O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais anunciou o fim das buscas por vítimas do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, sete anos depois do desastre. A confirmação ocorreu neste domingo (25), data que marca o aniversário da tragédia, segundo o porta-voz da corporação, tenente Henrique Barcellos, em entrevistas concedidas à TV Bandeirantes e à rádio Itatiaia.
Conclusão dos trabalhos de campo
De acordo com Barcellos, as equipas responsáveis pela Operação Brumadinho finalizaram a verificação de todo o volume de rejeitos em 23 de dezembro. O processo, que envolveu a vistoria de 100% da lama dispersa após o colapso da estrutura da Vale, foi concluído antes do Natal. Com a tarefa encerrada, os bombeiros iniciam agora a fase de desmobilização, retirando gradualmente pessoal e equipamentos da área atingida.
Embora os bombeiros tenham concluído a procura por restos mortais, a operação prossegue em outras frentes do governo mineiro. A Polícia Civil mantém a análise de fragmentos coletados ao longo dos últimos anos, trabalho que pode resultar em novas identificações. Segundo o porta-voz, o esforço multidisciplinar continuará a cargo dos órgãos de perícia até que todas as evidências sejam avaliadas.
Vítimas ainda desaparecidas
Entre as 270 pessoas que perderam a vida na tragédia, duas seguem oficialmente desaparecidas. São elas:
- Tiago Tadeu Mendes da Silva, 34 anos, mecânico industrial contratado havia 20 dias pela Vale. Ele estava no refeitório da mina no momento do rompimento e deixou dois filhos.
- Nathália de Oliveira Porto Araújo, estagiária da Vale que também se encontrava no refeitório. O sinal do seu telemóvel chegou a apontar para a região da Cachoeira das Ostras, mas as buscas naquele local não obtiveram sucesso.
Desde 2019, 268 vítimas foram localizadas, mas apenas 88 tiveram o corpo inteiro recuperado. As 179 restantes foram encontradas de forma segmentada devido ao impacto da lama e à degradação ao longo do tempo.
Metodologia de identificação
Para preservar pequenos fragmentos durante o longo período de buscas, especialistas adotaram um sistema de caixas de zinco guardadas em caminhões frigoríficos. Cada parte recuperada recebe acondicionamento individual até a confirmação da identidade, quando é transferida para uma caixa específica com o nome da vítima.
Imagem: Internet
O método foi desenvolvido por um legista contratado pela Vale, em resposta à exigência de familiares para assegurar a conservação de todo o material biológico. A maior parte das identificações foi possível graças à análise de ossos, considerados mais resistentes. Os últimos vestígios de tecidos moles — pele e cabelo — foram resgatados em setembro de 2022, mas perdem DNA com rapidez, o que dificulta o trabalho pericial.
Próximos passos
Com o encerramento das buscas de campo, o Corpo de Bombeiros concentra-se na conclusão de relatórios e na disponibilização de dados às autoridades competentes. Já a Polícia Civil continuará a perícia dos fragmentos ainda não identificados, na tentativa de oferecer respostas às famílias de Tiago e Nathália.
A tragédia de Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019, quando a barragem da Vale se rompeu e liberou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. O desastre causou danos ambientais e sociais de grande magnitude, além de ser considerado um dos maiores acidentes laborais do Brasil.
Segundo o tenente Barcellos, mesmo após sete anos de trabalho contínuo, a corporação permanece à disposição para qualquer nova demanda relacionada ao caso, reforçando o compromisso de dar suporte às investigações e aos familiares das vítimas.





