Intel reduz projeções para o 1.º trimestre e sinaliza escassez de chips para IA

A Intel divulgou previsões de receita e lucro para o primeiro trimestre de 2024 inferiores às expectativas do mercado. A empresa atribui o cenário mais contido a limitações na cadeia de fornecimento de componentes usados em centrais de dados com cargas de trabalho de inteligência artificial (IA).

Receita estimada abaixo do consenso

A multinacional norte-americana projeta faturamento entre US$ 11,7 mil milhões e US$ 12,7 mil milhões no trimestre que termina em março. O intervalo fica ligeiramente abaixo da estimativa média de US$ 12,51 mil milhões, compilada pela LSEG a partir de projeções de analistas.

Para o mesmo período, a Intel prevê lucro ajustado por ação próximo do ponto de equilíbrio. O consenso de mercado apontava para resultado positivo de cerca de US$ 0,05 por ação. Caso se confirme, será o segundo trimestre consecutivo em que a companhia reporta margem de lucro bastante apertada.

Demanda por servidores de IA desafia capacidade de produção

Grandes empresas de tecnologia continuam a ampliar rapidamente os seus data centers para suportar aplicações de IA generativa e aprendizagem de máquina. Nesse cenário, a Intel fornece unidades centrais de processamento (CPUs) que operam em conjunto com as unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia, líderes nesse segmento.

O diretor financeiro da Intel, David Zinsner, reconheceu que a procura tem superado a oferta disponível. Segundo o executivo, a escassez de componentes afeta todo o setor e deve atingir o ponto mais crítico justamente no primeiro trimestre.

Esperamos que o suprimento disponível fique no nível mais baixo no primeiro trimestre e melhore gradualmente no segundo”, afirmou Zinsner durante conferência com investidores. Para responder à demanda, a empresa acelera investimentos em capacidade de fabricação e procura otimizar a cadeia logística.

Desempenho das ações contrasta com as projeções

Apesar do alerta de curto prazo, o movimento recente da ação segue positivo. Após perder mais de 60 % do valor de mercado em 2024, o papel recuperou força e subiu 84 % em 2025, superando o ganho de 42 % registrado no índice de semicondutores de referência. Somente em janeiro, a valorização acumulada supera 40 %, indicando confiança dos investidores na estratégia de longo prazo.

Analistas atribuem parte desse otimismo às iniciativas de diversificação da Intel, que incluem contratos de fabricação para terceiros e o avanço no portfólio de chips especializados em IA. Mesmo assim, as previsões divulgadas reforçam que a companhia ainda lida com gargalos operacionais e forte concorrência, sobretudo da AMD no mercado de CPUs para servidores e da própria Nvidia no fornecimento de soluções integradas para IA.

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Imagem: Internet

Fatores que pressionam as margens

A combinação de custos elevados de produção, transição para novos nós de litografia e investimentos em fábricas modulares tem comprimido as margens da Intel. Além disso, a empresa enfrenta:

  • Competição acirrada em preços e desempenho no segmento de data centers;
  • Adaptação do mix de produtos para aplicações de IA, que exigem patamares mais altos de eficiência energética;
  • Volatilidade macroeconómica, que influencia decisões de capex dos clientes corporativos.

Esses elementos explicam por que, mesmo com procura robusta, a receita projetada não avança no ritmo esperado pelo mercado.

Perspectivas para o restante de 2024

A Intel mantém a estratégia de expandir sua capacidade fabril nos Estados Unidos e na Europa, com o objetivo de reduzir dependência de fornecedores asiáticos e atender incentivos governamentais. A conclusão das novas instalações é considerada essencial para aliviar restrições de oferta a partir do segundo semestre.

Ao mesmo tempo, a empresa aposta na próxima geração de processadores para servidores, conhecida internamente como Granite Rapids, que deverá disputar espaço diretamente com os chips EPYC da AMD. A expectativa é que os lançamentos aumentem a competitividade e contribuam para margens mais sólidas nos trimestres seguintes.

Para os analistas, o principal ponto de atenção continua a ser o ritmo de normalização da cadeia de suprimentos. Enquanto não houver visibilidade plena sobre a disponibilidade de componentes essenciais, as previsões de lucro permanecerão sujeitas a revisões.

Até lá, o mercado acompanhará de perto a capacidade da Intel de transformar procura reprimida em receita efetiva e de equilibrar investimentos pesados com geração de caixa sustentável.

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