Um menino de oito anos sofreu ferimentos graves após ser atacado por dois cães da raça pit bull na tarde de quarta-feira, 5, em Santa Gertrudes, interior de São Paulo. A criança caminhava pela Rua 16 quando foi surpreendida pelos animais, que escaparam da residência da tutora no momento em que ela colocava o lixo para fora.
Como ocorreu o ataque
De acordo com a Polícia Militar, o portão da casa estava aberto durante a breve saída da proprietária. Ao avistarem o garoto na calçada, os cães avançaram e derrubaram a vítima. O ataque durou menos de um minuto, mas foi suficiente para provocar lesões severas: parte do couro cabeludo foi arrancada pelas mordidas.
A tutora tentou conter os animais, sem sucesso. Vizinhos acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar logo após ouvirem gritos de socorro. Quando a equipa médica chegou, o menino apresentava hemorragia significativa e sinais de choque.
Estado de saúde e procedimentos médicos
A criança foi levada em estado grave para a Santa Casa de Rio Claro, município vizinho a aproximadamente 12 quilómetros de distância. Segundo boletim médico, passou por uma cirurgia de emergência para recomposição do couro cabeludo, com enxertia de pele e sutura de tecidos. O procedimento durou cerca de três horas.
O pai da vítima, Joelson Francisco da Silva Filho, informou que o filho deverá passar por outras duas ou três intervenções nos próximos meses. “Ainda há uma área aberta que precisa ser coberta com pele retirada de outra parte do corpo”, explicou. O hospital mantém o paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, em observação contínua, mas com sinais vitais considerados estáveis.
Investigação policial e responsabilização
A Delegacia de Polícia Civil de Rio Claro instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do ataque. A tutora, cujo nome não foi divulgado, prestou depoimento e foi liberada para responder em liberdade. Ela é investigada pelos crimes de omissão de cautela na guarda de animais ferozes e lesão corporal culposa, previstos no Código Penal.
Até o momento, os cães permanecem sob a responsabilidade da própria tutora. A polícia avaliou as condições do local e comunicou a Vigilância Sanitária do município, que poderá determinar medidas adicionais, como avaliação comportamental dos animais, vacinação e eventual recolhimento.
Imagem: Internet
Repercussão e medidas preventivas
O caso reacendeu o debate sobre cuidados necessários na criação de cães de raças consideradas de grande porte. Especialistas em comportamento animal reforçam a importância de manter portões trancados, utilizar guia ao sair com o animal e garantir adestramento adequado para evitar episódios de agressividade.
Dados da Sociedade Brasileira de Trauma indicam que, no país, ataques de cães representam cerca de 30 mil atendimentos hospitalares por ano, com crianças na faixa etária de 5 a 9 anos entre as principais vítimas. A legislação prevê sanções para responsáveis que não adotam medidas de contenção, podendo incluir multa, detenção e processo civil por danos morais e materiais.
Próximos passos
O inquérito policial deve ouvir novas testemunhas nos próximos dias, incluindo vizinhos que presenciaram o ataque e profissionais de saúde que atenderam a ocorrência. A perícia também analisará se os animais estavam vacinados e se o local apresentava condições seguras para mantê-los.
Enquanto isso, a família acompanha a recuperação do menino e aguarda a definição de eventuais medidas judiciais para reparação dos danos. A Santa Casa de Rio Claro informou que um boletim atualizado será divulgado assim que houver evolução relevante no quadro clínico do paciente.





