Família pressiona Estados Unidos por extradição de brasileiro detido pelo ICE

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Brasileiro detido há mais de dois meses pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) continua à espera de autorização para regressar ao Brasil, enquanto a família denuncia falta de informações e condições precárias de custódia.

Detenção prolongada e incerteza sobre retorno

Matheus Silveira, de 26 anos, encontra-se preso desde novembro de 2025 após ser abordado por agentes do ICE nos Estados Unidos. Segundo familiares, o jovem teve o pedido de residência permanente interrompido e optou pela saída voluntária do país, medida autorizada por um juiz de imigração. Mesmo assim, permanece detido e, na última semana, foi transferido para um centro de detenção migratória no estado da Louisiana.

A mãe do brasileiro, Luciana Santos de Paula, relata que o plano inicial previa a transferência para uma unidade próxima ao aeroporto, onde Matheus aguardaria pelo embarque em até 48 horas. “Ele foi levado para outro centro, longe de qualquer assistência; ninguém explica o motivo da mudança nem o prazo para a viagem”, afirma.

A esposa de Matheus, Hanna Silveira, cidadã norte-americana, militar e advogada, também não recebeu detalhes sobre o processo. De acordo com a família, nem mesmo a representante legal do detido conseguiu acesso à documentação que justificaria a nova custódia.

Condições de custódia geram críticas

Familiares descrevem o tratamento no centro de detenção como “desumano”. Luciana afirma que a alimentação é insuficiente e que detentos precisam comprar itens básicos. “As ligações para o Brasil são caras e, muitas vezes, impossíveis de realizar porque dependem de créditos pagos pela família”, diz a mãe.

O relato acrescenta que Matheus permanece isolado, sem previsão de liberação ou data de voo. “Se a ordem judicial é para que ele deixe o país, não faz sentido mantê-lo preso. É cruel manter alguém em custódia sem justificativa”, completa Luciana.

Histórico do imigrante e processo migratório

Matheus vive nos Estados Unidos desde 2019. Em 2024, casou-se com Hanna e entrou com pedido de green card, cujo processo envolvia entrevistas e verificação de documentos. A família relata que o jovem foi detido logo após concluir a etapa final da solicitação. Já sob custódia, desistiu oficialmente da residência permanente e solicitou a saída voluntária, procedimento que, em casos regulares, costuma ocorrer em até 60 dias.

Especialistas em direito migratório observam que, quando o próprio imigrante pede para deixar o país, o ICE geralmente coordena a remoção de maneira rápida, a menos que existam alertas de segurança, pendências judiciais ou falta de vagas em voos de deportação. Até o momento, não há informações sobre possíveis impedimentos legais contra Matheus.

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Posicionamento do governo brasileiro

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores declarou prestar assistência consular ao brasileiro e manter contato com autoridades dos Estados Unidos. O Itamaraty informou que acompanha o caso “para assegurar que os direitos do cidadão sejam respeitados” e oferece apoio à família.

A diplomacia brasileira, porém, não divulgou detalhes sobre tratativas específicas para acelerar a extradição. Fontes da pasta explicam que, em casos de saída voluntária, o processo depende sobretudo do cronograma do ICE e da disponibilidade de passagens aéreas, fatores fora do controle do governo brasileiro.

Cobrança por transparência e prazos

Sem respostas concretas, a família de Matheus intensificou pedidos públicos por esclarecimentos. A mãe afirma ter contatado parlamentares brasileiros e organizações de direitos humanos. “Queremos apenas que seja cumprida a decisão de removê-lo; se ele não pode ficar, precisa ser mandado de volta”, reforça.

Entidades que acompanham casos de detenções migratórias apontam que atrasos em deportações são frequentes, sobretudo quando o ICE transfere imigrantes entre centros de custódia. Cada mudança implica reinício de procedimentos internos, o que pode prolongar estadias sem data definida.

Próximos passos

Advogados de Matheus aguardam acesso ao dossiê completo para verificar se há pendências que impedem o embarque. A família, por sua vez, continua a pressionar o ICE por um cronograma oficial. Caso o órgão mantenha o brasileiro sob custódia sem apresentar justificativa formal, a defesa analisa entrar com recurso em tribunais norte-americanos.

Enquanto isso, Matheus segue no centro de detenção na Louisiana, dependente de visitas agendadas e chamadas telefónicas limitadas. Para a família, a prioridade é garantir que o jovem retorne ao Brasil o mais rápido possível, conforme determina a decisão judicial de saída voluntária.

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