O fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, a Rioprevidência, declarou nesta sexta-feira (23) que os R$ 970 milhões investidos no Banco Master permanecem resguardados e em processo de quitação. A posição foi divulgada após a Polícia Federal deflagrar a Operação Barco de Papel, que investiga possíveis irregularidades em transações financeiras entre o fundo e a instituição bancária.
Investimento de R$ 970 milhões está em fase de quitação
Segundo a Rioprevidência, o montante aplicado no Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024 encontra-se protegido por decisão judicial datada de dezembro de 2025. A determinação autoriza a retenção do capital, acrescido de juros e correção monetária, em benefício do caixa previdenciário.
De acordo com o comunicado, a liquidação do investimento ocorre mediante retenção de valores originados de empréstimos consignados que, antes da intervenção, seriam repassados ao Banco Master. A expectativa é concluir a quitação em aproximadamente dois anos. O órgão destaca que, graças a esse mecanismo, os recursos “estão à disposição do caixa previdenciário”, sem prejuízo às obrigações correntes.
A autarquia também assegurou que os pagamentos de aposentados e pensionistas seguem “normalmente”, sem impacto decorrente das investigações ou do processo de liquidação do investimento.
Operação Barco de Papel apura possível fraude bilionária
Na manhã de hoje, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados no Rio de Janeiro para coletar provas relacionadas a operações suspeitas envolvendo o Banco Master e a Rioprevidência. As autoridades apuram se houve desvio de recursos públicos e simulação de ativos financeiros para inflar artificialmente o balanço do banco.
Informações preliminares da investigação indicam que o Banco Master pode ter desviado cerca de R$ 11,5 bilhões. O Banco Central, que já havia decretado a liquidação da instituição, coopera com a Polícia Federal no compartilhamento de relatórios que sustentam as suspeitas.
O foco da operação inclui transações realizadas com fundos de investimento, compra de títulos e concessão de empréstimos que, segundo a PF, carecem de lastro econômico suficiente. No caso específico da Rioprevidência, o objetivo é esclarecer se o repasse de R$ 970 milhões ao banco atendeu aos protocolos de segurança previstos na política de investimentos do fundo.
Como funcionou a retenção dos recursos
O mecanismo de retenção foi autorizado pela Justiça após pedido da própria Rioprevidência, que buscava preservar o patrimônio previdenciário diante das dificuldades financeiras do Banco Master. A decisão determinou que parcelas de empréstimos consignados descontadas dos servidores públicos estaduais seriam retidas pela Rioprevidência até atingir o valor total aplicado, incluindo rendimentos.
Com a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, os créditos do fundo contra a instituição passaram a seguir o rito previsto para credores de bancos em intervenção. No entanto, graças à ordem judicial, a Rioprevidência tem acesso prioritário às parcelas retidas, reduzindo o risco de perda financeira.
Imagem: Últimas Notícias
Pagamentos aos beneficiários continuam regulares
A Rioprevidência destacou que o fluxo de pagamento a cerca de 260 mil aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro não foi afetado. Conforme a nota, a folha mensal está assegurada por receita própria do fundo e por repasses do governo estadual, previstos no orçamento.
Além da proteção judicial, a autarquia afirma manter acompanhamento diário das garantias e do cronograma de quitação, em coordenação com os órgãos de controle estadual e federal. Qualquer atualização sobre o andamento da operação ou sobre a recuperação dos ativos deverá ser comunicada aos beneficiários e às autoridades competentes.
Próximos passos das investigações
A Polícia Federal segue analisando documentos recolhidos em empresas e endereços ligados ao Banco Master, bem como dados fornecidos pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários. A investigação busca determinar responsabilidades criminais por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.
Caso as suspeitas se confirmem, os envolvidos podem responder por crimes contra o sistema financeiro nacional, com penas que variam de três a doze anos de prisão, além de multas. O resultado das diligências também pode influenciar futuros processos cíveis de ressarcimento e ações de improbidade administrativa.
Até o momento, a Rioprevidência não é alvo de medida cautelar que afete sua gestão e continua colaborando com as autoridades, fornecendo documentos e esclarecimentos sobre seus procedimentos de investimento.
A liquidação do Banco Master e a investigação da Operação Barco de Papel permanecem em curso. Novas informações serão divulgadas pelos órgãos responsáveis conforme o avanço das apurações.





