A China voltou a autorizar a entrada de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul, encerrando um bloqueio que vigorava desde julho de 2024. A revogação do embargo foi comunicada pelas autoridades chinesas na sexta-feira, 16 de janeiro, e confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) brasileiro na terça-feira, 20 de janeiro de 2026.
Motivo da restrição e medidas adotadas
O embargo foi implantado após a confirmação de um foco da Doença de Newcastle em uma granja comercial de Anta Gorda (RS) em 2024. Na ocasião, o governo gaúcho declarou emergência zoossanitária durante três semanas para conter o agente infeccioso. Além da resposta emergencial, foram aplicados protocolos de vigilância e desinfecção exigidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Em maio de 2025, outra preocupação sanitária surgiu com o registro de gripe aviária em Montenegro (RS). Esse episódio levou as autoridades brasileiras a reforçar a fiscalização nos estabelecimentos avícolas e intensificar a comunicação de risco com parceiros comerciais. Em novembro do mesmo ano, a China liberou as importações de frango dos demais estados brasileiros, mas manteve a proibição específica ao Rio Grande do Sul até que todos os requisitos fossem atendidos.
De acordo com o MAPA, a restauração do mercado chinês foi possível após a comprovação de que os focos haviam sido controlados e erradicados. Relatórios técnicos, laudos laboratoriais e auditorias de campo foram enviados a Pequim ao longo de 2025, detalhando as ações de quarentena, abate sanitário, limpeza e vazio sanitário realizadas no estado.
Procedimentos para reabertura
A revogação foi publicada em comunicado conjunto da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país asiático. O documento cancelou o ato anterior que havia suspendido os estabelecimentos gaúchos, restabelecendo o status sanitário padrão.
Com a decisão, plantas frigoríficas do Rio Grande do Sul voltam a ser elegíveis para emissão de certificados sanitários internacionais. A liberação, no entanto, depende de atualização das listas de unidades habilitadas junto à GACC, processo que deve ocorrer nas próximas semanas.
Impacto nas exportações gaúchas
A ausência do mercado chinês afetou diretamente o desempenho da avicultura no estado. Dados da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul indicam que, em 2024, as vendas externas de carne de frango recuaram cerca de 1 % em volume, influência atribuída principalmente ao bloqueio de Pequim. Antes da suspensão, a China respondia por aproximadamente 6 % dos embarques gaúchos.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a reabertura representa um passo essencial para recompor margens e diversificar destinos. A entidade afirma que o potencial de crescimento imediato é moderado, mas espera uma retomada gradual conforme a cadeia produtiva readéqua logística e contratos.
Imagem: Ultimas Notícias
Repercussão do setor
Em nota, a ABPA destacou que a decisão chinesa “reforça a credibilidade do sistema sanitário brasileiro” e reconhece “a rapidez e eficiência das medidas de controle”. O posicionamento foi endossado pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), que apontou a necessidade de manter protocolos rígidos para evitar novos episódios que coloquem em risco o acesso a mercados estratégicos.
Representantes de empresas exportadoras afirmam que as primeiras cargas podem ser embarcadas ainda no primeiro trimestre, dependendo da conclusão dos trâmites burocráticos. Os frigoríficos aguardam a inclusão das unidades na lista oficial da GACC, etapa considerada formal, pois as inspeções já foram realizadas.
Perspectivas comerciais
A China figura entre os maiores compradores de carne de frango do Brasil, com participação aproximada de 14 % no total nacional em 2025. A reabertura para o Rio Grande do Sul amplia a capacidade brasileira de atendimento à demanda asiática e fortalece a posição do país no ranking global de exportadores de proteína animal.
O MAPA informou que seguirá monitorando a situação sanitária no estado e pretende intensificar programas de biosseguridade em todas as regiões produtoras. A meta é evitar reincidência de enfermidades que possam gerar novos entraves ao comércio internacional.
Mesmo com a restrição prolongada, a indústria gaúcha redirecionou parte dos volumes a mercados como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e África do Sul. Com a volta da China, analistas esperam aumento na concorrência interna por matéria-prima e maior rentabilidade para produtores integrados.
As estimativas preliminares da ABPA apontam que, se o ritmo de habilitações ocorrer conforme o previsto, o Rio Grande do Sul poderá recuperar, ainda em 2026, o patamar de exportações observado antes do embargo. O cenário, contudo, dependerá do câmbio, da demanda chinesa e da capacidade da indústria em atender requisitos de bem-estar animal e rastreabilidade exigidos pelos importadores.





