Meta revela prejuízo de US$19,1 bilhões em VR e prevê 2026 com perdas iguais

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A Meta divulgou os resultados financeiros de 2025 e confirmou que a divisão Reality Labs, responsável pelos projetos de realidade virtual (VR), terminou o ano com prejuízo de 19,1 bilhões de dólares. A cifra supera os 17,7 bilhões negativos anotados em 2024 e reforça a pressão sobre a estratégia da empresa no segmento iniciado em 2021, quando anunciou o foco no metaverso.

Prejuízo recorde em 2025

No quarto trimestre, a Reality Labs apresentou perda de 6,2 bilhões de dólares, enquanto a receita chegou a 955 milhões. Em todo o ano, as vendas totalizaram 2,2 bilhões, valor insuficiente para compensar o volume de investimento destinado a hardware, software e pesquisa para experiências imersivas.

O balanço foi divulgado poucos dias após o corte de 10 % do quadro de funcionários que atuavam na divisão, redução estimada em cerca de mil empregos. A medida faz parte de um programa amplo de contenção de custos que a Meta vem realizando em diferentes frentes desde 2023.

Planos para óculos, wearables e Horizon

Em teleconferência com investidores, Mark Zuckerberg adotou tom de otimismo moderado. O executivo afirmou que os recursos do Reality Labs serão direcionados prioritariamente para óculos inteligentes e outros dispositivos vestíveis. O objetivo, segundo ele, é colocar no mercado produtos menos dependentes de capacetes volumosos e mais alinhados ao uso cotidiano do público geral.

Além do hardware, a Meta pretende concentrar esforços no Horizon, plataforma virtual que deve ganhar protagonismo na versão para dispositivos móveis. A companhia acredita que o acesso via smartphones pode ampliar a base de utilizadores e, consequentemente, fomentar um ecossistema de jogos, eventos e experiências sociais capaz de gerar receitas recorrentes.

Mesmo com as iniciativas, Zuckerberg sinalizou que o cenário financeiro da divisão não mudará no curto prazo. “Espero que as perdas deste ano sejam semelhantes às do ano passado”, declarou o CEO, referindo-se a 2026. Ele acrescentou, porém, que a direção aposta na redução gradual dos prejuízos a partir de 2027, à medida que os investimentos mais pesados forem sendo concluídos.

Estúdios encerrados e mudanças de foco

Relatos internos indicam o encerramento de vários estúdios de desenvolvimento de jogos e experiências para VR. A decisão ocorre em paralelo ao fim do Workrooms, aplicativo solo voltado para reuniões virtuais em ambientes corporativos. Lançado com a promessa de substituir salas de conferência tradicionais, o serviço não alcançou adesão significativa.

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Imagem: Getty

Analistas observam que a empresa tem transferido parte dos recursos antes destinados ao metaverso para a área de inteligência artificial, considerada estratégica para manter competitividade em anúncios e novos serviços digitais. Essa mudança de prioridade explica, em parte, a dificuldade em sustentar investimentos de larga escala na realidade virtual.

Desafios e perspectivas

Desde o anúncio do metaverso, a Meta enfrenta ceticismo de mercados e consumidores. Críticas apontam alto custo dos dispositivos, falta de conteúdo atrativo e limitações técnicas que afastam o público mainstream. Embora o Meta Quest tenha conquistado parcela relevante de utilizadores de VR, o crescimento não acompanha o ritmo projetado inicialmente pela companhia.

Os cortes recentes e a reorientação para produtos menos complexos podem indicar tentativa de ajustar expectativas. Para 2026, a companhia mantém a meta de apresentar versões mais leves e conectadas de óculos inteligentes, iniciativa que, se bem-sucedida, pode reduzir a dependência de headsets robustos e pavimentar caminho para novas fontes de receita.

Enquanto isso, a Reality Labs deverá continuar a operar no vermelho, pressionando as margens do grupo. O desempenho financeiro da divisão ao longo de 2026 será acompanhado de perto por investidores, que buscam sinais claros de que o montante aplicado até aqui — já na casa dos 59 bilhões de dólares desde 2022 — poderá converter-se em ganhos sustentáveis a médio prazo.

Por ora, a empresa reforça a ideia de que o ano corrente representará o pico de perdas na vertical de realidade virtual, prevendo diminuição gradual das despesas nas etapas seguintes. Ainda assim, o caminho até a rentabilidade permanece incerto, dependente da aceitação do mercado a novos produtos, da evolução tecnológica e da capacidade de transformar o Horizon numa plataforma lucrativa.

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