Diretor do Banco Central rebate acusação e nega ter orientado BRB a comprar carteiras do Master

Brasília, 23 jan. 2026 — O diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino Santos, afirmou não ter sugerido ao Banco de Brasília (BRB) a aquisição de carteiras de crédito supostamente fraudadas do Banco Master. A declaração foi divulgada em nota oficial após reportagem da jornalista Malu Gaspar mencionar que o executivo teria pedido ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, a compra de “milhões de reais” em créditos da instituição privada.

Ao negar a acusação, Aquino colocou à disposição do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) todos os dados bancários, fiscais e registros de conversas que manteve com Costa. O objetivo, segundo o diretor, é preservar a transparência do processo e colaborar com eventuais investigações.

Supervisão do BC identificou irregularidades no Banco Master

Na nota, o Banco Central informa que a área de Supervisão, comandada por Aquino, detectou inconsistências nas operações do Banco Master e abriu procedimento interno para apurar eventuais ilícitos. A apuração resultou, de acordo com o BC, na comunicação imediata dos fatos ao MPF, em conformidade com a legislação que estabelece o dever de reportar suspeitas de crime financeiro.

O documento acrescenta que a mesma diretoria propôs a liquidação do Banco Master como medida para resguardar o Sistema Financeiro Nacional. Enquanto a investigação era conduzida, a área de Supervisão teria aplicado disposições prudenciais ao BRB, a fim de proteger sua saúde financeira diante de possíveis riscos decorrentes das transações com o Master.

O BC destaca que monitora continuamente a situação patrimonial das instituições financeiras, bem como operações entre elas, para assegurar a estabilidade do setor e preservar os interesses dos clientes. Essa atuação inclui o acompanhamento de índices de capital, exposição a risco e práticas de gestão de crédito.

Instituições devem avaliar a qualidade dos ativos que adquirem

A autoridade monetária ressalta que a responsabilidade pela análise da qualidade das carteiras de crédito adquiridas é de cada instituição financeira, conforme estabelecido na Lei 4.595/1964 e em normas complementares. Os bancos devem manter políticas internas que incluam procedimentos e controles destinados a identificar, medir, monitorar e mitigar riscos decorrentes de suas operações.

Segundo o comunicado, o Banco Central exige que essas políticas sejam devidamente documentadas, revisadas de forma periódica e submetidas à supervisão. Caso sejam constatadas falhas, cabe à instituição responsável adotar medidas corretivas imediatas, sob pena de penalidades administrativas.

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Imagem: ultimas notícias

A nota oficial não detalha o teor das supostas irregularidades encontradas no Banco Master nem informa valores envolvidos, mas indica que o processo está em etapa de avaliação pelos órgãos competentes. A autarquia frisa que continua acompanhando o caso para garantir que eventuais impactos ao mercado sejam minimizados.

Posição do BRB ainda não foi divulgada

A reportagem solicitou manifestação do Banco de Brasília, que, até a publicação deste texto, não havia enviado resposta. O ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, também não se pronunciou sobre as declarações atribuídas ao diretor do BC nem sobre os alegados pedidos de compra das carteiras do Banco Master.

Não há, por ora, indicação de abertura de procedimento disciplinar interno no Banco Central contra Aquino ou de investigação formal contra diretores do BRB. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal avaliam as informações disponibilizadas para decidir sobre eventuais medidas.

O caso chama atenção porque envolve a atuação simultânea de três organismos: a autoridade supervisora do sistema bancário, o banco público distrital e uma instituição financeira privada suspeita de irregularidades. A base documental apresentada por Aquino, se confirmada, poderá esclarecer a sequência de decisões que culminou na proposta de liquidação do Banco Master e na suposta tentativa de transferência de carteiras de crédito para o BRB.

Até que os órgãos de controle concluam suas análises, o BC afirma que mantém o monitoramento das operações que possam oferecer risco sistémico. A autarquia reforça que qualquer aquisição de ativos deve observar rigorosos critérios de due diligence e estar alinhada às melhores práticas prudenciais do mercado.

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