São Paulo, 23 de janeiro de 2026 — O Ibovespa encerrou a sexta-feira aos 178.858 pontos, avanço de 1,86% no dia, novo máximo histórico. O principal índice da B3 acumulou valorização de 8,53% nos últimos cinco pregões, desempenho que não se repetia desde a semana encerrada em 9 de abril de 2020, quando subiu 11,71%.
Recorde diário impulsiona resultado semanal
Durante a sessão, o indicador chegou a superar a marca simbólica de 180 mil pontos às 17h31, com alta momentânea de 2,38%. Na última hora de negociação, investidores aproveitaram os ganhos recentes para realizar lucros, reduzindo parte do avanço intradiário, mas sem impedir o quarto recorde consecutivo.
Com o resultado, o índice amplia a sequência positiva iniciada em meados de janeiro. Somente em 2026, a valorização acumulada já supera 8%. A movimentação reflete o forte fluxo de capitais estrangeiros para a renda variável doméstica em meio à procura por mercados emergentes.
Entrada de capital estrangeiro sustenta valorização
De 1.º a 21 de janeiro, a B3 registou entrada líquida de R$ 12,35 bilhões, volume que corresponde a quase metade dos R$ 25,5 bilhões contabilizados durante todo o ano de 2025. A migração de recursos ocorre em um cenário de juros mais elevados no Brasil em comparação com economias avançadas, além de expectativas de ganho de capital com ações locais.
O movimento de investidores internacionais também influenciou o câmbio. Após duas sessões de forte queda, o dólar comercial terminou o dia vendido a R$ 5,287, variação diária de 0,05%. Ainda assim, a divisa acumulou recuo de 1,61% na semana e de 3,68% no ano, atingindo os menores patamares desde a primeira quinzena de novembro.
Fatores que estimularam a bolsa na semana
Analistas destacam três pontos que apoiaram a alta expressiva dos últimos dias:
• Expectativa de flexibilização monetária em grandes economias, o que tende a reduzir a atratividade dos títulos norte-americanos e favorece mercados emergentes.
• Revisões positivas de balanços corporativos brasileiros, com projeções de lucros resilientes apesar do ambiente global desafiador.
• Manutenção do diferencial de juros, atualmente em 15% ao ano, que segue atraindo investidores em busca de retorno em renda fixa e, por consequência, fomentando a rota para a renda variável.
Imagem: Últimas Notícias
Dólar mostra estabilidade após quedas
Na manhã de sexta-feira, a cotação tocou R$ 5,30, impulsionada por compras de importadores e de investidores que aproveitaram o patamar mais baixo da moeda. Com o ingresso contínuo de recursos externos, o dólar voltou a operar próximo da estabilidade, encerrando praticamente no mesmo nível do dia anterior.
No mercado futuro, os contratos mais líquidos de dólar também exibiram poucos ajustes, reforçando a leitura de acomodação no curto prazo depois de quedas expressivas nas sessões precedentes.
Próxima reunião do Copom no radar
Na semana seguinte, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reúne-se para deliberar sobre a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. O resultado do encontro tende a influenciar as expectativas de fluxo de capital externo e, consequentemente, o comportamento tanto da bolsa quanto do câmbio.
Parte do mercado avalia que o colegiado deve optar por manter os juros, citando a inflação ainda resistente. Por outro lado, alguns participantes observam espaço para início de ciclo de queda no segundo trimestre, caso os índices de preços apontem trajetória consistente de desaceleração.
Desempenho acumulado e perspectivas
No acumulado do ano, o Ibovespa encontra-se entre as bolsas com melhor performance global, refletindo perceção crescente de menor risco fiscal e melhora de confiança. Contudo, agentes seguem atentos à cena externa, especialmente à política monetária nos Estados Unidos, e a fatores internos como a tramitação de projetos econômicos no Congresso.
Enquanto isso, empresas brasileiras seguem preparando balanços do quarto trimestre, cujo calendário começa a intensificar-se em fevereiro. Resultados corporativos robustos podem servir de novo catalisador para o índice manter o fôlego, desde que o ambiente internacional permaneça favorável.





