Doze cursos de Medicina sediados em Minas Gerais receberão sanções do Ministério da Educação (MEC) por desempenho considerado insuficiente no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes de Medicina (Enamed). As unidades atingidas, todas pertencentes à rede privada, obtiveram conceitos 1 ou 2 — as classificações mais baixas na escala do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (19), em Brasília.
Entre os 351 cursos avaliados em todo o país, mais de 100 apresentaram notas insatisfatórias. Em Minas Gerais, foram listadas:
Conceito 1 (suspensão total de ingressos)
– Centro Universitário Presidente Antônio Carlos, Juiz de Fora
– Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Faseh), Vespasiano
Conceito 2 (redução de vagas)
– Faculdade de Medicina de Barbacena, Barbacena
– Universidade Vale do Rio Doce (Univale), Governador Valadares
– Universidade de Itaúna, Itaúna
– Centro Universitário Faminas, Muriaé
– Centro Universitário de Manhuaçu (Unifacig), Manhuaçu
– Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga, Ponte Nova
– Faculdade de Minas (Faminas-BH), Belo Horizonte
– Centro Universitário Univértix, Matipó
– Faculdade Atenas, Passos
– Faculdade Atenas, Sete Lagoas
Medidas previstas pelo MEC
O MEC informou que cursos com conceito 1 terão a entrada de novos alunos bloqueada integralmente até que demonstrem melhorias. Já os programas avaliados com conceito 2 ficarão sujeitos à redução do número de vagas oferecidas nos próximos processos seletivos. Em ambos os casos, a pasta poderá suspender o acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a outros programas federais de apoio.
Segundo o ministro Camilo Santana, as instituições serão notificadas e terão prazo para apresentar defesa. O titular da Educação ressaltou que o objetivo é “corrigir falhas e garantir a qualidade da formação médica”, evitando prejuízos à população que será atendida pelos futuros profissionais. Caso não se verifique evolução nas próximas avaliações, as penalidades poderão ser ampliadas.
Desempenho nacional revela disparidades
A análise dos resultados por categoria institucional aponta diferenças significativas. Universidades municipais públicas concentraram 87,5% dos cursos avaliados nas faixas 1 e 2, seguidas pelas instituições privadas com fins lucrativos, com 58,4% nessa condição, e pelas instituições especiais, com 54,6%. Nas privadas sem fins lucrativos, aproximadamente um terço dos cursos recebeu notas consideradas baixas.
Imagem: Internet
Em sentido oposto, universidades federais e estaduais dominaram as faixas de excelência. Entre as federais, 87,6% dos cursos alcançaram conceitos 4 ou 5; nas estaduais, o índice chegou a 84,7%. Os números reforçam a heterogeneidade do ensino médico brasileiro, marcado por resultados extremos conforme a natureza administrativa das universidades.
A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) declarou que acompanha a divulgação dos dados e apontou divergências entre informações preliminares repassadas às instituições em dezembro e o relatório final agora publicado. A entidade afirmou que está a analisar as inconsistências identificadas.
O Inep destacou que a aplicação do Enamed visa mensurar competências técnicas e conhecimentos clínicos dos graduandos ao término do curso. Os indicadores gerados subsidiam políticas de regulação e fornecem referência para a sociedade sobre a qualidade das graduações.
Com a divulgação dos resultados, as faculdades de Minas Gerais mencionadas poderão rever planos pedagógicos, infraestrutura e corpo docente para atender às exigências do MEC. As sanções entram em vigor após a conclusão do prazo de defesa e publicação de portaria específica.





