Polícia Civil realiza operação contra venda ilegal de camarotes no Morumbis

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São Paulo — A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, uma operação para coibir a comercialização irregular de camarotes no Morumbis, estádio do São Paulo Futebol Clube. A ação, conduzida pela 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes Contra a Administração (DPPC), cumpre quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados à prática denunciada.

Mandados miram esquema de venda não autorizada

Segundo informações da corporação, os mandados foram expedidos após a identificação de indícios de que espaços corporativos e áreas vip estariam a ser negociados fora dos canais oficiais do clube. Os investigadores apuram se o esquema envolvia a revenda de camarotes a preços superiores aos praticados pelo São Paulo ou a cessão de uso sem a devida autorização administrativa. O objetivo é recolher documentos, equipamentos eletrónicos e outros materiais que possam comprovar a origem e o destino dos recursos obtidos com as transações.

Os endereços alvo da operação incluem residências, empresas e possíveis pontos de intermediação das vendas. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou o nome dos suspeitos nem detalhou o conteúdo já apreendido, alegando sigilo para não comprometer o andamento das diligências. A DPPC também não informou se houve prisões em flagrante durante o cumprimento dos mandados.

Contexto interno: presidente afastado e auditoria do clube

A operação ocorre poucos dias depois de o então presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, ser afastado do cargo. O dirigente foi suspenso na semana passada por suspeitas de irregularidades na condução administrativa do clube. Paralelamente, o São Paulo instaurou uma investigação interna para mapear eventuais falhas de governança e rastrear possíveis benefícios ilícitos relacionados à gestão de ingressos, camarotes ou outros ativos.

Embora a Polícia Civil não tenha confirmado ligação direta entre o afastamento de Casares e a comercialização não autorizada dos camarotes, os investigadores não descartam a possibilidade de que esses fatos façam parte de um mesmo contexto de irregularidades. A DPPC informou que mantém comunicação com o departamento jurídico do São Paulo para obter registros de contratos, listas de convidados e relatórios financeiros referentes aos espaços corporativos do Morumbis.

O estádio, inaugurado em 1960 e oficialmente chamado Cícero Pompeu de Toledo, passou a ser conhecido comercialmente como Morumbis após acordo de naming rights. Os camarotes, destinados sobretudo a empresas e patrocinadores, representam uma importante fonte de receita para o clube e costumam ser vendidos em pacotes anuais ou por evento. A gestão desses espaços exige registros detalhados de contratos, emissão de notas fiscais e cumprimento de normas de segurança e de acessibilidade.

Próximos passos das investigações

Com a conclusão do cumprimento dos mandados, o material apreendido seguirá para perícia e análise documental. A Polícia Civil deve comparar dados fiscais, extratos bancários e comunicações eletrónicas dos investigados para mapear o fluxo financeiro gerado pelas vendas. Caso confirmada a prática de crime contra a administração, os envolvidos poderão responder por peculato, associação criminosa e falsidade ideológica, entre outros delitos previstos no Código Penal.

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Imagem: Internet

O clube, por sua vez, informou que irá colaborar com as autoridades e que sua auditoria interna corre em paralelo às investigações policiais. A diretoria interina declarou ter interesse em “esclarecer todos os fatos” e em “proteger as finanças e a reputação da instituição”. Até o momento, o São Paulo não divulgou prazo para a conclusão de seu inquérito interno.

A DPPC não divulgou estimativa sobre a duração da investigação nem data para possíveis indiciamentos. Também não há previsão de nova fase da operação, mas a delegacia responsável admite que outras buscas podem ser realizadas caso surjam novos elementos.

Em nota, a Polícia Civil reforçou que a operação desta quarta-feira integra um conjunto de ações voltadas ao combate ao desvio de recursos em entidades privadas de relevância pública, como clubes esportivos, e que qualquer cidadão ou empresa lesada pela fraude pode procurar a DPPC para prestar depoimento.

Com a investigação policial em curso e a auditoria interna do São Paulo em andamento, o mercado secundário de camarotes no Morumbis permanece sob observação das autoridades. Novas informações deverão ser divulgadas conforme a perícia avance e os investigadores concluam a análise dos materiais apreendidos.

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