Brasil direciona R$ 23 bilhões à IA e projeta supercomputador no top-5 mundial em 2026

Imagem representando tecnologia e inovação

O governo federal colocou em marcha o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2027 para acelerar projetos de pesquisa, formação de pessoal e infraestrutura voltada a tecnologias de IA. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e mobiliza mais de 20 ministérios.

Investimentos já aplicados e metas de curto prazo

Segundo Hugo Valadares, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital do MCTI, parte dos recursos já foi distribuída. Entre as primeiras ações estão R$ 6 bilhões destinados a programas de inovação em empresas e a capacitação de 140 mil profissionais em áreas de tecnologia da informação. O plano também contempla a atualização do supercomputador Santos Dumont, instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), para ampliar a capacidade de processamento de dados científicos.

Os recursos do PBIA abrangem ainda o Inspire, projeto tocado pelo Ministério da Gestão em parceria com o CPqD. A iniciativa recebeu R$ 390 milhões para modernizar a infraestrutura nacional de dados, facilitando o desenvolvimento de aplicações de IA em setores público e privado.

Supercomputador dedicado à IA chega em 2026

Entre as entregas consideradas estratégicas, o governo planeia instalar, em 2026, um supercomputador exclusivo para aplicações de inteligência artificial. A máquina, orçada em R$ 1,8 bilhão, deverá figurar entre as cinco mais potentes do mundo quando entrar em operação. De acordo com Valadares, a expectativa é que o equipamento seja instalado e colocado em funcionamento ainda no mesmo ano.

Com a nova infraestrutura, o MCTI prevê ampliar a capacidade de pesquisa nacional em áreas como modelagem de linguagem natural, simulações climáticas, saúde e energia. O supercomputador também deve apoiar projetos de universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras, encurtando o tempo de processamento de grandes volumes de dados.

Posicionamento do Brasil na corrida global

Embora o montante previsto no PBIA torne o país um dos maiores investidores em IA fora do eixo Estados Unidos–China, Valadares reconhece que o Brasil não disputará a liderança absoluta do setor. EUA e China aplicam centenas de bilhões de dólares por ano em pesquisa, infraestrutura e aquisição de hardware avançado, cenário que torna improvável uma competição direta.

O diretor afirma que o objetivo é posicionar o Brasil no quartil superior dos países com maior desenvolvimento tecnológico, evitando atrasos que poderiam empurrar o país para patamares inferiores de inovação. Para isso, o plano concentra esforços em áreas nas quais a economia brasileira pode gerar impacto, como a formação de profissionais especializados, a construção de infraestrutura de dados e o incentivo à pesquisa aplicada em setores-chave.

Horizonte de quatro anos e necessidade de continuidade

O PBIA tem duração prevista de pouco mais de quatro anos, acompanhando o ciclo orçamentário atual. Valadares explica que o período curto reflete a disponibilidade de recursos imediatos, mas destaca que a continuidade das ações dependerá de futuras gestões. Manter a inteligência artificial como prioridade nacional será fundamental para consolidar os resultados iniciais e evitar retrocessos.

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Imagem: Tecnologia Inovação Notícias

Apesar das limitações orçamentárias, o Brasil busca replicar modelos de investimento adotados por países europeus, onde a aplicação anual em IA gira em torno de US$ 5 a 6 bilhões. Segundo o MCTI, o volume de recursos já liberado coloca o país em linha com economias de porte semelhante, caso da França, Alemanha e Reino Unido.

Formação de talentos ganha destaque

Além da infraestrutura, o PBIA reserva verbas para bolsas de graduação, mestrado, doutorado e produtividade, administradas pelo CNPq e pela Capes. Essas bolsas ampliam a oferta de profissionais de alto nível em ciência de dados, aprendizado de máquina e engenharia de software. O governo espera que a formação de capital humano estimule a criação de novos produtos, serviços e startups baseadas em IA.

Para Valadares, a prioridade é “criar as capacidades necessárias e avançar o mais rápido possível” dentro dos limites financeiros do país. O diretor reforça que o Brasil é a décima maior economia do mundo e possui universidades reconhecidas internacionalmente, o que fornece base sólida para sustentar o crescimento tecnológico previsto no plano.

Próximos passos

Nos próximos meses, o MCTI deve detalhar critérios de acesso ao supercomputador de 2026, bem como novos editais de inovação e capacitação. Paralelamente, o Inspire continua a expandir a rede pública de dados, condição apontada pelo governo como essencial para o sucesso de aplicações de IA em escala nacional.

Com a combinação de investimento em infraestrutura, formação de talentos e fomento à inovação, o PBIA procura garantir que o Brasil participe da economia global de inteligência artificial em posição competitiva, ainda que abaixo do patamar dominado por Estados Unidos e China.

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