Inep garante validade dos resultados do Enamed apesar de críticas das faculdades

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palacios, afirmou que os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) estão corretos. Segundo o dirigente, não houve qualquer erro nos indicadores utilizados para classificar 351 cursos de medicina avaliados em todo o país.

Presidente do Inep defende integridade dos dados

Em entrevista concedida nesta terça-feira (20), Palacios reconheceu que um número equivocado de estudantes proficientes foi apresentado às instituições em um comunicado interno no sistema eMEC, mas enfatizou que o dado equivocado não foi utilizado no cálculo do conceito Enade. “Os boletins dos participantes, os resultados finais dos cursos e o conceito Enade estão corretos”, declarou.

Na avaliação, cerca de 30% dos cursos de medicina receberam desempenho insatisfatório, classificação aplicada quando menos de 60% dos estudantes alcançam proficiência. As notas variam de 1 a 5; conceitos 1 e 2 são considerados insuficientes pelo Ministério da Educação (MEC) e podem resultar em medidas cautelares, como limitação de novas vagas.

Instituições privadas questionam inconsistências

Associações que representam mantenedoras de ensino superior privado contestam a divulgação. Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) apontou divergências entre os números informados em dezembro de 2025 e os publicados na segunda-feira (19). A entidade cita alterações em notas técnicas divulgadas pelo Inep após o término do prazo de recursos e a ausência de ligação entre estudantes e instituições nos microdados disponibilizados publicamente.

De acordo com a ABMES, a publicação de informações que precisam ser revisadas gera insegurança regulatória e impede a checagem independente das notas. A associação solicita apuração completa sobre a metodologia aplicada e afirma não ser possível garantir a correção dos conceitos divulgados enquanto persistirem as dúvidas.

Correção interna não alterou cálculo, afirma Inep

Palacios explicou que a inconsistência ocorreu apenas na “prévia” encaminhada às instituições. O erro foi corrigido antes do cálculo oficial e não interferiu na classificação dos cursos. “Nada publicado ao público contém erro”, reforçou. Segundo ele, o número de participantes, o total de inscritos, o total de estudantes proficientes e o conceito Enade permanecem inalterados e estão disponíveis no portal do Inep.

O presidente detalhou que o problema resultou de um processamento inadequado no sistema interno, que replicou uma quantidade divergente de estudantes proficientes. A conferência dos dados oficiais, baseada nos resultados da prova aplicada aos formandos, eliminou a divergência antes da divulgação final.

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Imagem: Educação

Prazo para manifestações das instituições

Para esclarecer dúvidas e receber contestações, o Inep abrirá um período de cinco dias, a partir da próxima segunda-feira (26), destinado às instituições de ensino superior. Nesse intervalo, faculdades poderão solicitar detalhes sobre a metodologia, questionar números ou apresentar justificativas relacionadas ao desempenho.

O conceito Enade serve de base para decisões regulatórias do MEC. Cursos com desempenho insuficiente podem ter o número de vagas reduzido, ter a abertura de novas turmas suspensa ou receber outras restrições. Por isso, a confirmação dos resultados é considerada fundamental pelas instituições avaliadas.

Impacto sobre a formação médica

O Enamed substituiu a componente de medicina do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e foi criado para aprimorar o monitoramento da qualidade da formação médica no Brasil. Na edição inaugural, estudantes realizaram prova objetiva e discursiva, cujo desempenho individual gerou boletins já liberados na plataforma do participante.

Os dados consolidados compõem indicadores utilizados pelo MEC para observar a qualidade dos cursos e embasar políticas públicas. Ao manter a posição de que os resultados estão corretos, o Inep pretende preservar a credibilidade do exame e garantir continuidade ao processo de avaliação.

Até o encerramento do prazo de manifestações, o Inep seguirá recebendo questionamentos. Se necessário, novos esclarecimentos técnicos poderão ser emitidos. Enquanto isso, faculdades e entidades representativas avaliam a possibilidade de recorrer administrativamente ou judicialmente caso permaneçam insatisfeitas com as respostas do órgão.

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