A Strategy, empresa liderada pelo bilionário Michael Saylor e amplamente associada ao mercado de criptomoedas, voltou a intensificar a sua estratégia de acumulação de bitcoin. Entre 12 e 19 de janeiro, a companhia desembolsou cerca de US$ 2,13 bilhões para comprar 22.305 bitcoins, segundo documentos submetidos aos reguladores norte-americanos.
Operação financiada com oferta de ações
Os recursos para a nova aquisição vieram do programa de colocação de ações da própria Strategy. Esse mecanismo permite à empresa emitir títulos no mercado e direcionar o capital captado para expandir o seu portfólio de ativos digitais. A companhia não detalhou o preço médio pago por cada bitcoin, mas o volume adquirido eleva substancialmente a posição total da organização no criptoativo.
Em publicação na rede social X, Michael Saylor informou que, em 19 de janeiro, a Strategy detinha 709.715 bitcoins. Assim, mesmo com a volatilidade recente, o executivo demonstra manter a convicção de longo prazo em relação à principal criptomoeda.
Mercado reage com queda nas ações
No pregão que sucedeu o anúncio, as ações da Strategy recuaram 7,4%, enquanto o bitcoin apresentava baixa de 3,6% no meio da tarde. Para analistas, o movimento reflete a correlação direta entre o desempenho da companhia e o comportamento do preço do ativo digital.
Nic Puckrin, cofundador da plataforma Coin Bureau, avalia que a continuidade das compras é vista pela direção como parte essencial da tese de investimento. Para o analista, uma eventual interrupção poderia ser interpretada pelo mercado como sinal de fragilidade no balanço, pressionando ainda mais as ações da empresa e a confiança geral na criptomoeda.
Perdas não realizadas no trimestre
No início de janeiro, a Strategy havia reportado uma perda não realizada de US$ 17,44 bilhões relacionada à desvalorização de seus ativos digitais no quarto trimestre de 2023. O resultado foi impactado pela forte oscilação de preços observada no mercado naquele período.
A própria companhia, contudo, afirmou que adota um horizonte de investimento de longo prazo. Segundo ela, o indicador prioritário passou a ser o “bitcoin por ação”, métrica que mede a quantidade de criptomoedas correspondentes a cada papel emitido. Dessa forma, flutuações trimestrais deixariam de representar, na visão interna, o real desempenho do negócio.
Estratégia de acumulação iniciada em 2020
A Strategy, originalmente uma fornecedora de software empresarial chamada MicroStrategy, iniciou a conversão de parte significativa de seu caixa para bitcoin em 2020. Desde então, a companhia realiza aquisições periódicas, financiadas tanto por recursos próprios quanto por emissões de dívida e venda de novas ações.
Imagem: Internet
Ao longo de quatro anos, a política tornou-se marca registrada da gestão de Michael Saylor e aproximou a organização do setor cripto. O elevado volume de bitcoins em posse da empresa levou analistas a classificar a Strategy como um “proxy” de investimento para quem busca exposição ao ativo digital sem adquirir diretamente a criptomoeda.
Implicações para investidores
A postura agressiva de compra tem implicações diretas para os acionistas. Por um lado, a valorização do bitcoin pode gerar expressivos ganhos de capital para a empresa, impulsionando o preço das ações. Por outro, a queda abrupta dos preços, como observado em 2022 e novamente em determinados momentos de 2023, expõe o balanço a perdas milionárias e aumenta a volatilidade do papel.
Pela ótica regulatória, o volume de bitcoins mantido pela Strategy obriga a companhia a registrar periodicamente perdas contábeis quando o preço de mercado fica abaixo do valor de compra, mesmo que esses prejuízos não se concretizem financeiramente. Os ganhos, por sua vez, só são contabilizados após a venda dos ativos, procedimento que a empresa não sinaliza intenção de realizar no curto prazo.
Cenário de curto prazo
O recente recuo do bitcoin, provocado por ajustes no mercado e por expectativas em torno de políticas monetárias globais, coincidiu com o momento das novas compras da Strategy. Embora o preço mais baixo proporcione uma oportunidade de aquisição, aumenta simultaneamente o risco de curto prazo sobre o valor contabilizado no balanço.
Para observadores do setor, o principal ponto de atenção continua sendo a capacidade da empresa de financiar futuras compras sem diluir excessivamente os acionistas existentes. A depender da evolução do mercado, novas emissões de ações poderão ocorrer, repetindo a estratégia utilizada nesta última operação.
Até o momento, a companhia não divulgou planos imediatos para novas aquisições, mas o histórico indica que a política de acumulação deve prosseguir enquanto a diretoria considerar o bitcoin um ativo estratégico de reserva de valor.





