaliação pericial.
Além das carteiras, o BRB teria injetado mais de R$ 5 bilhões no Master em outras operações, incluindo a compra de cotas de fundos de investimento. A atual administração, empossada após mudança de comando no ano passado, conduz revisão detalhada das transações realizadas em 2024 e 2025 para calcular o impacto nos índices de capitalização.
Desenquadramento prudencial e medidas regulatórias
As operações suspeitas levaram o BRB a descumprir temporariamente limites prudenciais exigidos pelo Banco Central. O desenquadramento ocorreu em janeiro e fevereiro de 2025. Como consequência, a autoridade monetária impôs restrições à aquisição de novos ativos financeiros e determinou a apresentação de um plano de solução no prazo de seis meses, contados a partir de outubro de 2025.
Apesar das limitações, a instituição afirma que continua a operar normalmente e mantém todas as exigências de liquidez em dia. O banco não divulgou o balanço referente ao terceiro trimestre, pois aguarda a conclusão das auditorias para apresentar números atualizados de forma confiável. Qualquer dado extraoficial sobre prejuízos, segundo o comunicado, é considerado especulativo.
Imagem: Ultimas Notícias
Venda de ativos recuperados aparece como opção
Para reforçar sua posição de capital, o BRB avalia vender ativos recuperados do Banco Master. A administração não detalhou quais ativos poderiam ser colocados no mercado nem estabeleceu cronograma para a operação, mas indicou que esta é uma das alternativas estudadas para melhorar indicadores de solvência sem recorrer de imediato a aporte de capital.
A estratégia inclui ainda revisão de processos internos, reforço de controles de risco e fortalecimento das áreas de compliance. Todas as operações relacionadas ao Master estão sob investigação forense realizada por escritório independente, com acompanhamento de órgãos reguladores e de autoridades competentes.
Próximos passos
O Banco Central prossegue na análise das operações entre BRB e Banco Master, enquanto as auditorias independentes avançam na quantificação dos eventuais prejuízos. Somente após a conclusão desses trabalhos é que o banco e o governo distrital decidirão se será necessário um aporte adicional.
Até lá, o BRB mantém a posição de que não há risco de intervenção e segue concentrado em preservar a solidez patrimonial, cumprir exigências regulatórias e restabelecer integralmente seus indicadores prudenciais.





