Elon Musk cria empresas no Nevada e avalia fusão da SpaceX com Tesla ou xAI

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Elon Musk estuda integrar algumas das suas companhias e já deu o primeiro passo formal para essa operação. Documentos registados em janeiro no estado do Nevada, Estados Unidos, indicam a constituição de duas entidades que permitirão fundir a SpaceX com a Tesla ou com a xAI. A movimentação mantém abertas as duas alternativas, sugerindo que o empresário pretende escolher a estrutura mais vantajosa ao longo dos próximos meses.

Por que a SpaceX está no centro da possível fusão

As duas hipóteses analisadas têm a SpaceX como peça principal. A companhia aeroespacial planeia realizar uma oferta pública inicial (IPO) ainda este ano, e a integração com outra empresa do grupo pode facilitar a valorização e o acesso a capital. Ao mesmo tempo, uma fusão permitiria consolidar tecnologias complementares.

Se a escolhida for a xAI, a operação reforçará o projeto defendido por Musk durante o Fórum Económico Mundial, em Davos. Na ocasião, o executivo afirmou que, “dentro de dois a três anos”, será mais barato rodar inteligência artificial no espaço do que na Terra. Data centers em órbita teriam acesso contínuo a energia solar e exigiriam menos refrigeração, embora exijam investimento inicial elevado para lançamento e manutenção.

Já uma integração com a Tesla abriria caminho para acelerar o desenvolvimento de software avançado nos veículos elétricos e nos robôs humanoides Optimus. A Tesla, que já fornece baterias às instalações da xAI, poderia combinar a experiência de produção em massa de hardware com a infraestrutura espacial da SpaceX.

Estratégia de longo prazo envolve IA, carros elétricos e satélites

A ideia de agrupar empresas não é nova no universo de Musk. Em 2025, a xAI adquiriu a rede social X, ampliando o portfólio de inteligência artificial e de comunicação do grupo. A fusão agora cogitada vai na mesma direção de unificar plataformas, reduzir custos e ampliar a escala dos projetos.

O plano ganha força após a Tesla anunciar um investimento de 2 mil milhões de dólares na xAI. Embora a maioria dos acionistas tenha votado contra a aplicação, a administração defendeu o movimento como parte da Master Plan Parte IV, estratégia que prevê levar a inteligência artificial ao mundo físico. No comunicado, a Tesla informou que, “em parceria com a xAI”, desenvolve produtos que colocam IA de ponta em veículos, fábricas e robôs.

O reforço financeiro soma-se à última ronda de captação da xAI, que reuniu cerca de 20 mil milhões de dólares. Entre os investidores estão fundos de capital, instituições financeiras e fabricantes de chips. A própria Tesla aparece como financiadora, confirmando a interligação crescente entre as empresas.

Benefícios e desafios de operar data centers no espaço

Segundo Musk, colocar centros de dados em órbita reduzirá custos operacionais graças à disponibilidade constante de energia solar e à menor necessidade de refrigeração. A ausência de atmosfera facilita a dissipação de calor, enquanto painéis solares podem funcionar sem as oscilações típicas do solo.

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Imagem: Internet

Contudo, o modelo também apresenta desafios significativos. O transporte de servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede exige foguetes de grande porte, aumentando o investimento inicial. Além disso, possíveis manutenções demandariam missões regulares, o que torna a confiabilidade dos componentes um fator crítico. Elementos de proteção contra radiação espacial precisariam ser incorporados para preservar a integridade dos circuitos.

Sinergias já existentes entre Tesla, xAI e SpaceX

Mesmo antes de qualquer fusão formal, as três empresas mantêm colaboração tecnológica. A Tesla fornece baterias de íons de lítio que alimentam os clusters da xAI. O modelo de linguagem Grok, desenvolvido pela xAI, já está presente no sistema operacional dos veículos elétricos, oferecendo recursos de assistência virtual ao condutor.

Para o futuro, a xAI foi designada como responsável pelo software de inteligência artificial dos robôs humanoides Optimus, protótipos que a Tesla pretende colocar em linhas de produção e em serviços logísticos. Se a integração acontecer, a SpaceX poderá fornecer infraestrutura de conectividade via satélite à frota de robôs e automóveis, ampliando a autonomia e a cobertura de dados.

Próximos passos para a fusão

A criação das duas entidades no Nevada garante flexibilidade a Musk. Uma estrutura permitirá absorver a xAI na SpaceX; a outra acomodará a Tesla se essa for a decisão final. A partir de agora, advogados e consultores devem analisar implicações regulatórias, impactos fiscais e questões de governança corporativa. Não há calendário oficial para o anúncio, mas o cronograma do IPO da SpaceX — previsto para este ano — funciona como ponto de referência.

Independentemente do formato escolhido, o objetivo declarado é concentrar recursos em inteligência artificial, exploração espacial e mobilidade elétrica. A consolidação pode simplificar cadeias de produção, atrair novos investidores e acelerar projetos que dependem de integração estreita entre hardware, software e lançamentos de satélites.

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